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NOVA SÉRIE SOBRE FRIDA KAHLO E DIEGO RIVERA A CAMINHO DA NETFLIX

2026-03-16




Menos de seis meses depois de Frida Kahlo ter feito história como a artista feminina mais cara do mundo, a Netflix anunciou uma nova série que explora a história de Kahlo, especificamente através da perspetiva da sua relação com o muralista Diego Rivera.

A argumentista principal, María Renée Prudencio, está a adaptar o guião da biografia de Kahlo escrita pela autora francesa Claire Berest, “Rien n’est noir” (2019). “A série é a história de uma bomba envolta em seda”, disse a Netflix no seu anúncio, fazendo uma subtil referência ao líder surrealista André Breton, que classificou a obra de Kahlo como “uma fita à volta de uma bomba”. A notícia surge um ano depois de a Netflix ter prometido investir mil milhões de dólares em produções no México.

Este projeto não é a primeira vez que Hollywood se aventura no universo de Kahlo. Dramaturgos e documentaristas têm homenageado a artista repetidamente — nomeadamente em 2002, quando a atriz mexicano-americana Salma Hayek, pela sua interpretação de “Frida”, ganhou o Óscar de Melhor Atriz. A história da arte, porém, aprendeu muito sobre Kahlo desde então. Em 2004, os especialistas abriram finalmente uma casa de banho na Casa Azul, onde Kahlo passou a maior parte da sua vida, que continha centenas de documentos e obras de arte pertencentes ao casal, que ali os tinha guardado.

O projeto em desenvolvimento, que ainda não anunciou elenco nem data de estreia, beneficiará também de uma autêntica perspetiva mexicana, cortesia dos co-realizadores Patricia Riggen (conhecida pelo aclamado filme “Sob a Mesma Lua”, de 2007) e Gabriel Ripstein (realizador de “600 Milhas”, de 2015). A atriz e produtora mexicana Monica Lozano será a responsável pela realização do projeto. “Quero contar a história da relação dela com o Diego a partir de uma perspetiva feminina e mexicana, mas também com uma visão global, explorando o amor, os conflitos e a vida artística deles juntos de uma forma que pareça moderna, íntima e impactante para as novas gerações”, disse Riggen à Variety.

Ripstein também observou que espera transcender os clichés desta história de amor. “A série é uma narrativa desconstruída, irreverente e, por vezes, selvagem”, comentou. “Assenta em dois eixos fundamentais: a sua complexa relação amorosa e a vida artística partilhada.”

A visão dos realizadores destacará as complexas circunstâncias sociais e políticas que impulsionaram as obras singulares deixadas por este casal revolucionário, muitas vezes chamado “o elefante e a pomba” — uma expressão cunhada pela mãe de Kahlo ao expressar a sua desaprovação antes do primeiro casamento. E foi o marxismo que os manteve juntos durante um divórcio e uma série de casos extraconjugais, incluindo um encontro entre Rivera e a irmã mais nova de Kahlo, e outro alegadamente entre Kahlo e Leon Trotsky.

Entretanto, há muito de Kahlo por aí — uma nova exposição no Museu de Belas Artes de Houston explora a construção da sua lenda, e, ainda este mês, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque inaugurará uma grande exposição dedicada a Kahlo e Rivera, baseada numa produção da Metropolitan Opera que explora o romance entre os dois.


Fonte: Artnet News