|
|
COLECTIVAL’image d’après. Le cinéma dans l’imaginaire de la photographieLA CINÉMATHÈQUE FRANÇAISE 51, Rue de Bercy 75012 Paris 04 ABR - 30 JUL 2007 Desde que a Cinémathèque française reabriu as suas portas nas novas instalações de Bercy, em Setembro de 2005, existe um espaço especialmente dedicado a mostras temporárias que tem acolhido diversas manifestações. Pela primeira vez, uma das exposições aí organizadas propõe-se pensar as relações entre cinema e fotografia. “L’image d’après. Le cinéma dans l’imaginaire de la photographie” tem como ponto de partida uma reflexão de Henri Cartier-Bresson. Segundo o fotógrafo francês, o cinema constituiria uma espécie de imagem “seguinte”, posterior tanto à imagem projectada como à imagem vista pelo espectador. A exposição inverte este argumento, procurando explorar, ao invés, a imagem cinematográfica enquanto imagem “anterior”, isto é, enquanto imagem que inspira e determina o trabalho fotográfico. Dez fotógrafos, todos pertencentes à Agência Magnum (fundada, recorde-se, por Cartier-Bresson e comemorando este ano 60 anos de existência), ilustram assim a invasão do imaginário fotográfico pela sétima arte. Cada um deles evoca um filme ou um cineasta cuja marca se encontra presente, de forma mais ou menos explícita, na série de trabalhos em exposição. Essa marca assume por vezes a forma de uma verdadeira impressão na película fotográfica: é o caso do diário fotográfico da Revolução Iraniana (1978-1980) realizado por Abbas (n. 1944), cujas semelhanças temáticas e estéticas com “Paisà” de Roberto Rossellini são por demais evidentes. Profundamente impressionado pelo filme — o imaginário do autor é a primeira “película” sobre a qual se imprime a imagem cinematográfica —, Abbas afirma que a descoberta ocasional de “Paisà” num cineclube argelino veio motivar a sua decisão de ser fotógrafo. “Paisà” relata, em seis episódios, as facetas cruéis da Libertação de Itália durante e após a Segunda Guerra Mundial. O trabalho de Abbas, concentrado sobre a guerra e os grandes movimentos sociais do terceiro mundo, explora, tal como o filme de Rossellini, a mesma teia complexa que une destinos individuais e colectivos. Por vezes, a impressão de que falávamos actua de forma diferente sobre o imaginário dos autores. Harry Gruyaert (n. 1941) recorre assim a Michelangelo Antonioni para exorcizar os seus fantasmas relativos a uma velha relação amorosa e para capturar a “estranha inquietude” das paisagens urbanas contemporâneas. As suas fotografias (bem como um filme pessoal) são projectadas em alternância com excertos de diversas obras de Antonioni, formando uma espécie de folha de contacto virtual. Já Patrick Zachmann (n. 1955) reconhece a influência inconsciente, mas profunda e definitiva, que um ciclo de cinema shangaiano dos anos 30 teve e tem sobre o seu projecto de documentação da actual diáspora chinesa. Por vezes ainda, a relação entre o cinema e a fotografia é explorada do ponto de vista da homenagem: Gilles Peress (n. 1946) celebra o livro “Repérages” de Alain Resnais e Alec Soth (n. 1969), evoca “Ao correr do tempo” de Wim Wenders na sua série “Movie Theaters”, que documenta 36 salas de cinema (e uma capela funerária) no interior do Texas. Outros trabalhos, como a instalação de Donovan Wylie (n. 1971), ganham em significado quando confrontados com um filme, neste caso “Elephant” de Alan Clarke (uma série de assassínios gratuitos no famoso filme de Clarke vem clarificar ainda mais a experiência de Wylie na sua Belfast natal). Finalmente, destaque-se o trabalho de Antoine d’Agata (n. 1961), uma vez que o fotógrafo francês é o único a passar da fotografia à imagem em movimento com um filme de cerca de 20 minutos que homenageia, ele também, “O Império dos Sentidos” de Oshima. A proposta da exposição “L’image d’après” revela-se uma desilusão. Demasiado simplista para descrever de forma coerente e, sobretudo, para pensar e problematizar as relações complexas e multiformes entre cinema e fotografia (ou entre imagem em movimento e imagem fixa), o argumento inicial acusa rapidamente a sua superficialidade. O interesse da exposição é o de “comemorar” uma grande agência fotográfica, avançando ainda alguns nomes menos conhecidos do grande público. Propor, na grande casa francesa do cinema, que as ligações entre a sétima arte e a fotografia se resumem a um jogo de correspondências básico — inspiração, homenagem, citação — representa uma verdadeira decepção, sinal de que as respostas para esta e outras questões (como as relações entre o cinema e a arte contemporânea) se encontram, hoje, em espaços muito diferentes. Fotógrafos representados: Abbas; Antoine d’Agata; Bruce Gilden; Harry Gryaert; Gilles Peress; Gueorgui Pinkhassov; Mark Power; Alec Soth; Donovan Wylie; Patrich Zachmann.
|



















