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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vistas da exposição "Splitting, Cutting, Writing, Drawing, Eating… Gordon Matta-Clark", Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


Vistas da exposição "Splitting, Cutting, Writing, Drawing, Eating… Gordon Matta-Clark", Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


Vistas da exposição "Splitting, Cutting, Writing, Drawing, Eating… Gordon Matta-Clark", Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


Vistas da exposição "Splitting, Cutting, Writing, Drawing, Eating… Gordon Matta-Clark", Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


Vistas da exposição "Splitting, Cutting, Writing, Drawing, Eating… Gordon Matta-Clark", Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


Vistas da exposição "Splitting, Cutting, Writing, Drawing, Eating… Gordon Matta-Clark", Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.


Vistas da exposição "Splitting, Cutting, Writing, Drawing, Eating… Gordon Matta-Clark", Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Fotografia: Filipe Braga, © Fundação de Serralves, Porto.

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ARQUIVO:


GORDON MATTA-CLARK

SPLITTING, CUTTING, WRITING, DRAWING, EATING… GORDON MATTA-CLARK




MUSEU DE SERRALVES - MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua D. João de Castro, 210
4150-417 Porto

05 MAI - 03 SET 2017

As ações de Gordon Matta-Clark no Museu de Serralves

 


O Museu de Arte Contemporânea de Serralves tem vindo a apresentar uma programação que reforça a importância da arquitetura no contexto artístico atual. Como a presidente Ana Pinho explica, desde a exposição sobre o SAAL (2015) às contínuas mostras da obra de Álvaro Siza, a instituição valoriza os artistas que contribuem para a relação e diálogo entre essas duas áreas. Nesse mesmo âmbito, é interessante referir uma das personalidades mais influentes nas artes plásticas e na arquitetura, tanto no seu tempo como nos dias de hoje: o incontornável Gordon Matta-Clark (1943-1978).

Artista conhecido pelo seu trabalho site-specific, deixou-nos um testemunho de tal magnitude que Serralves e a Culturgest decidiram unir-se e explorá-lo em conjunto. A maior parte do trabalho do artista está guardado em arquivos que pertencem ao CCA - Canadian Center for Architecture de Montréal, surgindo agora a oportunidade dessa outra colaboração que Serralves já tem desenvolvido.

Dia 5 de maio inaugurou, assim, o resultado destas parcerias entre as instituições e respetivas equipas de direção artística. João Ribas, diretor adjunto e curador sénior do Museu de Serralves, considerou o trabalho com Delfim Sardo, comissário das Artes Visuais da Culturgest, como "muito importante não só para a instituição mas para mim como curador". Também a exposição apresenta o culminar de diferentes ideias e projetos do artista, cada um com o seu particular processo de criação e de registo. O que hoje vemos é composto pela conjugação de múltiplas formas, práticas e expressões, através de fotografias, vídeos, filmes, cadernos de notas, desenhos e até correspondências. O objetivo dos curadores foi, precisamente, tirar partido dessa pluralidade e, com ela, alargar o habitual conceito de exposição.

Analisar o trabalho de Gordon Matta-Clark é algo complexo e que requer uma observação atenta dos vários parâmetros da sua criação, produção e conceito artísticos, bem como das intersecções entre eles e os seus vários movimentos. Como ponto de partida, João Ribas procurou compreender o processo base de trabalho do artista, no qual identificou ações que se repetem em cada projeto e que, consequentemente, se tornaram definidoras da sua obra e do título desta exposição: separar, cortar, escrever, desenhar e comer. Os curadores procuraram as peças que refletiam e ecoavam mais nitidamente estes cinco verbos, determinando assim o critério para a seleção que compôs a exposição.

Como exemplo, destaca-se um dos projetos mais conhecidos do artista que comporta uma curiosa narrativa e que é apresentado através de um vídeo e fotografias. Nestes, observam-se intervenções numa casa que, na época, pertencia ao marido da futura galerista de Matta-Clark. A estrutura foi dividida a meio e os seus cantos separados do centro, numa grande ação física e conceptual. A manipulação do edifício transporta-o para a qualidade de escultura, em vista a uma aproximação da arquitetura ao que é concebido manualmente. Procura, assim, quebrar a frequente consideração de que o arquiteto está distante dessa produção mais plástica e, portanto, artística. Simultaneamente, ao tornar a estrutura acessível e visível de variadas perspetivas, quebra-se a barreira entre o espaço privado e o espaço público, revelando o primeiro. Com estas mesmas premissas, a ação e obra multiplicaram-se, sempre de um modo tão expressivo quanto polémico.

Como Delfim Sardo explicou "trabalhamos sempre sobre o fantasma de Matta-Clark", pois a maioria das suas intervenções duraram pouco tempo, já que foram realizadas em edifícios destinados a demolição. A difícil compreensão da obra reside também na sua intrínseca complexidade e por Matta-Clark ter falecido prematuramente, apenas oito anos, de 1970 a 1978, após o início da sua atividade criativa. Não obstante, esse curto tempo foi de intensa atividade, suficiente para construir o maravilhoso espólio que hoje se encontra reunido e sólido para ecoar ao longo de gerações.

Há ainda algum conhecimento que o artista nos deixou, como o facto deste ter sido influenciado pela cultura europeia, pela forma e construção das catedrais e pelo movimento artístico surrealista. Mas, o que mais o moveu, foi o modernismo da arquitetura, ao qual se opôs juntando-se a um movimento ativista de arquitetos. Inicialmente este grupo foi considerado violento, particularmente as radicais e arrojadas intervenções de larga escala de Matta-Clark. Contudo, para o artista, os seus projetos tratavam precisamente do contrário, como o próprio diria, de trazer ar e luz para a arquitetura. Sardo explica que devemos observar a obra do norte-americano como uma poética e uma relação orgânica entre o espaço, a arte, a comunidade local e a sociedade.

Com efeito, Gordon Matta-Clark manifestou um interesse comunitário e, paralelamente, contínuas preocupações sociais, estéticas e formais, elementos que se reuniam no momento da criação. Por tal isso, o trabalho desenvolveu-se mais complexo, plural e valorizado.

O artista tinha um particular interesse por espaços que estavam em fase de transição, tanto física como social. Por exemplo, no Soho em Nova Iorque, investiu na aquisição de pequenos terrenos geralmente abandonados entre dois prédios. Como João Ribas conta, o artista percorria a cidade, atento, à procura desse tipo de espaço a que chamava de emptiness. Nessa época decorria uma contínua e acelerada construção de imobiliário que resultava numa arquitetura em série, sem qualidade estética e formal, assinada por empresários como Donald Trump. Era para contrariar essa constante edificação que Matta-Clark avançava na sua ideia de unbuilding.

Hoje, é-nos permitido observar este trabalho através de registos de vídeo e fotografia, esta última tendo sido uma prática particularmente apreciada pelo artista. Alguns projetos e pesquisas foram realizados fora de campo. Encontramos casos de montagem de várias fotografias do mesmo edifício, com a linguagem de corte tão presente quanto nas ações físicas. Há uma reprodução da decomposição do espaço paralela à reconfiguração do processo físico, numa forma visual próxima da estrutura de cenário de cinema.

Como Suzanne Cotter explicou à imprensa, o acervo e o arquivo da obra de todo o artista são elementos de extrema importância. Ora, são eles que, nesta exposição, permitem dar uma visão completa e alargada do seu trabalho. Elementos através dos quais se explora a obra dos artistas que, como Gordon Matta-Clark, tiveram uma breve e efémera passagem na esfera da arte mas cuja obra ecoará com força no futuro.



CONSTANÇA BABO