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EXPOSIÇÕES ATUAIS


James Coleman, “So Different... and Yetâ€, 1980. Vídeo instalação. Col·lecció MACBA. Fundació MACBA. Doação Fundació Obra Social “la Caixaâ€. Foto Cortesia: James Coleman. © James Coleman, 2007


Antonin Artaud fotografado por Eli Lotar. 1930. Musée national d’art moderne, Centre Pompidou, Paris. © Eli Lotar, 2007


Daniel Buren, Photo-souvenir: “Couleurs superposesâ€, Acte II 60’, trabalho in situ, Musée Laforêt, Tokyo, 1982 (detalhe). © Daniel Buren, 2007

Simply.it, Milão. © Bruce Nauman, VEGAP, Barcelona, 2007" data-lightbox="image-1">
Bruce Nauman, “Piece in Which One Can Standâ€, 1966. Colección Panza. Foto Cortesia: A. Zambianchi - Simply.it, Milão. © Bruce Nauman, VEGAP, Barcelona, 2007


Jeff Wall, “A Fight on the Sidewalkâ€, 1994. Transparência Cibachrome em caixa de luz. Col·lecció MACBA. Fundació MACBA. © Jeff Wall, 2007


Juan Muñoz, “The Prompterâ€, 1988. Colecção Privada, Madrid. Foto: Kristien Daem. © The Estate of Juan Muñoz, 2007


Samuel Beckett, “Krapp’s Last Tapeâ€, Ca. 1980. Foto Cortesia: Festival d’Automne, Paris (Foto: Steven Vaughan)

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COLECTIVA

Un teatro sin teatro




MACBA - MUSEU D`ART CONTEMPORANI DE BARCELONA
Plaça dels Àngels 1
08001 Barcelona, España

25 MAI - 11 SET 2007


A exposição “Un teatro sin Teatroâ€, comissariada pelos franceses Bernard Blistène e Yann Chateigné analisa a contaminação dos processos das artes cénicas nas artes visuais, assim reflectindo sobre a alteração das práticas e das modalidades artísticas do século XX.

Investigando as influências do modelo teatral na arte moderna e contemporânea, “Un teatro sin teatro†articula-se em dois eixos ideológicos centrais, que servirão como ponto de partida e como linha orientadora de toda a exposição.
O primeiro destes dois eixos sublinha a apropriação, por parte das artes visuais, de processos tradicionalmente associados ao teatro, como o tempo real, a performance enquanto corpo central de uma criação, a acção efémera e delimitada a um determinado período temporal e a criação de acções ou de eventos da tradição popular, como festejos, manifestações e acções de rua.
O segundo eixo da exposição relaciona-se com a interrogação da autonomia da obra de arte: seja na sua capacidade em produzir um discurso e de transmitir ideias (independentemente da sua recepção), seja tomando como exemplo as práticas minimalistas dos anos 1960 que, questionando o primado visual do objecto artístico, lançaram o debate sobre a importância da experiência do público e da inserção da obra no contexto em que é apresentada.

Curiosamente, um elemento central para o desenvolvimento deste segundo eixo é a crítica ao minimalismo realizada por Michael Fried no ensaio “Art and Objecthoodâ€. Neste texto, publicado em 1967 – um momento central para o repensar da obra e do papel do artista – Fried acusa os minimalistas (Morris, Judd, André) de recorrerem a estratégias teatrais, ao criarem objectos neutros que se relacionam com o espaço envolvente e que estabelecem uma relação directa com o público. Assim, a natureza do objecto minimalista torna-se teatral, ideológica e, como tal, profundamente hostil à arte moderna, ao confluir diversos processos, visões e disciplinas que impossibilitam a concretização das “puras artes espaciais†defendidas por Fried. É interessante observar como, ironicamente, este texto crítico acabou por se converter num elemento positivo, central e simbólico do novo estatuto do objecto artístico a partir dos anos 1960.

