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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Francisco Tropa, "Irmãs", 2007 (pormenor). Bronze patinado


Francisco Tropa, "Caixas de areia". Processo de fundição


Francisco Tropa, "Caixas de areia". Processo de fundição


Francisco Tropa, "Murete", 2007. Construção em alvenaria, estuque e projecção de luz branca


Vista parcial da exposição

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ARQUIVO:


FRANCISCO TROPA

Francisco Tropa




GALERIA QUADRADO AZUL (ANTIGO ESPAÇO EM LISBOA)
Largo dos Stephens, 4
1200-457 Lisboa

17 MAI - 30 JUN 2007


Desde o dia 17 de Maio, e até 30 de Junho, a Galeria Quadrado Azul de Lisboa recebe uma exposição de trabalhos de Francisco Tropa (Lisboa, 1968). À semelhança de anteriores apresentações do artista, também aqui o que o visitante encontra é um espaço cuja intervenção operada por Francisco Tropa estabelece um dispositivo cénico complexo, em que os seus diversos elementos servem, ora isoladamente, ora combinando-se e recombinando-se entre si, parâmetros que desafiam o campo tradicional da experiência de percepção. Neste sentido, e porque o conjunto de referências possíveis disponibilizadas à priori nos remete necessariamente para uma tipologia de registo assumidamente experimental de grande rigor e consistência conceptual, é a própria progressão do visitante neste enigmático território que dá forma e acciona a chave possível para descodificar um projecto que é, na sua natureza, uma exposição de escultura.

Em dois momentos distintos dessa progressão acedemos a elementos chave para uma aproximação ao trabalho do artista: O primeiro (“Um Passoâ€, argila) indicia um movimento sistematizado e cadenciado de um acto contínuo para a ligação de toda a instalação. Trata-se, verdadeiramente, de dois passos, de duas posições que permanecem e que conferem um sentido (duplo) a um exercício em que a morte evocada se propaga à mesma condição de suspensão que provém de uma escultura terminada, mas também ao silêncio inquietante que um conjunto de ossadas humanas estabelece, pela evocação de um corpo cujo anonimato o reduz igualmente a um mero e gélido enquadramento expositivo. Esse corpo reduzido a elemento escultórico (bronze) é ainda decomposto a uma dupla condição de anonimato (reforçado pela sua repetição física), sendo mesmo submetido a uma derradeira experiência de privação, quer volumétrica, que territorial (invertido e suspenso por uma corda a partir do tecto, em contraste com o seu duplo, amarrado e despojado no chão, a seu lado). Toda a exposição cumpre a mesma cadência de “Um Passo†(que são dois) e assim, a morte, cuja presença é evocada, surge em complemento a uma vida ausente, da mesma forma que um conjunto de gravuras colocadas verticalmente numa parede constituem vestígios cristalizados da movimentação coreográfica que o artista executou num plano horizontal, com o próprio corpo. Uma vez mais, o que percepcionamos é um acontecimento a que apenas acedemos por uma inscrição que testemunha um tempo passado.

Essa ideia de morte é ainda inferida pela presença de um segundo elemento cuja posição, estrategicamente secundarizada, une as duas salas expositivas. Uma prancha (“Poemaâ€, bronze), provável referência a rituais fúnebres, reforça essa subtil fronteira e passagem para uma outra forma de sentido, indecifrável nas letras que, igualmente, simulam uma queda suspensa.

Para que o enigma se não resolva, e para que o dispositivo poético se estabeleça como mediação totalizante do sentido, um conjunto de elementos cunha um jogo de contrários (sentido duplo), evidenciado na apresentação de duas “Caixas de Areia†(positivo e negativo) e em “Matriz†(desenho em argila que contém, ele próprio os seus opostos, e cujo duplo existe mesmo, em acervo, ou não fosse esse também um subtil pormenor que atesta a perfeição e engenho da instalação).

Ocupando a zona central da galeria, “Murete†(alvenaria, estuque e luz branca) e “A Divisão da Propriedade†(ferro e luz verde) aludem a demarcações de território cuja simbologia remete também para uma incompatível coexistência de opostos: território sepulcral ou evocação de terras aráveis e fonte de vida? “Enxada†(bronze) - que são duas e se apresentam cruzadas, interditam a segunda hipótese, reafirmando a evocação e reflexão de Tropa sobre a morte, sobre o corpo, mas também sobre a escultura.

Miguel Caissotti