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EXPOSIÇÕES ATUAIS


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ARQUIVO:


COLECTIVA

Los Angeles 1955 – 1985. Naissance d´une capital artistique




CENTRE POMPIDOU
Place Georges Pompidou
75191 Paris

08 MAR - 17 JUL 2006

Experimentar a cidade. Los Angeles, a arte e os artistas

A exposição “Los Angeles 1955-1985. Nascimento de uma capital artística”, que agora se apresenta em Paris no Centro Pompidou, tem como objectivo mostrar a versatilidade e pluralidade da produção artística realizada nessa cidade. São cerca de 350 obras (esculturas, instalações, pinturas, vídeos, filmes e fotografias) de 85 artistas participantes, que estão patentes ao público. Os marcos temporais que a exposição abarca assinalam a passagem de uma cena artística inexistente ou ainda por descobrir, e a afirmação de um conjunto significativo e dinâmico de artistas com diferentes expressões artísticas que passou a constituir uma verdadeira alternativa e complementaridade ao modelo nova iorquino.

A organização cronológica do discurso expositivo articula-se através da afirmação dos momentos mais significativos, porque mais expressivos, a cujo nascimento a cidade californiana assistiu. Os eixos da exposição são os trabalhos dos próprios artistas que posteriormente se revelaram como momentos inaugurais de determinados modos de fazer e perceber as obras de arte. Assim, assemblage (com Kienholz, Berman, Hammons), pop-art (com Ruscha, Celmins, Foulkes), minimalismo (com Bell, Kauffman, McCracken), movimento e luz (com Turrell, Irwin, Wheeler), arte conceptual (com Baldessari, Huebler, Antin), performance (com Kaprow, Burden, MacCarthy), etc., sublinham o carácter explosivo da arte que durante esses anos era produzida naquela cidade. Mas esta viagem através dos diferentes movimentos ou tendências não tem um objectivo meramente histórico, pretende antes desenhar um paralelismo entre as diferentes ‘qualidades’ da cidade e o modo como essas mesmas características se reflectem nas obras dos artistas que aí habitam e que as assumem como ponto de partida ou, pelo menos, como motes sobre os quais se desenvolvem os seus trabalhos. O denominador comum encontrado entre todos estes artistas é uma certa experimentação insaciável, a qual tem origem no próprio carácter da cidade: excessiva, monstruosa e detentora de uma extrema diversidade visível na cultura popular, na comida, na televisão, com as suas incontáveis séries filmadas em Los Angeles, nos objectos de todos os dias e, claro, em Hollywood e na Disneyland.

Sobretudo, o que está em causa nesta exposição é a afirmação de um conjunto de novos artistas e o modo como conseguiram inscrever Los Angeles no mapa mundial da arte contemporânea. E o percurso que propõe ao visitante é aquele que leva Los Angeles da sua insignificância artística do início dos anos cinquenta até à sua grande afirmação nos anos oitenta, momento em que aí proliferam as galerias de arte, os museus, as colecções e os coleccionadores, as escolas e as feiras de arte. E não reflecte unicamente a afirmação de uma cena artística, pretende dar a ver o seu nascimento, caracterizando o seu contexto e uma determinada vivência e experiência de urbanidade que é específica de Los Angeles.


Nuno Crespo