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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Janet Cardiff – George Bures Miller, "The Killing Machine", 2007. Técnica mixta. Instalação áudio. Cortesia dos artistas. © Foto: Seber Ugarte


Janet Cardiff – George Bures Miller, “Opera for a small room” (Detalhe), 2005. Cortesia Galerie Barbara Weiss, Berlim. © Janet Cardiff e George Bures Miller, 2007


Janet Cardiff – George Bures Miller, “Opera for a small room” (Detalhe), 2005. Cortesia Galerie Barbara Weiss, Berlim. © Janet Cardiff e George Bures Miller, 2007


Janet Cardiff – George Bures Miller, “Playhouse”, 1997. Cortesia Galerie Barbara Weiss, Berlim. © Janet Cardiff e George Bures Miller, 2007


Janet Cardiff – George Bures Miller, “The Dark Pool”, 1995. Cortesia Galerie Barbara Weiss, Berlim. © Janet Cardiff e George Bures Miller, 2007


Janet Cardiff – George Bures Miller, "The Killing Machine", 2007. Técnica mixta. Instalação áudio. Cortesia dos artistas. © Foto: Seber Ugarte

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JANET CARDIFF + GEORGE BURES MILLER

The Killing Machine i altres històries




MACBA - MUSEU D`ART CONTEMPORANI DE BARCELONA
Plaça dels Àngels 1
08001 Barcelona, España

02 FEV - 01 MAI 2007


A artista canadiana Janet Cardiff (Ontário, 1957) tem desenvolvido um trabalho articulado entre sound art, vídeo e instalação desde os anos 90, frequentemente, em colaboração com o seu parceiro, George Bures Miller (Vegreville, Canadá, 1960).

Em “The Killing Machine and Other Stories”, a exposição actualmente patente no Macba, que tem o nome de uma das obras apresentadas, Cardiff e Bures Miller apresentam dez instalações realizadas ao longo da sua carreira que traçam diversos percursos e assinalam diferentes interesses da dupla de artistas, ao mesmo tempo que configuram o terreno de pesquisas nos quais eles se movem.

Algumas obras têm um pendor espectacular e teatral muito forte enquanto outras são bastante mais discretas e delicadas, criando uma série de novas geografias no espaço do Macba que alteram bastante a sua percepção habitual.

Para além das instalações dentro do espaço do Museu, Cardiff e Bures Miller instalaram “Forty Part Motet” (2001) no espaço da Capela dels Àngels, uma antiga igreja adjacente ao museu. A obra consiste na interpretação de uma peça coral do século XVI — “Spem in Alium” — de Thomas Talis, cantada por 40 vozes. Cada voz foi gravada individualmente e posteriormente agrupada em um dos oito grupos vocais indicados por Talis, cada um composto por quatro vozes masculinas (baixo, barítono, alto e tenor) e por uma voz infantil (soprano). A instalação apresenta-se disposta num grupo de 40 colunas espalhadas de forma circular pelo espaço da igreja, permitindo ao espectador ter a percepção do efeito sonoro total ou ouvir cada uma das vozes, individualmente, como se a presença física do cantor estivesse substituída pela coluna que o representa. A peça gera um impacto físico e visual muito forte, a sua apresentação está resolvida de uma forma muito eficaz, sendo, sem dúvida, a ocasião em que é melhor dada a ver.

Continuando a explorar a articulação entre a música erudita e a instalação, “Opera for a Small Room” (2005), já dentro do espaço do Museu, centra-se na figura de R. Dennehy, um coleccionador de discos de ópera que vivia em Salmon Arm (Canadá). O acesso à peça faz-se através de uma série de pequenas aberturas laterais que dão para o espaço central, no qual existe uma grande concentração de objectos acumulados. Os artistas compraram todos os seus discos e procuraram elaborar uma instalação que, de acordo com as suas palavras, fosse “a small room for the opera of his life. There are twenty-four antique loudspeakers out of which come songs, sounds, arias, and occasional pop tunes. There are almost two thousand records stacked around the room and eight record players, which turn on and off robotically syncing with the soundtrack” (uma pequena sala para a ópera da vida dele. Existem 24 colunas antigas das quais saem canções, sons, árias e, ocasionalmente, melodias pop. Há 2 mil discos empilhados por todo o quarto e oito gira-discos que se ligam e desligam roboticamente sincronizando-se com a banda sonora).

O conhecido interesse dos artistas em estabelecer ligações culturais entre elementos díspares e contextos diferentes surge de forma muito evidente nesta peça e pode igualmente ser articulado com outra obra, “Playhouse” (1997), que guia o espectador dentro de uma maquete de um teatro de ópera através da voz da artista, que o conduz para o que irá ver. À medida que o relato se vai desenvolvendo, o visitante apercebe-se de que a sua presença foi totalmente modificada, deixando de ser um espectador passivo da obra que observa para se tornar num anónimo personagem do teatro fictício apresentado, no qual surge uma estereotipada cantora lírica a cantar um excerto de uma peça musical.

Uma semelhante atitude de conferir ao espectador uma condição de voyeur é observável em “Telefone/Time” (2004), uma obra em que somos convidados a ouvir uma conversa telefónica entre Cardiff e um cientista acerca da noção do tempo. Neste caso, mais do que a informação fornecida pelo diálogo, é a possibilidade de aniquilar o carácter privado de uma conversa telefónica que confere interesse a esta peça. Uma semelhante condição de voyeur é transmitida através de “The Dark Pool” (1995), uma obra que cria um ambiente irreal resultante da combinação de mobiliário antigo, pratos e copos sujos e de uma grande quantidade de dispositivos mecânicos que se activam com o movimento, dando ao visitante a possibilidade de convocar uma série de memórias que revelam o seu despertar através dos rumores e movimentos que vão surgindo à medida que a peça é percorrida. Por outro lado, “Killing Machine” (2007), a nova peça que confere o título à exposição, baseia-se num conto de Kafka, “A Colónia Penal” (1914), para estabelecer uma reflexão irónica sobre a aplicação da pena de morte nos Estados Unidos. A obra centra-se numa cadeira eléctrica à roda da qual se move uma série de dispositivos mecânicos de tortura que atacam uma vítima invisível.

As obras “Road Trip” (2005) e “Night Canoeing” (2004) abordam questões relacionadas com paisagem, a descoberta e a viagem, estabelecendo uma série de topografias e geografias imaginadas ou reveladas de locais que vão sendo descritos pelos artistas num diálogo partilhado com o público.

Embora o som e o poder evocativo da voz sejam os grandes fios condutores de toda a exposição, o interesse de “The Killing Machine and Other Stories” reside no modo como toda a exposição foi concebida, traçando uma perspicaz retrospectiva selectiva do trabalho desta dupla de artistas.



Filipa Ramos