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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Retrato de Matthew Barney em “Matthew Barney: The CREMASTER Cycleâ€, Solomon R. Guggenheim Museum, New York, 2003. Foto: David Heald, © Solomon R. Guggenheim Foundation, New York.


Matthew Barney, “CREMASTER 2â€, 1999. Foto: Ellen Labenski, © Solomon R. Guggenheim Foundation, New York. © 2007 Matthew Barney.


Matthew Barney, â€Chrysler Imperial†(detalhe), 2002. Solomon R. Guggenheim Museum, New York. Vista da instalação “all in the present must be transformed: Matthew Barney and Joseph Beuysâ€, Deutsche Gug


Joseph Beuys, “Untitledâ€, 1983. Foto: David Heald, © Solomon R. Guggenheim Foundation, New York. © Joseph Beuys by SIAE 2007.


Joseph Beuys, “Gefleckte Frösche (Freckled Frogs)â€, 1958. Foto: David Heald © Solomon R. Guggenheim Foundation, New York. © Joseph Beuys by SIAE 2007.


Retrato de Joseph Beuys em “Joseph Beuysâ€, Solomon R. Guggenheim Museum, New York, 1979-80, com “Strassenbahnhaltestelle (Tram Stop)†(1976), Nationalgalerie Hamburger Bahnhof, Sammlung Marx, e “Unsch

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MATTHEW BARNEY E JOSEPH BEUYS

All in The Present Must Be Transformed: Matthew Barney and Joseph Beuys




PEGGY GUGGENHEIM COLLECTION
704 Dorsoduro
I-30123 Veneza

06 JUN - 02 SET 2007

Sobre a relação Beuys – Barney

A relação entre Matthew Barney e Joseph Beuys é tão estreita que impressiona quem nunca pensou nela. A exposição é interessante por fazer esse curto-circuito entre duas órbitas paralelas. Além disso é parca e, para dar conta do paralelismo, usa as peças mais semelhantes de ambos os artistas, os seus materiais fetiche, os seus desenhos crípticos, as suas vitrines, as performances, os vídeos, as instalações, os detritos – englobados nas respectivas e distintas (mas estruturalmente semelhantes) filosofias de vida e arte.

Ambos são exactamente o que fazem, personagens de sua própria criação e construção. Vivem ambos uma história mítica e misteriosa e personificam a figura do xamã ou do anti-herói. Beuys toca mais na realidade social; Barney funciona mais no ciber-espaço cinematográfico. Beuys desceu à Terra e Barney aos confins da Terra.

Beuys cria um mito de origem – a história de que foi salvo na Crimeia, após a queda do seu avião militar alemão durante a Segunda Guerra Mundial, por uma tribo de tártaros nómadas, que o envolvem em feltro e banha de animal; Barney produz um mito de criador onde o cinema e os seus cenários veiculam um mundo de personagens assexuadas e híbridas, que existem numa ficção que une bocados do mundo real – paisagens e elementos soltos – a uma espécie de epopeia cyborg, por entre líquidos e às vezes a alta velocidade.

Vi a exposição durante a inauguração da Bienal de Veneza, o que foi um agradável intervalo na situação hiper-estratificada da Bienal. A exposição sobre a relação que se estabelece entre os dois artistas é clara e estruturada. Marca um ponto histórico muito pertinente. Na altura encontrei o curador Delfim Sardo, que me confessou ter proposto esta mesma exposição no início da sua programação como Director do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém, o que acabou por não acontecer – dado que Matthew Barney, à data, ainda não se sentia preparado para a exposição. Esta, a actual, é comissariada por Nancy Spector, comissária-chefe do Museu Solomon R. Guggenheim, e feita em grande parte a partir do espólio do próprio museu.

A exposição “All in The Present Must Be Transformed, ocupa o Palazzo Venier dei Leoni, tradicionalmente dedicado à colecção de Peggy Guggenheim, e investiga os elementos-chave, estéticos e conceptuais da obra dos dois artistas. Do pós-guerra até 1986, Beuys trabalha essencialmente em Düsseldorf, onde é também professor universitário e activista político; Barney é um artista norte-americano contemporâneo dos mais proeminentes. Ambos fizeram uma instalação site-specific para o Museu Solomon R. Guggenheim de Nova Iorque – Beuys em 1979, Barney em 2003 com o “Cremaster Cycleâ€.

A exposição centra-se em três tipos de elementos fundamentais e comuns ao trabalho de ambos – as vitrines, os desenhos e as esculturas; centra-se também no exercício de encontrar nos dois tipos de pensamento, um modernista e o outro pós-modernista, as semelhanças no uso metafórico de matérias em metamorfose e a relação que ambos têm com a performance, a acção directa e a sua documentação. Beuys utiliza símbolos com um ideal terapêutico, enquanto Barney os usa para criar um universo singular, que esteticamente cria um sistema próprio e representa uma cosmologia de energias em potencial.

São as esculturas, na sua complexidade, que criam o corpo central das duas mitologias, a par das acções, dos vídeos e dos desenhos que as estruturam. A escultura de Matthew Barney essencial à exposição é “Chrysler Imperialâ€, que lembra uma máquina destruída da qual se tirou um molde em vaselina. Beuys, com “Honigpumpe am Arbeitsplatz†(Bomba de Mel no Local de Trabalho) (1977), mostra o resíduo da peça que serviu de sistema simbólico às actividades durante a Documenta VI – a peça é agora o que sobrou da instalação que bombeou duas toneladas de mel por tubos que ligaram áreas como a escada à sala de conferências, no intuito de fazer circular calor, energia e criatividade durante os cem dias de conferências, filmes, seminários e activismo social relacionados com a sua Free International University.

Um momento chave da exposição é o vídeo “Field Dressing†(1989), onde Barney interage com uma escultura, mostrando a disciplina do seu corpo atlético em perfeita tensão entre impulsos sensuais e uma resistência perversa e transmitindo a ideia de potencialidade comum a ambos os artistas.


Ana Cardoso