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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Daniela Krtsch, “Dezembroâ€, 2007. Vista da exposição


Daniela Krtsch, S/ título, série “Dezembroâ€, 2007. Óleo sobre tela


Daniela Krtsch, S/ título, série “Dezembroâ€, 2007. Óleo sobre tela


Daniela Krtsch, S/ título, série “Dezembroâ€, 2007. Óleo sobre tela


Daniela Krtsch, S/ título, série “Dezembroâ€, 2007. Óleo sobre tela


Daniela Krtsch, S/ título, série “Dezembroâ€, 2007. Óleo sobre tela

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ARQUIVO:


DANIELA KRTSCH

Dezembro




VERA CORTÊS - ART AGENCY
Avenida 24 de Julho, 54, 1º Esq.
1200-868 Lisboa

10 MAR - 28 ABR 2007


“Dezembro†preenche a quase totalidade da galeria Vera Cortês, na 24 de Julho. A artista (Daniela Krtsch - Göttingen, 1972) concebeu para esta exposição um conjunto de pinturas em que a relação e reflexão cenográfica que cada uma contém se propaga de tela para tela (de imagem para imagem) e de sala para sala, contagiando também os seus corredores de acesso.

O processo de apresentação das obras compreende um modelo de representação que, partindo de uma composição simples de personagens ou objectos, remete para uma imaginária continuação narrativa cujo desenvolvimento se realiza já autonomamente do que nos é dado a ver materialmente, ou seja, “fora de cenaâ€.

Daniela Krtsch, cujas referências, para além da pintura, incluem precisamente uma afinidade com os recursos plásticos e cenográficos do teatro, investe cada tela de um conjunto de características facilitadoras deste artifício. Assim, e sendo de pinturas que se trata, Daniela Krtsch bem pode reivindicar uma autonomia total de sentido para as suas imagens, para além do tipo de questões que o espectador, individualmente, potenciará. Às suas imagens nada se lhes pode impor como referencial acrescido de realidade, mas será eventualmente essa a condição que permite accionar com eficácia o dispositivo montado.

Uma pintura representando um homem a dormir pressupõe um tempo de repouso, da mesma forma que um vaso com uma planta, da qual vão caindo folhas e ramos secos, contém um exercício de passagem de um tempo que é silencioso, inócuo mas fundamental para o processo de reconfiguração da vida (tal como o sono). O visitante reconhece uma e outra condição e, percebendo-as numa mesma sala, poderá ou não associa-las narrativamente.

Numa outra sala, uma tela representando um acolhedor recanto de um espaço de habitação parece conter em suspensão um convite ao uso de uma confortável cadeira. Na parede oposta, uma jovem fixa o copo por onde bebe (água?). Regressará à cadeira? Estará porventura na mesma casa? Essa é também uma reflexão em aberto a que nos poderemos entregar facilmente, em muito contribuindo para tal o facto de, tanto numa como noutra situação, nos defrontarmos com extractos de um quotidiano com o qual estamos perfeitamente identificados.

Ainda numa outra divisão da galeria, uma mulher parece abstrair-se de um cigarro em combustão, concentrando-se em algo ou contemplando um elemento visual cuja especificidade não poderemos, em rigor, descodificar. Essa tranquilidade interior é reforçada pela luminosidade difusa proveniente de uma clarabóia, representada numa tela sobrelevada, colocada no corredor e à qual acedemos perifericamente ao observar a mulher que fuma. Qualquer das telas discursa autonomamente, mas o nosso dispositivo de reconhecimento elaborará o conjunto de ligações de memória necessárias ao processamento de uma extensão narrativa. Da mesma forma que num espectáculo de teatro, para além do encadeamento normativo inerente ao desenvolvimento dos diversos papéis interpretados, o enlace afectivo para com os diversos protagonistas pressupõe a subjectividade das distintas e singulares vivências dos espectadores e a sua qualidade de articular experiências e memórias.

“Dezembro†prolonga anteriores incursões da artista em universos de representação que trabalham a partir de extractos do quotidiano – por vezes retirados de fotografias - para reconfigurar sentidos e acentuar a ambivalência resultante da transposição de imagens fotográficas para o domínio da pintura.
Na série presente, o silêncio e a serenidade emanados das telas em exposição, precisam o carácter específico da pintura enquanto medium constituinte de realidades que, pelo simples facto de as apreender, lhes permite uma renovada existência e significação.


Miguel Caissotti