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MUSEUS DO REINO UNIDO ENFRENTAM CRÍTICAS POR COLEÇÕES DE RESTOS MORTAIS HUMANOS

2026-03-20




Os museus no Reino Unido estão a ser forçados a confrontar-se com o passado colonial do país mais uma vez, depois de uma investigação publicada pelo The Guardian a 7 de Março ter revelado que estas instituições, colectivamente, detêm mais de 263 mil itens com restos mortais humanos provenientes de todo o mundo. Através de pedidos de acesso à informação, o The Guardian apurou que cerca de 37.000 itens com restos mortais humanos foram parar ao Reino Unido vindos do estrangeiro, incluindo de antigas colónias britânicas, enquanto a origem de 16.000 itens semelhantes não foi confirmada.

De acordo com o relatório, 241 museus, universidades e câmaras municipais do Reino Unido continuam a possuir restos mortais humanos, dos quais apenas 100 divulgaram o número exato de indivíduos representados nas suas coleções, totalizando cerca de 79.000. As restantes instituições não conseguiram fornecer um número preciso devido à falta de informação nos seus registos, itens não documentados ou casos em que os restos mortais de várias pessoas foram misturados.

Dan Hicks, professor de arqueologia contemporânea na Universidade de Oxford, que estudou as respostas aos pedidos de acesso à informação, disse ao The Guardian que estas coleções incluíam artigos saqueados por funcionários e soldados coloniais britânicos. Referiu que a falha na compilação e construção de inventários de acesso público de coleções de restos mortais humanos era uma extensão da “violência colonial envolvida na recolha e armazenamento de restos mortais em museus, no tratamento dos seres humanos como objetos, no desrespeito pela identidade e pelo tratamento adequado dos mortos”.

A maior parte dos 28.914 itens de restos mortais humanos provenientes de fora da Europa vieram de África (11.856), seguida pela Ásia (9.550), Oceânia (3.252), América do Norte (2.276) e América do Sul (1.980). O Museu de História Natural de Londres alberga a maior coleção de restos humanos de origem não europeia (11.785), bem como o maior número de restos mortais humanos da Ásia, América do Norte e América do Sul. A Universidade de Cambridge possui a segunda maior coleção e o maior número de restos mortais originários de África. O Museu Britânico também possui atualmente 2.269 itens de restos humanos.

A deputada trabalhista Bell Ribeiro-Addy, que preside ao grupo parlamentar multipartidário para as reparações africanas, disse ao jornal The Guardian que o armazenamento de restos humanos em caixas “demonstra uma completa falta de respeito. Negam-lhes a dignidade, mesmo na morte. Isto é uma grande vergonha para a nossa nação”.


Fonte: Artforum