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PUSSY RIOT TRANSFORMA PROTESTO NA BIENAL DE VENEZA EM VIDEOCLIPE2026-06-03O grupo Pussy Riot tomou conta da inauguração da 61ª Bienal de Veneza, no mês passado, entoando cânticos por detrás de balaclavas cor-de-rosa e lançando bombas de fumo multicoloridas em frente ao pavilhão russo, protestando contra o regresso do império pária à maior exposição de arte do mundo. Um aparelho de som tocou música punk durante parte da atuação — especificamente, "DISOBEY", o primeiro single do álbum de estreia das Pussy Riot, “CYKA” (que significa "bitch" em russo), lançado nas plataformas de streaming a 12 de junho. O videoclipe da música, com 90 segundos de duração, consiste em imagens da ação viral do grupo em Veneza. Quando a artista e ativista Nadya Tolokonnikova liderou a criação das Pussy Riot em 2011, o grupo funcionava como uma banda fictícia que fazia música para acompanhar os seus vistosos protestos, apresentando uma pequena canção chamada "Putin mijou-se" na Praça Vermelha de Moscovo em 2012, por exemplo, e cantando "Virgem Maria, expulsa Putin" na catedral ortodoxa mais antiga de Moscovo nesse mesmo ano. Este último continua a ser o ato mais infame do grupo até hoje. As Pussy Riot lançaram alguns EPs e mixtapes desde então — sendo o mais recente “MATRIARCHY NOW” (2022). No entanto, como é possível que nunca tenham lançado um álbum completo? Ora, acontece que esta é a segunda tentativa do grupo. “O nosso primeiro álbum, “KILL THE SEXIST” (2011–12), nunca foi terminado, porque algumas de nós, incluindo eu, foram parar à cadeia durante dois anos”, contou-me Tolokonnikova por mensagem de texto. Depois disso, o grupo perdeu o interesse. “Sempre fomos excluídas da indústria musical, uma vez que vínhamos do mundo das artes plásticas, um grupo de artistas performativos que iniciou uma banda punk de mentira”, observou Tolokonnikova. Ela quase lançou um álbum em 2016, “mas eu tinha muito medo de me tornar demasiado mainstream e desisti”. Tolokonnikova começou a trabalhar em “CYKA, um dia depois de ter concluído “Police State”, a sua performance de longa duração no Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles, no verão passado. “Sou viciada em trabalho e não sei descansar, por isso, assim que saí do MOCA, percebi que tinha saudades de produzir”, contou-me Tolokonnikova. Sempre foi um pouco insegura quanto ao seu talento musical. “O momento eureka para mim foi perceber que, se uma inteligência artificial consegue produzir uma música hoje em dia, eu também consigo”, disse ela. Competir com robôs fê-la perceber que as imperfeições podem ser vantagens. Depois de compor, produzir e gravar as suas músicas e vozes num pequeno estúdio caseiro junto ao quarto da filha, Tolokonnikova convidou o duo musical Gold Glove para a ajudar a finalizar as faixas. O resultado é deliciosamente frenético e sem rodeios. O “CYKA” harmoniza temas como a cultura dos medicamentos sujeitos a receita médica, a rebeldia e a esperança radical com o seu abrangente tratado sobre a violência patrocinada pelo Estado. Participações de estrelas como o rapper B Real, a banda de rock Avenged Sevenfold e a estrela de TikTok Salem Ilese. Assim como Vladimir Putin, cujas críticas às Pussy Riot são sampladas na faixa-título do álbum. Tolokonnikova desafiou ainda Putin para um combate durante o evento UFC Freedom 250, que terá lugar na Casa Branca este verão. Se ele perder, disse ela, a Rússia terá de deixar a Ucrânia. As Pussy Riot vão apresentar a sua nova música no dia 20 de junho num festival de música intimista organizado pelo Beyond the Streets, que contará com a arte de Tolokonnikova na sua edição parisiense. Outras datas serão anunciadas em breve. Fonte: ArtnetNews |