Será a partir destas duas questões que a exposição interroga e lança inúmeras possibilidades de resposta que – para além de estabelecerem diversas possibilidades de relação entre linguagem e práticas das artes teatrais e aquelas das artes visuais – criam uma interessante versão do desenvolvimento das artes plásticas ao longo do século XX. Desenvolvida ao longo dos dois andares do museu, a mostra analisa estas questões sem uma lógica cronológica.

Iniciando exactamente com o repensar do teatro, para o qual figuras como Artaud, Meyerhold ou Kantor foram extremamente importantes, que o transformou de uma estrutura rígida, dependente de um guião, a manifestações que acentuavam uma maior oralidade, improvisação e presença física do autor no espaço. Daqui se passa de modo evidente à recuperação do teatro primitivo, das marionetas, do circo e do cabaret, extremamente utilizados não só pela reforma teatral das primeiras décadas do século XX mas também como inspiração para construtivistas russos e futuristas.

A exposição prossegue analisando o modo como o teatro invade a cidade, entendida como um enorme palco. Semelhante fusão entre arte, vida e espectáculo recorda Debord e os Situacionistas, mas também as acções de rua (Buren, Fred Forest, Pistoletto, o movimento holandês Provo) e a anulação das fronteiras disciplinares celebradas pelos elementos do movimento Fluxus, que têm um lugar de destaque ao longo de duas salas da exposição. Nestas, observa-se não só a fusão operada entre dança, música, teatro e evento, mas também o privilégio dado à improvisação, à criação de eventos únicos e extremos e à homogeneização entre cultura erudita e popular.

Partindo exactamente desta fusão entre alta e baixa cultura, os comissários estabelecem a ponte com o final dos anos 1970, com Tony Oursler e, sobretudo, com Mike Kelly. Se ambos fundaram o grupo “The Poeticsâ€, será Kelly que se dedicará a analisar os mecanismos e funcionamento da cultura popular através das suas obras, para as quais música, teatro e performance são elementos primordiais.

Passamos então ao segundo andar, onde a mudança dos paradigmas estéticos ocorre sobretudo dentro da reintrodução do narrativo, do efémero, do não contemplativo e do englobante na criação de obras “performáveis†e actuáveis, não só pelos artistas/actores mas também, e sobretudo, pelo público. Além de evidenciada a relação entre os vídeos de Bruce Nauman (como “Slow angle walk (Beckett walk)â€, 1968) e o teatro de Samuel Becket, obras como o estudo para a “Time Delay Room†(1974) de Dan Graham, o vídeo “So Different... and Yet†(1980) de James Coleman (que reflecte exactamente sobre as discrepâncias entre percepção e interpretação, entre som e imagem, forma e conteúdo), alguns dos “Oggetti in Meno†de Michelangelo Pistoletto (como a “Struttura per Parlare in Piediâ€, 1966, ou o “Quadro da Pranzoâ€, 1965) ou as fotografias do artista conceptual argentino Alberto Greco, introduzem a questão da audiência, da necessidade participativa do público e da obra de arte, vista como um dispositivo a ser activado, ao mesmo tempo que reflectem sobre o papel do artista enquanto agente criador ou despoletador de acontecimentos.

Por fim, o filme “World Question Center†(1969), que documenta a performance homónima de James Lee Byars, termina a exposição com uma celebração do artista enquanto actor de si mesmo. Byars, num cerimonial encenado, rodeado de homens e mulheres vestidos com mantos brancos, pede a cem pessoas famosas, entre as quais Cage, Beuys, Broodthaers ou Warhol, para colocarem aquela que para eles é a questão mais importante do momento. O artista torna-se actor de si mesmo, simultaneamente um criador e um receptor e é também um lúcido sobre o mundo ou, tal como afirma Nauman, alguém que “ajuda o mundo ao revelar verdades místicasâ€.

Num momento como o actual, em que se executam constantes reflexões e revisões do passado e em que se recorre compulsivamente ao legado dos anos setenta, “Un teatro sin teatro†introduz uma série de vias possíveis para reflectir sobre a modernidade, propondo o teatro como o principal agente que assegura as promessas de participação da vida real na criação intelectual da utopia moderna.

A exposição seguirá para Lisboa no Outono, onde será visitável nas instalações do Museu Berardo.




Filipa Ramos