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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Fig 1. Vista da Exposição, 2015, Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.


Fig 2. Vista da Exposição, 2015, Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.


Fig 3. Vista da Exposição, 2015, Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.


Fig 4. Vista da Exposição, 2015, Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.


Fig 5. Vista da Exposição, 2015, Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.


Fig 6. Vista da Exposição, 2015, Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.


Fig 7. Untitled 1 (Panorama), 2015. projeção vídeo. 740 cm x 540 cm. Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.


Fig 8. Untitled 11 (Panorama), 2015. Ecrã LCD e vídeo. 108 cm x 190 cm x 13.6 cm. Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.


Fig 9. Untitled 11 (Panorama), 2015. Ecrã LCD e vídeo. 108 cm x 190 cm x 13.6 cm. Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.


Fig 10. Untitled 1 (Cypress), 2015. 8 ecrãs LCD, papel e vídeo. 207.4 cm x 237 cm x 9.2 cm. Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.


Fig 11. Untitled 1 (Cypress), 2015. 8 ecrãs LCD, papel e vídeo. 207.4 cm x 237 cm x 9.2 cm. Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.


Fig 12. Untitled 4 (Panorama), 2015. 8 ecrãs LCD, papel e vídeo. 207.5 cm x 236.5 cm x 9.5 cm. Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.


Fig.13. Untitled 4 (Panorama), 2015. 8 ecrãs LCD, papel e vídeo. 207.5 cm x 236.5 cm x 9.5 cm. Michal Rovner. Artists Rights Society (ARS), New York.

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ARQUIVO:


MICHAL ROVNER

PANORAMA




PACE GALLERY
6 Burlington Gardens
Londres, W1S 3ET

29 ABR - 15 JUN 2015


 

Uma das discussões mais intensas e frutuosas em torno das práticas artísticas contemporâneas, é aquela que coloca a disciplina da pintura em diálogo com o paradigma digital. Num momento em que a noção de imaterialidade digital começa a ser encarada com alguma suspeita, o campo da arte contemporânea torna-se num centro privilegiado para a reflexão e contemplação destas questões. É também à luz destes desenvolvimentos que as práticas artísticas que abordam as possibilidades expressivas da imagem em movimento se manifestam com particular urgência, nomeadamente quando articuladas a partir de modelos e tradições que não as do cinema.

 

Em entrevista à Arte Capital, a académica Giuliana Bruno afirmava que: “Os media estão hoje misturados, a tensão superficial nos museus significa que as telas são como paredes que são como ecrãs.” Para a autora de Surface: Matters of Aesthetics, Materiality and Media, “tudo em certo sentido está a tornar-se semelhante ao ecrã, as paredes arquitectónicas estão a tornar-se em superfícies de projecção, as telas transformam-se em caixas de luz, e isso está a fazer os artistas pensarem na materialidade dos media.” [1] Perante o domínio do ecrã na nossa paisagem visual, quais as potencialidades expressivas da imagem em movimento quando esta abandona a fidelidade ao real da representação fotográfica, e é confrontada com a plasticidade da pintura?

 

Algumas destas tensões estão presentes de forma particularmente intensa em “Panorama”, a individual de Michal Rovner, até 15 de Junho na Pace Gallery em Londres. Rovner, artista nascida em Israel e que divide residência entre Nova Iorque e Tel-Aviv, tem obra significativa nas áreas da escultura e fotografia. Tem também trabalhado de forma consistente as possibilidades da imagem em movimento. “Data Zones”, instalação inserida na Bienal de Veneza de 2003, onde representou o pavilhão de Israel com a exposição “Against Order? Against Disorder?”, recorria a projeções sobre placas de petri onde nos eram mostradas silhuetas de figuras humanas dispersas por grupos. Em “In Stone”, outra das suas peças mais célebres, projeções vídeo sobre antigas placas arqueológicas evocavam com algum lirismo a persistência da civilização tecnológica desde o pré-moderno até ao nosso tempo. É neste cruzamento entre Homem, Memória e Tecnologia que a obra de Rovner expressa de forma mais convincente a sensibilidade poética que a caracteriza.

