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:: AS 3 ÚLTIMAS EXPOSIÇÕES DE 2016 NO MAAT

Artecapital

2016-11-08




Inauguram a 9 de Novembro, no edifício da Central Tejo, três exposições que fecham o ciclo expositivo deste ano do MAAT - Museu Arte, Arquitectura, Tecnologia

 

LIQUID SKIN. APICHATPONG WEERASETHAKUL, JOAQUIM SAPINHO
Curadoria: Alexandre Melo
9 NOV – 24 ABR

Vista da exposição. Créditos: Paulo Coelho, Fundação EDP

 

Os realizadores Apichatpong Weerasethakul e Joaquim Sapinho apresentam na Sala das Caldeiras duas formas distintas de instalação vídeo, resultado de um processo marcado por “um trabalho longo de correspondência”, afirmou Joaquim Sapinho, acrescentando que o que junta o trabalho dos dois é a relação entre vivos e mortos, o não conseguirem separar esses dois mundos. Apichatpong referiu também que a exposição é um diálogo entre as luzes do cinema de cada um dos realizadores. O título, segundo Alexandre Melo, curador da exposição, remete-nos para uma ideia de metamorfose de corpos, da luz, das matérias, físicas e espirituais.

Os projectos foram concebidos especificamente para o espaço, não podendo existir num outro sítio. As características físicas do local marcaram desde o início o diálogo entre os dois realizadores. A exposição é time-specific e light-specific, afirmou Alexandre Melo. A relação entre o espaço exterior e interior é grande, entre a luz e as estruturas da Central.

As projecções de Joaquim Sapinho estão instaladas directamente sobre as estruturas técnicas da sala, localizadas nas passagens entre os dois corredores principais, sendo as imagens moldadas pelas superfícies que as recebem. O conteúdo são imagens de família, acumulações de memórias que se vão transformando. Filmagens de momentos da vida familiar de Joaquim Sapinho, assim como retratos de pessoas já desaparecidas mas que fazem aqui uma aparição numa moldura de ferro.

O último corredor, o que faz passagem para a instalação de Apichatpong, contém excertos de filmes de Joaquim Sapinho, um deles inédito ainda. A relação entre o loop da imagem videográfica da arte contemporânea e a linearidade do cinema é colocada aqui em destaque. A imagem de um túnel faz a passagem não só para o outro lado da instalação, mas também remete para essa passagem para o outro lado da vida.

A projecção dupla de Apichatpong funciona como dois olhos captando a luz. A terceira projecção, colocada perpendicularmente à janela, está pensada para só ser perfeitamente observada depois do pôr do sol. O vídeo é um regresso à origem da luz: o fogo (a caverna, as sombras).

 

 

EDUARDO BATARDA. MISQUOTEROS - A SELECTION OF T-SHIRT FRONTS
Curadores: Ana Anacleto e João Fernandes
9 NOV- 13 FEV

Vista da exposição. Créditos: Paulo Coelho, Fundação EDP

 

Em Maio deste ano completou-se 50 anos da primeira exposição de Eduardo Batarda. A peça que apresenta agora no MAAT tem a ver com “os temas genéricos da decadência, da velhice e do esgotamento dos artistas” (texto de Eduardo Batarda). Tem a ver com o confronto entre processos de transformação e processos de continuidade.

A exposição reúne um conjunto de trinta pinturas que o autor considera como uma só obra. São peças individuais mas indissociáveis. Texto e imagem são aqui equivalentes: “em todo o meu trabalho praticamente fiz coexistir imagem e texto, neste projecto quis que o texto tivesse primazia.” O texto foi escrito em computador, com uma técnica igual à da colagem tradicional. As citações são tiradas de artigos sobre exposições de arte de artistas importante, mais ou menos recentes, cujos estilos tardios foram matéria de debate e crítica (Picasso, por exemplo, com a série Mosqueteros).

É uma peça única, mas não uma pintura única. A ordem pode ser trocada a qualquer momento. “É uma pintura feita para olhar ou um texto com um significado importante? Nem uma coisa nem outra”, afirma Batarda.

 

 

RUI CALÇADA BASTOS. WALKING DISTANCE
Curadoria: João Pinharanda
9 NOV – 16 JAN

Vista da exposição. Créditos: Paulo Coelho, Fundação EDP

 

Olha-se para o trabalho de Rui Calçada Bastos e identificam-se temáticas recorrentes: um espírito de flaneur, as experiências em várias cidades, a passagem, a viagem, caminhada, o olhar para o real através da inconstância.

O título refere-se ao facto de as distâncias estarem hoje cada vez mais curtas. A peça inicial junta num mesmo mapa várias cidades que tiveram importância afectiva para o artista. Este não quer ser auto-biográfico, antes quer passar a ideia do encolher das cidades.

As fotografias, nomeadas a partir do sítio geográfico em que foram tiradas, denotam preocupações da pintura, como o enquadramento, a composição. “A viagem para mim é o trabalho”, afirma o artista, que colocou no centro da sala uma peça que remete para o seu regresso a Portugal, um carrinho de transporte com caixas empilhadas até ao tecto. “Há um lado de desequilíbrio entre o que fomos e quem voltamos”.

No fim do circuito da sala, encontramos a peça intitulada “O Mundo na Mão”, um livro encastrado na parede a que é impossível chegar em altura.

O vídeo “Spectateur Eternel” fecha a exposição e um círculo com a peça inicial.




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