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Tobias Rehberger, "On Otto"


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ARQUIVO:


TOBIAS REHBERGER

On Otto




FONDAZIONE PRADA
Via Fogazzaro 36
20135 Milão

20 ABR - 06 JUN 2007


O teórico alemão Rudolph Arnheim dedicou o seu primeiro livro, “Film as Art†(1932), à análise das possíveis e eventuais relações entre cinema, arte, percepção e realidade. Utilizando o cinema como o objecto em torno ao qual desenvolveu as suas reflexões, Arneim interessou-se pelo enorme potencial da sétima arte na expressão de ideias complexas e abstractas que estabelecem inúmeras relações entre a criação artística e a análise da sociedade contemporânea. Ao longo do seu livro, Arnheim desenvolveu uma interessante e complexa discussão sobre o que é o cinema e quais as suas definições, usos e potencialidades. Um semelhante processo e interesse pareceu motivar o artista alemão Tobias Rehberger (Esslingen, 1966) na realização da sua mais recente exposição, “On Ottoâ€, inaugurada no passado Abril na Fundação Prada, em Milão.

Nesta exposição, Rehberger aprofunda alguns dos elementos característicos da sua actividade artística, como o interesse pela colaboração entre profissionais de diferentes áreas, pela conversão e união de diversos tipos de linguagens e pela convergência de actividades sociais e artísticas transportadas para diferentes contextos.

“On Otto†toma como ponto de partida a obra “JP005 (Model for a film)†que Rehberger apresentou em 1998 no Moderna Museet, em Estocolmo. Esta peça, que é um cinema para uma pessoa, desconstrói a estrutura típica da narrativa cinematográfica, ao criar um filme cuja realização era estruturada inversamente, ou seja, do fim para o princípio e cuja fruição era individual, já que o filme podia ser observado somente por uma pessoa de cada vez.

Com “JP005â€, o artista abriu passo para uma série de reflexões sobre o papel do cinema na arte contemporânea e esta discussão foi agora retomada por Rehberger, ao procurar analisar o processo de reacção dos espectadores face à visualização de um filme, apresentado como um produto desconstruído e deixado em aberto. O artista propôs realizar um filme de modo inverso ao tradicional, tomando como ponto de partida as escolhas que normalmente são feitas em último lugar. Deste modo, Rehberger seleccionou uma equipa de profissionais de diversas áreas da indústria cinematográfica, dando-lhes total liberdade de acção. Cada um dos colaboradores era totalmente livre de criar o que quisesse, tendo somente de se limitar ao seu próprio âmbito de competência e de respeitar o budget predefinido, devendo apresentar o seu trabalho no espaço de quatro semanas a partir do momento em que tivesse recebido a fase precedente. Rehberger assumiu o papel final, ao criar uma série de instalações baseadas na união dos diversos elementos criados individualmente. Assim sendo, é a própria arquitectura e projectação do espaço expositivo que cria uma articulação e que confere coerência e união entre os diversos componentes realizados especificamente para o efeito.

O processo escolhido por Tobias Rehberger para a criação de “On Otto†inverteu a forma tradicional de produção de um filme, tendo o artista dado prioridade aos elementos que geralmente são deixados para o final e enfatizado as questões estéticas e artísticas da produção cinematográfica: o artista escolheu como primeiro passo para a realização do filme a concepção do design gráfico do título, convidando a dupla francesa de artistas Olivier Kuntzel e Florence Deygas (os mesmos que realizaram o genérico do filme “Catch Me If You Can†de Steven Spielberg) para realizar o primeiro passo. Após a escolha do design gráfico do título, coube a Randy Thom (responsável pelo som de filmes como “Zidaneâ€, “Shrek 2â€, “Os Incríveisâ€, “Final Fantasyâ€, “Cast Awayâ€, “Ice Ageâ€, “Rumble Fishâ€, entre outros) realizar o sound editing, que foi precedido da escolha musical, a cargo de Ennio Morricone. Seguiram-se, pela ordem apresentada, a montagem, a direcção de fotografia, os actores (Kim Basinger, Willem Dafoe, Justin Henry, Emmy Rossum e Danny DeVito, que filmados na plateia de um cinema vazio, assumem o papel de espectadores enquanto os visitantes da instalação tornam-se os actores do grande ecrã que está a ser observado pelas cinco estrelas de Hollywood), o guarda-roupa, o set design, storyboard e, por último, o argumento.

O espaço expositivo da Fundação Prada foi dividido em quatro grandes pavilhões de formas irregulares, o primeiro dedicado ao título, som, música e montagem, o segundo aos actores, o terceiro à fotografia, cenografia, guarda-roupa, storyboard e argumento e, o quarto, exclusivamente dedicado ao argumento.

Ao inverter o processo fílmico, realizando uma obra que se desenvolve ao contrário do normal, Rehberger não apresenta um filme terminado mas sim uma série de instalações que se desenvolvem e se realizam ao longo de toda a exposição e que questionam o sentido e o modo como a percepção é operada ao mesmo tempo que reflecte sobre as relações existentes entre os objectos, imagens e realidade se estabelecem. De acordo com as suas próprias palavras, “I think that looking at my work, there is no linearity to be found, but instead themes around which the work revolves, appearing in different lights. How can the things around us be interpreted? Is it truly possible ‘to see’ a work in its entirety, or does the work, instead, include something more? (…) much of my work is based on things that cannot be seen.â€


Filipa Ramos