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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Dan Flavin, "Untitled (to Janie Lee) 1, 2" "Untitled (to Virginia Dwan), 1,2", 1971. Foto de Jean Breschand


Dan Flavin, "A primary picture", 1964. Foto de Jean Breschand


Dan Flavin, "«Monuments» for V. Tatlin", 1964-1990. Foto de Jean Breschand


Dan Flavin, "Untitled (to Jan and Ron Greenberg)", 1972-73. Foto de Jean Breschand


Edward Hopper, "Nighthawks", 1942


Dan Flavin, "Untitled (to Janie Lee) 1, 2" e "Untitled (to Virginia Dwan), 1,2" 1971. Foto de Jean Breschand

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ARQUIVO:


DAN FLAVIN

Dan Flavin - Une retrospective




MUSÉE D’ART MODERNE DE LA VILLE DE PARIS
11, avenue du Président Wilson
75116 Paris

09 JUN - 08 OUT 2006

The Light Drug

O Musée de la Ville de Paris acolhe a retrospectiva dedicada a Dan Flavin (1933-1996) organizada pelo Dia Art Foundation de Nova Iorque em associação com a National Gallery of Art de Washington.
Esta mostra monográfica do artista americano, com 50 obras e 60 desenhos, é uma das exposições mais estimulantes neste momento em Paris.


Em 1979, Joseph Kosuth afirmava numa sua obra: “If I expect to see red, then I prepare myself for red”. Ao entrar num final de tarde na exposição de Dan Flavin não estou preparada para nenhuma cor em particular.

E a primeira obra apresentada no seu perfeito desequilíbrio espacial é “The diagonal of May 25” (1963) dedicada ao escultor Constantin Brancusi, que constitui também o manifesto do suporte artístico explorado por Flavin: “I declared the diagonal of personal ecstasy a common eight-foot strip white fluorescent light of any commercially available color”.


As suas obras a partir de 1963 são feitas com tubos de luz fluorescente em 4 tamanhos e com 9 cores diferentes, standard, entre elas quatro brancos diferentes: White, white day light, soft white, cool white.
Mergulhamos nesta fluorescência branca ao prosseguir no percurso da exposição com uma série de “monuments” (1967-1974) dedicados a Vladimir Tatlin, autor do projecto para a Terceira Internacional (Moscovo, 1920) que ocupam magnificamente a ampla curva modernista do museu.


A iniciação à obra de Flavin fora feita e a partir dali os nossos sentidos estão contaminados pela luz.

A passagem de um espaço do museu a outro é pontuada pelo efeito caleidoscópico das cores que se propagam, atingindo uma materialidade emergível entre corredores verdes sem saída – “Untittled (to Jan and Ron Greenberg)”, 1972-1973 – e que se transformam em painéis amarelos no outro limite da sala.
As obras são “sem título” mas estão dedicadas a diversas personagens e amigos do artista, bem como a criadores que estimularam o seu trabalho.

Uma das salas mais impressionantes da retrospectiva apresenta “monument 4 those who have been killed in ambush (to P.K. who reminded me about death)” que é extremamente penetrante com o seu vermelho denso.

Os guardas-sala do museu estão protegidos da luz por óculos escuros o que lhes confere o discreto anonimato, adequado a uma visita-experiência pessoal, escoltada por olhos vendados.


As obras de Dan Flavin nasceram na América dos anos 60, uma América que brilhava na noite dos cafés iluminados a néon, retratada por Edward Hopper em telas como “Nighthawks” de 1942. Flavin captura e transforma as “cores artificiais” de Hopper em “propostas situacionais” recebendo inspiração das vanguardas europeias e do construtivismo russo.
Ele e os criadores do chamado minimalismo americano como Donald Judd, Sol LeWitt e Carl Andre instalam as suas obras no Museu Guggenheim de Nova York (1959), edifício que é o apogeu da obra de Frank Lloyd Wright na América.
América que permanecerá imutável nos seus drive-in’s, graças aos clichès de Hiroshi Sugimoto (admirador da obra de Dan Flavin), onde o ecrã branco iridiscente fica emoldurado num tempo suspenso.


Flavin diria das suas obras: “My icons bring limitated light”.
Permito-me não concordar com a afirmação do artista pois as suas obras impressionam-nos ainda hoje com o brilho de uma luz nuclear, deixando um rasto incandescente na nossa retina.
… como o rumor da combustão de gaz.

Ainda bem que esta luz ainda brilha na América protegida de hoje.





Sílvia Guerra