 

“Panorama”, dá continuidade à linha de trabalho que apresentou em “Topography”, exposição de 2012 que reunia um conjunto de trabalhos em ecrãs de cristais líquidos (LCD). Topografia e Panorama: dois momentos de uma obra sensível à passagem da civilização pela superfície do Mundo. Em Panorama, Rovner vem apresentar uma projecção de grandes dimensões e uma série de trabalhos multi-ecrã, que partilham um conjunto de motivos visuais já habituais na sua prática artística. As silhuetas negras atravessam agora paisagens desertas e acidentada, num movimento perpétuo pelo espaço pictórico que nos traz o testemunho do confronto do homem da cultura com a natureza. A abstração com que Rovner representa o mundo natural remete-nos para um mundo intemporal, e a utilização expressiva da cor situa-nos no domínio da experiência da emoção. A relação com a realidade assume assim um lirismo contemplativo da condição humana. Esta civilização em marcha, uma multidão de figuras dispersas por um espaço do tamanho da natureza, está no coração da projecção que abre a exposição. [Fig 2 e 7]. Diz Rovner: "Não estou realmente interessada em contar histórias. Pretendo sempre apresentar uma espécie de situação, em vez de contar qualquer coisa. Aparentemente, quando há movimento fica-se sempre a pensar que existe algum tipo de progresso e que haja aí talvez uma história, que algo está para acontecer. Não estou interessada em questões psicológicas, mas sim em encontrar algum denominador comum, que atravesse o tempo e os países. “ [2]

 

 

 

 

 

 

 

A peça “Untitled 11” da série “Panorama” [Fig. 8 e 9] transporta esta reflexão para uma dimensão mais concreta. As silhuetas das figuras que caminham dispersas pela superfície encontram-se agora próximas de situações. Reconhecem-se alguns gestos: alguém transporta uma mala, mais adiante uma pessoa tira uma fotografia. Eis uma hipótese: a captura de imagens enquanto fábrica do Real. Em “Untitled 1 (Cypress)” [Fig. 10 e 11] o movimento pendular dos ciprestes sugere com alguma transparência a vocação cíclica da natureza, da qual somos um ínfima parte – é condizente o contraste entre o infinito do mundo sensível, e os minúsculos vestígios da actividade humana. Rovner filma as imagens em diversos contextos, de paisagens próximas de sua quinta em Israel, a visitantes do Museu do Louvre em Paris. É através da edição e manipulação em computador que as obras mais se aproximam da pintura – paradoxo maior, que nos dá a ver aquilo que está em causa agora que os ecrãs se tornam hápticos, mais libertos de parâmetros ópticos. “Untitled 4”, obra constituída por 8 ecrãs LCD [Fig 12 e 13], é talvez a obra que expressa essa relação entre pintura e tecnologia com maior tensão superficial - no tratamento digital da imagem, Rovner transporta gestos e texturas que dialogam de forma mais intima com a pintura enquanto disciplina do que com o digital enquanto paradigma, aproximando assim a superfície do ecrã da materialidade da tela. Rovner prepara ainda alguns dos ecrãs, acrescentando-lhes uma camada de papel japonês de forma a esbater a pixelização inerente àquele tipo de ecrã.

 

Este é um panorama onde a história subterrânea das imagens nos é contada a partir da marcha sem fim de uma civilização.

 

 

José Raposo

 


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Notas

[1] Entrevista conduzida por Liz Vahia, no contexto da presença da autora na conferência inserida no Ciclo de Arte, Arquitectura e Media da ECATI: http://www.artecapital.net/entrevista-182-giuliana-bruno

[2] Entrevista concedida à magazine Eikon. Setembro de 2005. Tradução minha http://www.eikon.at/content/en/zeitschrift_detail.php?zeitschrift_id=7



JOSÉ RAPOSO