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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Museo de Arte Contemporáneo, Santiago do Chile


Catalina Donoso


Sebastían Leyton


Claudia Aravena

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AYŞENUR TANRIVERDI

ARQUIVO:


COLECTIVA

Arte Contemporáneo Chileno: Desde el Otro Sitio/Lugar




MUSEO DE ARTE CONTEMPORÁNEO - FACULTAD DE ARTES DA UNIVERSIDAD DE CHILE
Parque Forestal s/n


11 MAI - 20 AGO 2006


Encerrado durante cerca de um ano para obras de remodelação, o MAC de Santiago do Chile reabriu com “Arte Contemporâneo Chileno: Desde El Otro Stio/Lugar”, a primeira exposição do projecto “Travesías/Crossings: Chile - Ásia Pacífico”. Co-produzida com o National Museum of Contemporary Art (Coreia) em 2005, a exposição regressa assim ao Chile, após uma primeira apresentação em Seul. O objectivo da experiência de co-produção e itinerância agora iniciada é a circulação e a aproximação cultural (e também económica) daqueles eixos culturais periféricos, durante um período de cinco anos. O financiamento empresarial que ambos os países conseguiram para o projecto permite compreender melhor a dimensão da exposição, que reúne mais de cinquenta artistas chilenos, divididos entre um grande núcleo de 35 artistas da colecção do MAC (representativas da arte chilena produzida entre 1950 e 2005), um segundo núcleo de cinco artistas, associado ao período de repressão ditatorial de Pinochet (1973-1990) e um último grupo de artistas emergentes dos anos 90, cuja produção reflecte o actual contexto de consolidação democrática do Chile.

Naturalmente que tão apertados pressupostos se repercutem numa selecção de artistas e trabalhos de fortes implicações críticas à realidade social e política chilena, mas esse terá sido um dos riscos assumidos desde início pelos curators do projecto (Francisco Brugnoli e Beatriz Bustos). A distância que separa Chile (e Coreia) dos grandes eixos de influência ocidental está na origem de uma exposição que ordena distintos momentos cronológicos nacionais, vedada que está a possibilidade de, salvo raras excepções, fazerem parte da história mundial e, neste caso específico, da história da arte mundial. Mesmo, sendo essa referência inspiradora (Europa e EUA) particularmente visível para o núcleo dos anos 60, como Roberto Matta, Rodolfo Opazo, Carlos Ortúzar ou Matilde Pérez. O núcleo mais recente de artistas expressa maior inconformismo e uma mais generalizada subversão de meios e discursos. A arte contemporânea que se produz actualmente no Chile atravessa um período de expansão e catarse discursiva. Catalina Doloso, Pablo Langlois, Sebastían Leyton ou Pablo Rivera (artistas que atravessaram o autoritarismo de Pinochet) apresentam interessantes dispositivos de instalação que clarificam pontos de referência e de manifesto, sejam reflexão crítica sobre a natureza da produção artística, sejam referência para denúncias de ordem social, a partir de uma reapropriação de elementos do quotidiano. Quanto à chamada geração de 90 (Máximo Corvalán, Alexis Carreño, Patrick Hamilton ou Marcela Moraga entre outros), cuja selecção de obras privilegiou a inclusão de instalações especialmente perturbantes para a realidade chilena, expressa ainda uma euforia libertadora pós-Pinochet, evidenciando uma forte tendência sociológica de pressão e actualização das principais fontes de instabilidade social chilena, donde as questões de identidade e territorialidade (e sua perda) assumem proporções inquietantes e paradoxais, dada a difusão internacional de notícias sobre a recuperação económica, a par de uma crescente contestação dos inúmeros grupos minoritários e desfavorecidos.


Miguel Caissotti