|
|
LAWRENCE WEINERBooks Do Furnish a Room/Os Livros Perfazem uma SalaAPPLETON SQUARE Rua Acácio Paiva, 27 1700-004 Lisboa 13 ABR - 02 JUN 2007 “The Die is Cast/O Dado está Lançado†Cristina Guerra Contemporary Art até 12 de Maio “Books Do Furnish a Room/Os Livros Perfazem Uma Sala†Appletonsquare até 2 Junho Neste momento, estão patentes em Lisboa, duas exposições do artista americano Lawrence Weiner. “Books do Furnish a Room/Os Livros Perfazem Uma Salaâ€, na Appletonsquare, reúne cerca de 70 edições de artista e “The Die is Cast/O Dado está Lançado†é uma nova instalação concebida na Cristina Guerra, a terceira desde que começou a sua colaboração com a galeria lisboeta. Um novo espaço em Alvalade, Appletonsquare, receberá durante os próximos dois anos programação da Cristina Guerra Contemporary Art, paralela ao programa da própria galeria. Uma selecção de livros de artista de Weiner é a primeira escolha para este espaço. São edições que o artista criou ao longo da sua já longa carreira, pequenos livros, discos, catálogos de exposição que Weiner se encarrega sempre ele mesmo de “desenhar†e, uma curiosidade: os esboços em papel esquiço feitos em Lisboa quando preparava o catálogo para a exposição “Towards the End of The Beginningâ€, em 2002. Cada página, cor, cada fonte escolhida, cada sequência, pensada em rigor. Cada frase, cada colocação de lettering na página, para formar o objecto que Weiner quer que seja o mais acessÃvel “possÃvel†a todos. Aqui, não se procura o fabrico de “objecto de artista†raro e caro, difÃcil de encontrar. O artista preferiria que todos os livros expostos pudessem ser folheados e lidos pelo espectador no local da exposição. Mas, como algumas das edições, pertencentes a colecções privadas, são datadas dos anos 70 e, hoje, são já muito raras, foi feita a escolha de colocar todos os livros em vitrinas, apesar de alguns desses catálogos/livros serem muito recentes e ainda passÃveis de serem comprados, felizmente, pela Internet como, por exemplo, um livro que reúne textos e entrevistas “Having been said-writings & interviews of Lawrence Weiner, 1968-2003†ou mesmo o catálogo da referida exposição de 2005 na Cristina Guerra que ainda está à venda na galeria pelo preço de 20 euros — “Towards the End of The Beginning.†Lawrence Weiner (nascido em 1942) utiliza em exclusivo a linguagem nos seus trabalhos. Um dos mais conceituados artistas, ditos “conceptuaisâ€, Weiner foi uma figura central no “boom†de experimentação artÃstica no final da década de 60 e inÃcio de 70. Um acontecimento, citado em muitos textos sobre o seu trabalho, marca a viragem de Weiner para este meio: em 1968, fez uma instalação no Windham College em Putney, Vermont (EUA) que envolvia estacas colocadas em intervalos regulares que formavam um rectângulo no relvado em frente à universidade. Os estudantes não gostaram da obstrução e retiraram as estacas para terem o seu percurso facilitado. Weiner concluiu que a sua intervenção poderia ter sido menos intrusiva, se os alunos tivessem apenas lido uma descrição verbal da obra. A partir desse momento, dedicou-se ao uso da linguagem e ao que se pode assemelhar a uma batalha — fazer com que o espectador aprenda a “LER†arte, frase que utilizou numa pequena publicação, também exposta na Appletonesquare, e editada em 1991 pela Printed Matter, Inc – “Learn to read art.†Parece que em qualquer texto sobre este artista não podem também faltar as suas “leisâ€, pelas quais se rege há muito, que continua a utilizar e “imprimir†sempre que pode, e que nunca podem deixar de ser referidas em qualquer texto, comunicado de imprensa, e outros, sobre Weiner. E este não vai ser excepção: 1 - o artista pode construir a obra 2 - a obra poderá ser fabricada 3 - a obra poderá não ser construÃda (a decisão sobre a sua condição reside com o receptor no acto de recepção, desde que a decisão seja equivalente e consistente com a intenção do artista). Weiner é metódico com a sua linguagem; as suas frases são muitas vezes ligadas ao construir, aos materiais, a acções fÃsicas, o que causa no espectador uma sensação de estranheza, mas sempre de reflexão e, também, de reflexão em relação ao espaço onde a colocação da frase foi feita, o qual percorremos ou vemos à distância. Na sua maioria, as instalações de Weiner são letras em vinil ou pintadas sobre as paredes do espaço expositivo. Mas também são muito conhecidas as suas instalações em locais públicos como a que hoje, se tivermos sorte, ainda podemos ver e ler pelas ruas de Nova Iorque, gravadas em algumas tampas de esgoto — “In direct line with another and the nextâ€, um projecto para o Public Art Fund. “The Die is Cast/O Dado está Lançado†não é excepção — as paredes brancas do espaço da Galeria Cristina Guerra foram invadidas pelos seus “statementsâ€, sempre traduzidos para a lÃngua oficial do paÃs onde são apresentados. As traduções, e ainda bem, porque traduzir uma obra de arte só pode ser uma tarefa muito difÃcil, são sempre acompanhadas pelo original. Assim vemos e lemos as traduções e originais colocados nas paredes, e no chão, da galeria, aparentemente despida. São acções fÃsicas, são referências a materiais, são referências a processos, algumas das frases dentro de parêntesis, outras com sinais gráficos que acompanham a fonte escolhida — nada que se possa reproduzir bem aqui nesta página, com esta fonte universal de página de web mas, mesmo assim, aqui ficam algumas: “Dust of the Ages / O Pó dos Tempos†ou, por exemplo, “Encroached upon with saline Solution Dripping from that which came from the sea / Apoderado com solução salina escorrimento daquilo que veio do mar.â€
|






















