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MÍTICO LIVRO DE ARTE POP DE ANDY WARHOL GANHA UMA SEGUNDA VIDA2026-10-06Sim, continha fotografias e textos, mas as suas páginas guardavam surpresas ainda mais insólitas. Havia elementos pop-up, autocolantes, abas sensíveis à humidade, um balão prateado e um acordeão de papel que emitia um som ao virar a página. Um disco flexível vinha preso a uma mola de arame, e a imagem de um nariz colorido podia ser desdobrada para uma "rinoplastia faça-você-mesmo". A obra era tão diferente de um livro que as editoras acrescentaram "(Livro)" ao título para evitar confusões. Décadas após a sua tiragem esgotada em 1967, “Index” ganha uma segunda vida. As editoras Phaidon e Melcher Media, em colaboração com a Andy Warhol Foundation, concretizaram o impossível, recriando o livro página a página, elemento interativo a elemento interativo. Com exceção de pequenas melhorias no papel, o novo “Andy Warhol's Index (Livro)” continua a ser exatamente o objeto de arte pop lúdico que Warhol idealizou. “O Index de Warhol é um momento de inspiração que tem uma relevância real para o público que está muito mais interessado nos media interativos e experimentais do que nos media passivos tradicionais”, disse-me Charles Melcher, fundador da Melcher Media. “Há várias formas diferentes pelas quais ele envolve intencionalmente não só todos os seus sentidos, mas também a sua criatividade.” Demorou mais de cinco anos a replicar a obra. Algumas cópias do “Index” original ainda circulam pelo mercado (disponíveis por algumas centenas de dólares), mas poucas têm todos os seus elementos intactos. A equipa de Melcher trabalhou com dois exemplares existentes, rasgando e digitalizando os livros para criar as reproduções a partir das páginas originais. Com a ajuda da fundação, procuraram também os direitos de utilização de imagens de fotógrafos como Billy Name, Stephen Shore e Nat Finkelstein. A tarefa mais desafiante foi reproduzir os muitos elementos táteis do livro. A equipa recriou os pop-ups com um papel mais resistente e localizou a única empresa nos EUA que ainda fabricava flexidiscos. O balão prateado, por sua vez, teve de ser reimaginado a partir de descrições escritas. “A química do balão acabou por impregnar as páginas, por isso essas duas páginas foram coladas”, disse Melcher. “Na verdade, nunca vimos um balão verdadeiro, porque nenhum deles existia realmente.” Para Melcher, cuja empresa se dedica a explorar experiências multissensoriais a partir da página impressa, este projeto era perfeito para ele. Vê “Index” na linhagem de objetos de arte como “Box in a Valise” (1935–41), de Marcel Duchamp, “numa tradição de narrativa experiencial”. Acha “hilariante” que o livro seja frequentemente incluído em listas de grandes livros de fotografia. “É quase como um anti-livro de fotografia”, disse, referindo como as fotografias de Name foram ampliadas e fotocopiadas sem ter em conta subtilezas como os trítonos e os quadritonos. “Os layouts eram intencionalmente caóticos. Ditavam o tom.” Este tom é específico do local e da época em que “Index” foi criado: a Factory em meados da década de 1960. Nessa altura, Warhol tinha jurado nunca mais pintar (a decisão não durou), optando por experimentar outras formas de expressão. Fez filmes, empresariou os Velvet Underground e alargou o seu grupo de artistas consagrados. O seu primeiro "livro" canalizou essa mesma energia e ambiente inquietos e frenéticos. As fotos captam figuras como Edie Sedgwick, John Cale e Susan Bottomly em plena performance; o disco flexível reproduz uma gravação do público dos Factory a conversar ao som de "I'm Waiting for the Man", dos Velvet Underground; e um disco de papel com mola está coberto de textos sobre o filme “Chelsea Girls”, de Warhol. O balão prateado espelha as paredes prateadas da Factory; o nariz no cartaz dobrável da rinoplastia caseira pertence a Bob Dylan, que fez uma audição no estúdio em 1965. "Estavam realmente a criar uma cápsula do tempo do que significava estar lá", disse Melcher. "Este é, em última análise, um portal para a Factory". Fonte: ArtnetNews |















