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ARUNDHATI ROY E WIM WENDERS ENFRENTAM-SE NA BERLINALE 20262026-02-18As declarações feitas pelos membros do júri da Berlinale 2026 na conferência de imprensa de abertura do evento, na semana passada, geraram controvérsia. Depois de questionado sobre o papel do cinema no atual clima polÃtico, o presidente do júri, Wim Wenders, afirmou que os cineastas “devem manter-se afastados da polÃtica, porque se fizermos filmes explicitamente polÃticos, entraremos no campo da polÃtica. Mas nós somos o contrapeso da polÃtica, somos o oposto da polÃtica. Temos de fazer o trabalho do povo, não o trabalho dos polÃticosâ€. Ewa Puszczynska, também membro do júri e produtora de filmes como “Zona de Interesseâ€, de Jonathan Glazer (2023), foi questionada sobre o apoio do governo alemão a Israel. Puszczynska considerou a questão “complicada†e “injustaâ€. “É claro que estamos a tentar falar com as pessoas – com cada espectador – para as fazer refletir, mas não podemos ser responsabilizados pela sua decisão de apoiar Israel ou a Palestinaâ€, disse ela na conferência de imprensa da Berlinale. Em resposta, a argumentista Arundhati Roy, que iria apresentar uma versão restaurada do filme "In Which Annie Gives It Those Ones", de 1989, do qual é co-protagonista, cancelou a sua participação. Num comunicado divulgado pelo The Guardian, Roy classificou os comentários como “estarrecedoresâ€. “É uma forma de silenciar uma conversa sobre um crime contra a humanidade enquanto ele acontece diante dos nossos olhosâ€, escreveu. No sábado, a Berlinale divulgou um comunicado da sua diretora, Tricia Tuttle. “Cada vez mais, espera-se que os cineastas respondam a qualquer pergunta que lhes seja feitaâ€, escreveu ela. “São criticados se não conseguem condensar pensamentos complexos numa breve frase de efeito quando um microfone é colocado à sua frente, quando pensavam estar a falar de outra coisa.†“Não acreditamos que haja um único cineasta a exibir neste festival que seja indiferente ao que está a acontecer no mundoâ€, acrescentou ela. “Os artistas são livres de exercer o seu direito à liberdade de expressão da forma que escolherem. Não se deve esperar que os artistas comentem todos os debates mais amplos relativos à s práticas passadas ou presentes de um festival, sobre as quais não têm qualquer controlo. Nem se deve esperar que se manifestem sobre todas as questões polÃticas que lhes são apresentadas, a menos que o queiram.†Fonte: ArtReview |













