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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Pedro Barateiro, "Composição", 2007. Instalação video; 4'21'', som l Retroprojecção, estrutura em madeira


Pedro Barateiro, "Composição", 2007. Instalação video; 4'21'', som l Retroprojecção, estrutura em madeira


Pedro Barateiro, "Página da revista Cahiers du Cinéma (mulher russa com fotografia do filho)", da série A Forma de Apagar Imagens, 2007. Acrílico s/ c-print, 157 x 127 cm


Pedro Barateiro, "Página da revista Cahiers du Cinéma (a sonâmbula e o magnetizador)", da série A Forma de Apagar Imagens, 2007. Acrílico s/ c-print, 157 x 127 cm

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PEDRO BARATEIRO

Composição - A Forma de Apagar Imagens




GALERIA PEDRO CERA
Rua do Patrocínio, 67 E
1350-229 Lisboa

25 MAR - 12 MAI 2007


O conjunto de trabalhos mais recentes de Pedro Barateiro, agora apresentados na Galeria Pedro Cera, resulta de uma reflexão do artista sobre os usos da imagem e, concretamente, sobre o olhar temporalmente distanciado a dois tipos de suporte específicos (imagens de filmes de propaganda e imagens de páginas de revistas cinematográficas), intervencionados segundo uma lógica de demonstração por recombinação dos seus elementos semânticos.

Em “Composição” (instalação vídeo, 2007), um conjunto imagens de filmes produzidos durante o Estado Novo com intuitos de divulgação ideológica nas antigas colónias de Moçambique e Angola (“Actualidades”) foi seccionado e remontado para um novo filme de 4’21’’. A descontextualização simbólica operada realiza-se pela possibilidade de novo sentido narrativo a que o visitante acede, introduzido pelas imagens iniciais de uma exposição, metáfora da multiplicidade de possibilidades que individualmente se realizem na escolha de um percurso de observação e nas afinidades específicas das obras representadas. Mas essa disposição (a das obras expostas) concretiza já uma leitura e uma ordem discursiva preexistente, cuja inevitabilidade é incontornável. Assim, é também essa primeira sequência que sintetiza a metodologia de trabalho do artista. A realidade resulta, não das imagens disponibilizadas, mas da mediação que estas estabelecem em determinado contexto social ou ideológico. A sua recomposição em condições inovadoras de percepção configura a constituição de uma plataforma de passagem para a criação artística e para um modelo perspectivista de significação, ou seja, a objectivação de uma determinada e nova visão do mundo. Para a apresentação deste trabalho, o artista concebeu uma estrutura de madeira como dispositivo específico de retroprojecção, definindo-a como “espaço próprio de emanência” que o próprio integrou numa leitura muito particular de Gertrud Stein (“Composition as Explanation”), segundo a qual as possibilidades constitutivas dependem essencialmente de uma contínua e permanente recomposição das condições laterais à criação artística, num sentido mais formal.

A série “A Forma de Apagar Imagens” (fotografias intervencionadas com tinta acrílica, 2007) prolonga — ou complementa — o exercício de desocultação atrás referido. A selecção, aparentemente aleatória, de páginas das revistas “Positif” e “Cahiers du Cinema” adquire uma nova identidade pela sua individualização e ampliação enquanto obra de arte única que anula as características intrínsecas ao processo de reprodução em rotativa tipográfica. Questionando directamente imagens cuja carga simbólica é evidente (nomeiam precisamente uma vertente cinematográfica autoral dos anos 60 e 70), Pedro Barateiro procede a um trabalho de requalificação e reabilitação artística, alterando-as visualmente pela aplicação de tinta acrílica que, todavia, preservam o reconhecimento dos seus elementos (texto e fotografia) originais.

O uso da fotografia e do cinema constitui um habitus recorrentemente trabalhado como auto-reflexão artística. Também a presente exposição de Pedro Barateiro reafirma uma linha que o artista tem prosseguido e aprofundado, enquanto forma introspectiva de estabelecer os seus próprios parâmetros conceptuais do que são (podem ser) as condições de produção artística. Uma análise diacrónica sobre o âmbito deste tipo de discurso artístico suscitará certamente uma curiosa reflexão que se estende para além da constatação do valor ideológico da matéria-prima eleita e intervencionada pelos artistas plásticos e visuais. A verdade é que, também a produção artística, nesse esforço de libertação (pela criatividade estética) dos códigos de representação dominantes, acaba por tornar evidente a implacabilidade desse mesmo conjunto de códigos. Resta mesmo, para esse universo das imagens, a experimentação de uma nova forma de composição artística como garantia, se não da libertação das convenções de significação, pelo menos, de uma acção libertadora (certamente política) em devir.

Miguel Caissotti