Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Lourdes Castro, “Sombra projectada de René Bértholo”, 1964, Acrílico s/ tela


Jorge Pinheiro, “Homenagem a Amsterdão”, 1966, Óleo s/ tela colada s/ madeira


Joaquim Rodrigo,"Kultur – 1962", 1962, Têmpera s/ tela


Alfredo de Andrade, “Uma manhã em Creys”, 1863

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
CATARINA REAL

SUSANA PILAR

NOT ALONE


Galleria Continua (Paris - Marais), Paris
FILIPA BOSSUET

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

21 MINUTES POUR UNE IMAGE


CAPC - Círculo de Artes Plásticas - Sede, Coimbra
CONSTANÇA BABO

WILFRID ALMENDRA

HARVEST


Galeria Municipal de Arte de Almada, Almada
CARLA CARBONE

RITA MAGALHÃES

FACE A FACE – RITA MAGALHÃES E A NATUREZA-MORTA NA COLEÇÃO DO MNSR


Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
MARC LENOT

SUSANA ROCHA

LEAKING BODIES


Plato (Porto), Porto
SANDRA SILVA

ANDRÉ ROMÃO

INVERNO


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

PEDRO CASQUEIRO

DETOUR


MAAT, Lisboa
CARLA CARBONE

HUGO LEITE, ED FREITAS E THALES LUZ

EU SOU AQUELE QUE ESTÁ LONGE


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ANNE IMHOF

FUN IST EIN STAHLBAD


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ARQUIVO:


COLECTIVA

ANOS 60, MOMENTOS TRANSFORMADORES. SÉCS. XIX E XX - Colecção do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado




MNAC - MUSEU DO CHIADO
Rua Serpa Pinto, 4
1200-444 Lisboa

06 JUN - 23 SET 2007


A aposta expositiva do Museu do Chiado para os meses de Verão assenta numa mostra que, partindo do acervo da colecção, oferece uma perspectiva do panorama artístico português durante a década de 60 dos séculos XIX e XX. Dando continuidade ao pressuposto de programação que propõe o estabelecimento de conexões entre períodos cronológicos e linguagens criativas distintas, o Museu Nacional de Arte Contemporânea potencia o diálogo entre duas épocas da história da arte portuguesa que nutrem em comum o facto de terem correspondido a viragens fulcrais face à produção artística do país, evidenciando a sua correlação com o que simultaneamente se passava no resto do mundo ocidental.

A exposição está organizada em dois núcleos que correspondem aos séculos referenciados. Não seguindo uma montagem cronológica, inicia-se com o século XX, mais concretamente com uma sala dedicada à pintura (predominam trabalhos de Joaquim Rodrigo) que apresenta um conjunto de obras de natureza essencialmente narrativa que reflectem já o eclodir distante da sociedade de consumo e do movimento Pop norte-americano. Segue-se uma sala, a mais interessante da exibição, em que merecem especial destaque os trabalhos de Eduardo Nery (expostos pela primeira vez), Jorge Pinheiro, Lourdes Castro e René Bertholo. A estes últimos, pioneiros do Nouveau Réalisme (que emergia na época em Paris) e membros do grupo KWY, se deve um dos principais impulsos para a abertura e participação dos artistas portugueses no contexto da vivência artística Ocidental; colmatando o distanciamento que duas décadas mais tarde deixa, definitivamente, de fazer sentido ser referenciado.

Ainda que com algumas lacunas em termos representativos - Eduardo Batarda, Júlio Pomar, Álvaro Lapa, Ângelo de Sousa e Costa Pinheiro não estão presentes, não por opção curatorial dos comissários Pedro Lapa e Maria de Jesus Ávila, mas porque a colecção do MNAC não os integra - o núcleo dos anos 60 do século XX está composto quase na íntegra pela totalidade das obras da colecção que, apesar do isolamento estratégico a que o país era votado pelo regime político, reflectem já algumas das tendências que eclodiam e se materializavam no resto da Europa e EUA. Muitos dos artistas portugueses estavam exilados, tinham estudado, ou estabeleciam contactos regulares com a comunidade criativa exterior – destaque para a importância incontornável das bolsas cedidas pela Fundação Calouste Gulbenkian (mote para a exposição actualmente patente na instituição).

O restante espaço expositivo é dedicado a meados do século XIX, época em que se assistiu à emergência tardia do Romantismo em Portugal – por oposição ao resto da Europa que se agitava com o movimento percursor do Impressionismo, a Escola de Barbizon. Apesar do eclodir do Liberalismo, a produção artística passa ao lado dos movimentos de renovação estética que aconteciam desde o final do 1º quartel do séc. XIX. A crise política, a morte precoce de Vieira Portuense e a emigração de Domingos Sequeira, mergulharam o país numa letargia que demorou quase meio século a ser ultrapassada. As obras em exposição revelam o culto da natureza e da ruralidade, personificado nas paisagens longínquas e na reprodução de cenas do quotidiano campestre, e espelham também a elevação do povo a novo e legítimo protagonista da História. A afirmação da consciência individual (o sujeito inquieto que ressalta dos retratos em exibição) – tão característica do modernismo - e a nova abordagem à pintura histórica através da referência a pequenas narrativas protagonizadas por heróis nacionais, encontram-se igualmente reflectidas neste núcleo.

A mesma década, a de sessenta, separada por um século, traduz as dificuldades conjunturais do país em acompanhar os impulsos e tendências que no mesmo período assolavam o restante mundo ocidental. Gritantes no séc. XIX, os Anos 60 do século XX vão atenuá-las e marcam mesmo um determinante ponto de viragem face ao desfazamento vigente. Momentos transformadores que, no entanto, o o não deixam de reflectir um encontro continuamente falhado com a modernidade, como ressalva Pedro Lapa, um dos comissários da exposição.

Não se poderá afirmar que a exposição seja especialmente reveladora, que a temátia encontrada seja particularmente brilhante pela originalidade e potencialidades interpretativas. Não se pode defender que a exposição contribui indiscutivelmente para traçar novas conjecturas e que todas as obras expostas são surpreendentes. Mas pode afirmar-se com segurança que a mostra está bem montada, assenta num enquadramento histórico que lhe oferece consistência e funciona sobretudo na sua vertente pedagógica. Para além das limitações orçamentais e de espaço, invocadas com frequência e legitimidade, e apesar de se tratar de uma exposição de recurso em termos de timing - impeditivos orçamentais bloquearam a mostra que viria em itinerância - a exposição “Anos 60, Momentos Transformadores. Sécs. XIX e XX” cumpre as principais funções que se esperam de um museu nacional de arte contemporânea. Recomenda-se.

ARTISTAS:

ANOS 60 / SÉC. XX: Helena Almeida, António Areal, René Bértholo, Carlos Calvet, Lourdes Castro, Alberto Carneiro, José Escada, Cruz Filipe, Ana Hatherly, Eduardo Luiz, Eduardo Nery, Sá Nogueira, Jorge Pinheiro, Joaquim Rodrigo, António Sena, Nikias Skapinakis, Salette Tavares, João Vieira, Pires Vieira l ANOS 60 / SÉC. XIX: José Simões de Almeida, Alfredo de Andrade, Tomaz da Anunciação, Ferreira Chaves, Miguel Ângelo Lupi, Luís de Menezes, Francisco Metrass, António José Patrício, Leonel Marques Pereira, Soares dos Reis, Francisco Resende, José Rodrigues, Cristino da Silva

Cristina Campos