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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Pedro Diniz Reis, “Alphabet (Portuguese)â€, 2005-2005. Vídeo PAL, P&B, Som, 9'55.


Pedro Diniz Reis, “Waveform Drawings #0288â€, 2008. Impressão de pigmento Pezograph sobre papel Hahnemühle


Pedro Diniz Reis, “Waveform Drawingsâ€. Vista geral da exposição


Pedro Diniz Reis, “TeraCityâ€, 2008. Instalação. 10 discos rígidos USB LaCie (design by Neil Poulton).


Pedro Diniz Reis, “GR 352-2â€, 2007. Vídeo PAL, 16:9; cor, som estéreo


Appleton Square


Marz

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ARQUIVO:


PEDRO DINIZ REIS

Grids




APPLETON SQUARE
Rua Acácio Paiva, 27
1700-004 Lisboa

26 DEZ - 03 JAN 2009


Appleton Square – R. Acácio Paiva, Lisboa
25 NOV – 20 DEZ 2008-11-30

Marz Galeria – R. Reinaldo Ferreira, Lisboa
25 NOV – 03 JAN 2009


Não é frequente encontrarmos um mesmo projecto, de um único artista, instalado simultaneamente em duas galerias distintas e, neste caso concreto, vizinhas de bairro. “Grids†é a proposta de Pedro Diniz Reis para fecho do ano artístico nos dois espaços de Alvalade. Para além dos dois núcleos expositivos, “Grids†comporta ainda a realização (na galeria Marz) de uma performance musical de Sérgio Nascimento (“Uma história contada por um bateristaâ€), cuja actuação desenvolverá uma relação interactiva entre uma bateria dotada de um sistema trigger (sensor de disparo) e uma projecção vídeo.

Para a sala principal da Appleton Square, o artista apresenta “Alphabet (Portuguese)â€, um dos doze vídeos resultantes de uma prolongada pesquisa sobre a linguagem e, concretamente, sobre alfabetos (doze), da qual a primeira apresentação (a versão inglesa) data de 2005, havendo ainda versões específicas para outros tantos alfabetos, desde o grego ao japonês (katakana), passando ainda pelo sérvio ou pelo hebreu. O vídeo apresenta-se como um processo de desconstrução do valor intrínseco do significado de cada letra (para um sistema que sabemos antecipadamente de 26 letras), accionando-se todo o desenvolvimento de um programa que visa a abstracção (privação do significado primordial do que se pré-concebe ser uma correspondência entre signo/ letra e função) e saturação das possibilidades combinatórias (visuais e fonéticas) que lhe conferem um enquadramento (melódico, gráfico e rítmico) completamente desajustado dos códigos de entendimento que, instintiva mas infrutiferamente, tentamos aplicar.

No piso inferior, um conjunto de oito desenhos (“Waveform Drawingsâ€) documenta um processo de intervenção sobre um filme, a partir da modulação digital em vector scope. O que vemos reproduz graficamente a capacidade de manipulação exacta da luminância e crominância de cada um dos frames seleccionados, revelando a objectivação tecnológica, de causa e efeito, operada efectivamente sobre imagens, agora já desprovidas da possibilidade do acidente, do casual ou do factor de indecisão humana.

Na galeria Marz, “GR 352-2†materializa, à semelhança de “Alphabetâ€, outro dos projectos continuados de Pedro Diniz Reis; neste caso, o laborioso trabalho do artista consiste numa engenhosa conversão de “256 Colours†de Gerard Richter em sinais sonoros, correspondendo cada cor inicial (256) a um acorde distinto, formado por três notas de piano. O que se apresenta (versão 2 de 4, tantas quantas as pinturas que Richter executou) resulta num hipotético (mas executável) concerto para dezasseis pianos de nove oitavas, cujo correspondente programa informático, quando accionado, se desenvolve, sonora e visualmente, perante a grelha mote de Richter.

Finalmente, “TeraCityâ€, uma instalação de 10 discos rígidos (da marca Tera - jogando com a escala planetária do modelo) com um volume total de 10 000 Gb. Este trabalho encerra, ou melhor, “abre†uma alegoria, ponto de partida e passagem para muito do caminho percorrido por Pedro Diniz Reis. A torre e o respectivo programa informático concebido pelo artista representam um sistema em interacção sobre si próprio. O visitante apenas acede a dois pequenos indícios da alucinante actividade auto-gerada pelo sistema: Visualmente, pela detecção do azul electrizante dos leds sinalizadores de funcionamento e, acusticamente, pela percepção amplificada do ruído insectívoro, gerado pelo próprio funcionamento de todo o dispositivo. A autonomia da torre (cuja produção de informação permite atingir os 240 Gb para um período de 8 horas) acentua a inutilidade da mesma, mas permite reflectir uma macro visão das estruturas urbanas em exponencial e imparável propagação. De que se ocupará uma cidade com milhões de habitantes (fazendo corresponder cada um a um byte de informação)? Qual o sentido de tão frenética, mas estanque, actividade produtiva? E que esperar da plena implantação do conceito das cidades biónicas? Desenvolvimento auto-sustentado ou incapacidade de acompanhar e controlar o desequilíbrio entre evolução demográfica e escassez de recursos?

“Grids†constitui, sem dúvida, uma grelha de articulação e exploração para conceitos que, no limite, investem num processo de simplificação sistémica, também linguística, provenientes, entre outros, de modelos como o abstraccionismo diagramático, de Benjamin Buchloh. Parecemos dirigirmo-nos, de facto, para um patamar onde as possibilidades de acção humana estão seriamente comprometidas. Os dispositivos comportam já as variantes matematicamente possíveis e pré-combinadas. O distanciamento que não conseguimos, ou não sabemos já conservar, entrou, também ele, numa espiral de concentração autonómica em crescente velocidade. A reprodução do sistema, em modelos que o saturem e o esgotem, por recurso à serialização e manipulação rítmica ou tecnológica, ou à sua extrapolação sígnica, funciona como estratégia de experimentação e desocultação, desocultação essa que passa pela apropriação artística dos próprios dispositivos de processamento. Estes, como que em rédea solta, mas em total previsibilidade de acção, devolvem-nos a possibilidade de experimentação estética e, afinal, a reposição do lugar que não deveríamos jamais ter abandonado.



Miguel Caissotti