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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Allan Sekula e Noël Burch, The Forgotten Space. Super 16 e Vídeo HD, 112 min, 2010.


Allan Sekula e Noël Burch, The Forgotten Space. Super 16 e Vídeo HD, 112 min, 2010.


Allan Sekula e Noël Burch, The Forgotten Space. Super 16 e Vídeo HD, 112 min, 2010.


Allan Sekula, Working (Santos), da série Ship of Fools (1999-2010). C-Print, 2010.


Allan Sekula, Chum, da série Ship of Fools (1999-2010). C-Print, 2009/2010.

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ARQUIVO:


ALLAN SEKULA

The Dockers’ Museum




LUMIAR CITÉ - MAUMAUS
Rua Tomás del Negro, 8A
1750-105 Lisboa

08 FEV - 31 MAR 2013


Mais do que uma mostra, a exposição patente na Lumiar Cité até ao dia 31 de março é o sumário de um projeto artístico eminentemente centrado nas consequências da economia globalizada. Sekula apresenta como peça nuclear o filme The Forgotten Space (co-realizado pelo veterano do cinema documental Noël Burch), onde questiona o impacto do sistema neoliberal, como hoje o conhecemos, no contexto particular da vida portuária.

De acordo com o fotógrafo, ativista, historiador e professor na CalArts (Califórnia), o mar tornou-se um elemento esquecido na nossa memória simbólica, recordado apenas quando os media noticiam as catástrofes ecológicas ou os cataclismos naturais impelidos pela sua força. Mas, nesta era de crise generalizada e de submissão a uma lógica regida pelo capitalismo, Sekula procura registar as dinâmicas sociais, financeiras e políticas do espaço marítimo, ao ressalvar que ainda é pelas águas que se opera a maior parte das transações de mercadorias.

A grande revolução firmou-se na década de 70, diz Allan Sekula, quando os contentores, “caixas de aço”, blocos geométricos, anónimos, de transporte de bens, começaram a encher os navios, tornando-os armazéns móveis. É a partir desta tese – a de que o sistema de racionalização do transporte de mercadorias introduziu um desequilíbrio de forças – que o “ensaio fílmico” de The Forgotten Space se ergue. Sekula e Burch filmam as comunidades portuárias, entrevistam estivadores, marinheiros, engenheiros, camionistas, agricultores, operários fabris, à medida que nos levam a bordo de um navio e da sua enigmática carga encaixotada. Atracamos em alguns dos maiores portos do mundo – Los Angeles, Roterdão, Bilbau, Hong Kong, Antuérpia – e Sekula confronta-nos com o isolamento a que os trabalhadores são expostos, as falácias das decisões políticas, os maus investimentos públicos, o descontentamento social e a exploração laboral, com um especial destaque para a China contemporânea.

Entre o documentário, a crónica visual e o ensaio, Sekula e Burch entrelaçam a narração, a entrevista e o footage, com alguns interlúdios de filmes de Hollywood. Apesar de ser clara a proximidade à crítica marxista (ora não fosse Sekula discípulo de Marcuse), elencam-se aqui pertinentes e fundadas questões: Que futuro podemos esperar no quadro de uma economia cada vez mais globalizada? Que será da China/economia global quando os mais de 100 milhões de jovens hoje a ser escravizados nas fábricas se negarem às condições de trabalho a que estão sujeitos?

Na Lumiar Cité, The Forgotten Space, que se baseia no material teórico e imagético recolhido na coletânea Fish Story (1995), partilha o espaço com duas fotografias acompanhadas de texto da série Ship of Fools e outras cinco peças escolhidas especificamente para Lisboa. Segundo o curador da exposição e diretor da Maumaus, Jürgen Bock, são “caricaturas e objetos relacionados com o mundo dos trabalhadores portuários e marítimos”. Menciona ainda que são objetos de coleção, com uma finalidade dialética: contextualizam a fotografia e o filme de Sekula, ao mesmo tempo que, por sua vez, as fotografias e o filme “contextualizam a atividade do artista na coleta desses itens”. Uma caneca com o busto de um marinheiro, entre sacos de serapilheira, coexiste com uma fileira de bacalhaus que perfuma o espaço com um odor a maresia. Se tudo isto, verdadeiramente, evoca o romantismo dos portos e das docas, bem relembra Allan Sekula que “the more regularized, literally containerized, the movement of goods in harbors, that is, rationalized and automated, the more the harbor comes to resemble the stock market.” [1]


Nota:
[1]
Allan Sekula, Fish Story. Düsseldorf: Richter Verlag, 1995, p. 12.


Maria João Guerreiro