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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Nuno Ribeiro, "Fidel", 2006


Nuno Ribeiro, "Fidel", 2006


Nuno Ribeiro, "Fidel", 2006


Nuno Ribeiro, "Fidel", 2006


Nuno Ribeiro, "Fidel", 2006

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ARQUIVO:


NUNO RIBEIRO

Fidel




FIDELIDADE ARTE
Largo do Chiado, 8
1249-125 Lisboa

23 JUN - 31 AGO 2006


“Fidel†é a intervenção de Nuno Ribeiro, patente no Espaço Chiado 8 – Arte Contemporânea até final de Agosto. Comissariada por Ricardo Nicolau, a convite de Miguel Wandschneider (responsável pelo projecto expositivo daquele espaço), “Fidel†desenvolve-se, fisicamente, de forma distinta de todas as propostas que anteriormente ali se apresentaram.

Contrariando o impulso natural para projectar uma ocupação artística no interior da galeria, o artista concebeu um dispositivo de percepção que assenta precisamente na rejeição do acontecimento formal e regulamentado que é a ocorrência de uma exposição de arte.

Assim, a galeria de exposições do edifício permanece vazia e fechada ao público durante, justamente, todo o período da exposição, sendo no exterior desta que se produz uma possível forma de experiência. A inexistência de um telão ou outra forma de identificação institucional do projecto em curso é propositada e a instalação de um ecrã vídeo LED (vulgarmente associado a divulgação publicitária) na fachada frontal do edifício da Fidelidade passaria despercebida, não fosse o total anonimato da estrutura e a transmissão de imagens não contextualizáveis num suporte usado privilegiadamente para difusão de mensagens mediáticas, fragmentadas, objectivas e agressivas.

A ingerência de “Fidel†numa parcela tão nobre e disputada de um espaço público de Lisboa opera-se a vários níveis. A localização do ecrã irrompe por um dos mais concorridos largos da Baixa/ Chiado, mostrando imagens captadas por uma câmara de videovigilância do próprio edifício, junto a um portão lateral que, habitualmente fechado, permite agora aceder a um jardim privado. A forma como cumprimos condicionadamente um conjunto de regras de comportamento social constituirá o eventual catalizador de uma situação de experiência que, existindo e sendo disponibilizada em potência, a todos, numa mesma medida de oportunidade, não é por todos reclamada com a mesma liberdade de fruição.

Identificar as imagens transmitidas pelo ecrã em tempo real, descobrir e aceder ao magnífico e invejável jardim (acto que nos impele a questionar o porquê de ser este um momento que interiorizamos como uma temporária e excepcional permissão “videovigiadaâ€, pelo seu “benemérito†proprietário), constituirão actos de um agir onde se jogam as fronteiras do que é público e privado, e onde se esvanecem ou ultrapassam os limites do que é o pressuposto cumprimento dos papéis sociais.

A estranheza da experiência proporcionada por Nuno Ribeiro constrói-se rigorosamente a partir de uma possibilidade de agir para além do que sabemos ser permitido. Nada em “Fidel†é pré-determinado (não há qualquer convite ou indicação para “ir a†ou “entrar emâ€), residindo na livre vontade individual a possibilidade de inscrever uma variação, mínima mas positiva, na apropriação e vivência daquela parcela de espaço público. Entrar num espaço videovigiado é um acto simples mas heróico porque, sendo pessoal a decisão de o fazer, também o é a capacidade de nos surpreendermos em gestos reminiscentes de uma afirmação de um Eu que, apesar de quotidianamente adormecido, está ainda, política e eticamente, lúcido e interventivo.

“Fidel†(título intencional para um projecto de mediação entre a possibilidade física de uma experiência e a precariedade da vontade de um agir livre) constitui, pela sua natureza não convencional, um interessante dispositivo de experiência in actu, sobre o exercício livre da vontade.



Miguel Caissotti