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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Poster da exposição “Les Messagersâ€, patente no Centre Georges Pompidou, Paris.


Vista da instalação “La ballade de Pinocchio à Beaubourgâ€, Fórum do Centre Georges Pompidou, Paris.


Annette Messager, “Ma collection de proverbesâ€, 1974. © Adagp, Paris 2007.


Annette Messager, “Articulés-désarticulésâ€, 2002, detalhe. © Centre Pompidou - Adagp, Paris 2007, fotografia: André Morin.


Annette Messager, “Mes VÅ“uxâ€, 1988-1990. © Adagp, Paris 2007.

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ANNETTE MESSAGER

Les Messagers




CENTRE POMPIDOU
Place Georges Pompidou
75191 Paris

06 JUN - 17 SET 2007


Em 2005, Annette Messager obteve não só o Leão d’Ouro da Bienal Veneza, como o feito de ter sido a primeira mulher a aí representar a França (que este ano se faz novamente desempenhar por uma artista do sexo feminino, Sophie Calle). Figura de proa da cena contemporânea internacional, o Centre Pompidou dedica-lhe neste momento uma exposição de grande envergadura, concebida como um panorama e não como uma retrospectiva, e acompanhada por um magnífico catálogo, co-editado pelas edições Xavier Barral. Messager concebeu ainda uma instalação espectacular para o fórum do Centro Pompidou - bem como o novo cartão dos sócios da instituição, onde um holograma exibe alternadamente “Laissez Passer†e “Laissez Pisserâ€. Intitulada “La ballade de Pinocchio à Beaubourgâ€, a peça visível no Fórum constitui o primeiro contacto do espectador com o universo particular da artista: gigantescos fragmentos de corpos mutilados – entre os quais uma enorme mão, vários seios e uma orelha - oscilam numa espécie de delirante sobe e desce, suspensos por redes negras sobre um mar de almofadas, no meio das quais circula um comboio transportando um pequeno Pinóquio...

Porque Annette Messager preferiu um “panorama†a uma “retrospectivaâ€, a organização da exposição não segue uma ordem cronológica, obedecendo antes a um diálogo criativo entre peças, algumas das quais expostas publicamente pela primeira vez. Antes de penetrarmos na Galeria Sul, somos novamente acolhidos por um estranho bailado, desta feita de bonecos suspensos a uma trilha e intitulado “La Ballade des pendus†(2002). O desfile atribulado de esqueletos desarticulados e, entre outros, peluches estropiados, evoca um poema de Rimbaud, “Le bal des pendus†(1871), glosado inúmeras vezes por poetas e escritores. Mas a instalação é também visível do exterior, nomeadamente a partir local onde, desde há vários meses, se encontram instaladas algumas tendas de sem abrigos. Nada foi deixado ao caso na instalação das instalações – nem na articulação do diálogo expositivo.

O percurso constitui uma magnífica síntese de cerca de trinta anos de actividade. Todos, ou quase todos, os temas tratados por Messager se encontram ilustrados, sejam eles a questão da identidade feminina, característica dos seus trabalhos iniciais (perfeitamente exemplificados pela peça “Ma collection de proverbes†(1974), uma colecção de lenços bordados com provérbios misóginos), ou a dimensão coleccionista e taxinómica da actividade artística (na primeira sala, podemos aperceber “La chambre secrète de la collectioneuseâ€, uma instalação de vários dos seus “Albums-Collectionsâ€). Várias instalações recentes, entre as quais “Casino†(2005), apresentada há dois anos atrás em Veneza, vêm contribuir para a sensação de que esta exposição representa não só uma antologia bem conseguida, mas também – e sobretudo - uma verdadeira consagração, nos vários sentidos da palavra. “Casino†constitui, aliás, o ponto central do percurso expositivo, como se o momento alto de Veneza tivesse sido o ponto de partida para uma exposição que, na realidade, se encontrava já programada antes de 2005. De “Casino†emana, literalmente, o “sopro originalâ€, através das ondulações rítmicas dum imenso lençol de seda vermelho-sangue, diante do qual se apinham os visitantes. O “sopro†parece ser, aliás, um dos mais recentes temas privilegiados pela artista, tal como o amontoado de órgãos ofegantes de “Gonflés-Dégonflés†(2006) sugere.

“Les Messagers†permite-nos assim revisitar alguns dos trabalhos mais conhecidos de Annette Messager, como “Mes Trophées†(1986-1988), por exemplo. Mas, sobretudo, a mostra dá-nos acesso ao universo de uma artista singular, onde a diversidade das estratégias vem apenas acentuar a sensação de estarmos diante duma única personalidade criativa. O universo de Messager, onde bonecos de peluche mutilados e animais empalhados convivem com estranhas criaturas disformes e arquejantes ou com irreconhecíveis objectos recuperados, e onde materiais e técnicas “femininos†(os tecidos, a lã, o bordado, etc.) se associam a estratégias de manipulação textual ou de automatização das peças, é um universo profundamente ambíguo. Se é comum referir a crueldade, a ironia amarga e o lado macabro das peças de Messager, essa leitura não deixa de ser extremamente limitada, excluindo, por exemplo, o aspecto lúdico, quase animista, de algumas peças da artista. Profundamente inteligente e sensível, o trabalho de Annette Messager surge aqui como dificilmente reduzível aos chavões que tentam aprisioná-lo nos termos de uma “arte feminina†ou “feministaâ€, ou como uma prática fúnebre e sarcástica. E é exactamente isso que a exposição “Les Messagers†nos mostra, demonstrando ainda como um trabalho eminentemente pessoal pode integrar algumas das tendências contemporâneas mais gerais e heterogéneas, como o “impulso arquivísticoâ€, por exemplo.




Teresa Castro