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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Michael Rakowitz, “Boy Rocket Scientist”, 2009. Cortesia do artista e Lombard-Freid Projects


Michael Rakowitz, “Sgt. Slaughter”, 2009. Cortesia do artista e Lombard-Freid Projects


Michael Rakowitz, “Coming Soon - The Moon, The Stars and The Sun”, 2009. Cortesia do artista e Lombard-Freid Projects

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ARQUIVO:


MICHAEL RAKOWITZ

The worst condition is to pass under a sword which is not one’s own




TATE MODERN
Bankside
London SE1 9TG

22 JAN - 12 MAI 2010


Michael Rakowitz nasceu em 1973, em Great Neck Nova Iorque, mas conta já com inúmeras exposições, prémios e livros publicados. É um artista que demonstra sempre nos seus trabalhos um grande engagement político e social e as obras expostas na Level 2 Gallery da Tate Modern em Londres confirmam-no mais uma vez.

A Level 2 Gallery, é uma galeria mais pequena, situada no exterior norte do edifício da Tate Modern que é comissariada pelos assistentes do comissário do museu e alberga normalmente exposições de jovens artistas internacionais menos conhecidos e mais experimentais ou ousados.

O projecto que Rakowitz apresenta nesta galeria cumpre estas premissas. Centra-se no monumento Swords of Qādisiyyah em Bagdad, um arco triunfal construído em 1989 e também conhecido como Hands of Victory. Este monumento consiste em duas mãos, uma de cada lado de uma estrada, que seguram espadas que se cruzam em cima, formando um arco triunfal. Na inauguração, o convite continha a frase de onde Rakowitz tirou o título para a exposição: “The worst condition is for a person to pass under a sword that is not his own or to be forced down a road that is not willed by him.” Nos trabalhos expostos, o artista faz a ligação entre as actividades militares iraquianas durante e após o regime de Sadam Hussein e o fascínio dos seus líderes pela iconografia de Júlio Verne e da trilogia de Star Wars, passando pelo wrestling americano.

Para Rakowitz o Iraque não é um país de que se ouve falar nas notícias ou sequer um país odiado como para a maior parte dos americanos. É o país de onde, em 1946, os seus avós judeus tiveram que fugir, deixando para trás todo um império construído pela família ao longo dos séculos. O seu avô chegou a Long Island e aí criou uma nova empresa de importações e exportações que fechou em 1960. Em 2004, Rakowitz reabre esta empresa e com ela tenta importar produtos que, devido ao embargo imposto pelos Estados Unidos, são impossíveis de encontrar. Abriu também um restaurante, com a ajuda da mãe, recuperando receitas típicas iraquianas. Por tudo isto, “The worst condition is to pass under a sword which is not one’s own”, é um trabalho pessoal e intímo, embora não se sinta nele grande ressentimento ou mágoa, mas sim uma salutar ironia.

Logo quando se entra na galeria, Victory Arch Wallpaper mostra-nos uma parede forrada com fotografias de turistas de forma a parecer que seguram as espadas de Hands of Victory. É curioso ver que a maior parte destas fotos são de soldados americanos. Ou seja, os soldados que supostamente libertaram o Iraque do jugo dos seus ditadores, são também aqueles que usufruem e se divertem com os seus símbolos de poder.

A maior parte da exposição, consiste num registo em banda desenhada que cruza histórias verdadeiras da guerra do Iraque com narrativas e personagens do Star Wars ou de wrestling. Logo no início, como forma de ilustrar este paralelismo entre o real e a ficção e os seus respectivos heróis e vilões, duas revistas Time mostram, de um lado, o título de capa de 1983, “Defending Defense”, com uma fotografia de Ronald Reagan e do outro, uma capa do mesmo ano, “Star Wars III”, mostra George Lucas ou seja, o herói de um mundo ficcionado em que sabemos exactamente quem são os bons e quem são os maus.

Michael Rakowitz trabalha habitualmente sobre a cidade, criando instalações que interagem com a malha urbanística, mas sempre com forte carácter de crítica política e social ao poder instaurado e à sociedade de consumo. Em “The worst condition is to pass under a sword which is not one’s own” pretende mostrar-nos, usando alguma ironia e muito humor, que as histórias de ficção de heróis e vilões dos nossos tempos se transformaram em mitologias que moldam e condicionam os heróis e vilões reais do nosso mundo. Não será talvez o seu trabalho mais interessante ou talvez Michael Rakowitz simplesmente não seja um artista de galerias, mas é inegável a importância e actualidade do seu conteúdo. Joseph Beuys disse sobre a política “No futuro não pode ficar nenhuma área da vida, livre desse conceito”. Michael Rakowitz aplica-o.


Bárbara Valentina