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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição "Collienar Breath" Diogo Pimentão, Galeria Múrias Centeno. Cortesia: Múrias Centeno. Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição


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DIOGO PIMENTÃO

Collinear Breath




GALERIA MÚRIAS CENTENO (LISBOA)
Rua Capitão Leitão 14/16
1950-051 Lisboa - Portugal

04 JUN - 26 JUL 2014


Tal como em exposições anteriores, as obras expostas em Collinear Breath revelam uma inquietação permanente em relação à prática do desenho, extrapolando os seus limites e convenções a outras dimensões e processos. Ainda que papel e grafite continuem os materiais por excelência, omnipresentes na prática de Diogo Pimentão, esta supera a simples prática do desenho, num exercício ambíguo e artificioso, que oblitera qualquer fronteira entre desenho, escultura e performance.

A entrada no lugar de exposição e primeiro confronto com as obras provoca um momento de tensão e dúvida (acerca do material, acerca do peso, da categorização…), ansiedade apenas resolvida com a observação muito próxima de cada uma das obras. É esta relação de proximidade, intrínseca ao desenho (na sua feitura e na sua leitura), que nos recoloca em posição familiar e nos permite recuperar o fôlego.

Agora, a curta distância, são visíveis todas as marcas, traços, sulcos e incisões, resultado do compromisso e esforço físico do artista, da repetição dos gestos e de um profundo e experimental entendimento do material utilizado.

Cada inscrição sobre a superfície monocromática do papel reflecte uma determinada acção e um gesto determinado. Todos estes gestos somados compõem a invisível e imaginada performance que conferiu peso e forma a cada uma destas obras. É este processo de realização, o fazer, o elemento fundamental da sua abordagem, demonstrando interesse maior na forma de representação que na coisa representada.

À condição ou dimensão minimal dos seus monocromos de grafite, produto também do rigor e imaginário conceptuais de Diogo Pimentão, acresce uma dimensão corporal e de contacto que dotam os seus trabalhos da capacidade extraordinária de aliar uma imediata experiência sensorial (visual e plástica) a uma exigente experiência estética e intelectual.

Collinear Breath apresenta dois núcleos distintos de obras. Da série Documented expõem-se quatro peças de parede (grafite e papel) que, num ilusório jogo entre matéria e maleabilidade, contrabalançam peso, fisicalidade e espaço. O segundo grupo de obras, um políptico constituído por papéis engradados como telas (Fascia), encostados à parede num mosaico de frágil equilíbrio, e por um desenho feito directamente na superfície da parede (Between (cognate#1)), evoca diversas referências da história e teoria da arte de forma tão aberta como delicadamente subjectiva.

A escolha deste adjectivo - colinear - para o título da exposição reitera a ideia de percurso consciente e determinado na obra de Diogo Pimentão, onde se reconhece essa linha recta comum, intersectando a cada instante os planos do desenho, da escultura e da performance.



Andreia Poças


[A autora escreve de acordo com a antiga ortografia]


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Diogo Pimentão (Lisboa, 1973) vive e trabalha em Londres.


Andreia Poças