Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


"Cores dos Dias da Bastilha". Impressão digital em vinil autocolante e vinil recortado. Vista da exposição "Transitioners" na Galeria ZDB.


"Sistema Figurativo". Impressão digital. 450 x 150 com


"Inquérito Heráldico". Impressão digital sobre slide, projecção.


"Tendências dos Dias da Bastilha, Livro de Tendências". Vídeo, DVD, 5'' 45', loop.


"Pares Dialécticos numa Rede Alinhada", Vinil recortado. 300 x 200 cm.


"CCCC". Impressão digital, 180 x 100 cm; e vinil recortado, 180 x 15 cm.


"Perestroika Offshore" (Vinil recortado. 500 x 300 cm) e "Entente" (Vinil recortado. 500 x 300 cm). Vista da exposição "Transitioners" na Galeria ZDB.

Outras exposições actuais:

ANDRÉ ROMÃO

INVERNO


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

PEDRO CASQUEIRO

DETOUR


MAAT, Lisboa
CARLA CARBONE

HUGO LEITE, ED FREITAS E THALES LUZ

EU SOU AQUELE QUE ESTÁ LONGE


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ANNE IMHOF

FUN IST EIN STAHLBAD


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

COLECTIVA

SOPRO LUMINAR


Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea, Viseu
CONSTANÇA BABO

GERHARD RICHTER

GERHARD RICHTER


Fondation Louis Vuitton, Paris
MARC LENOT

DENILSON BANIWA

CONTRA-FEITIÇO


Galerias Municipais - Galeria Quadrum, Lisboa
BEATRIZ GALARDINI

ISABELLE FERREIRA

NOTRE FEU


MAAT, Lisboa
MIGUEL PINTO

SUSANNE S. D. THEMLITZ

HISTÓRIA NATURAL


Galeria Vera Cortês, Lisboa
MARIANA VARELA

COLECTIVA

ASCENSÃO: VERS LA LUMIÈRE


Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
MADALENA FOLGADO

ARQUIVO:


SOCIÉTÉ RÉALISTE

Transitioners




ZDB - GALERIA ZÉ DOS BOIS
Rua da Barroca, 59
1200-049 Lisboa

23 JUN - 22 SET 2007


Exercícios políticos de optimização social, os projectos desenvolvidos por designers redefinem as modalidades das relações sociais e equivalem-se em poder (numa percentagem máxima de uma escala de eficácia) ao próprio poder instituído. A apropriação dos seus códigos de linguagem e da sua estrutura processual foi tanto mais generalizada pelos artistas quanto mais determinantes se verificaram as lógicas de poder e de mercado relativamente às condições da criação artística. O projecto “Transitioners”, criado pela cooperativa artística Société Réaliste (Ferenc Gróf e Jean-Baptiste Naudy, 2004) como um gabinete de tendências e design prospectivo, dá continuidade a esta genealogia disciplinar alterando porém a direcção vectorial das suas componentes relacionais.


“Transitioners” assume os procedimentos do design e controla-os de forma a entender e desconstruir a complexidade de um evento revolucionário, apresentando-o enquanto produto vendável à luz do liberalismo económico contemporâneo. Garantindo a eficácia de mercado, analisa e toma a Revolução Francesa, a primeira, a mais completa e metastizante das revoluções contemporâneas, como protótipo e catálogo ilustrativo de um receituário formal, para desenhar os modelos de apresentação dos diversos sub-produtos de uma colecção exemplar (“Bastille Days Collection”) para colecções (revoluções) futuras.


A Revolução (transição), enquanto conceito, é aqui esvaziada do seu sentido eminentemente romântico, questionada enquanto categoria central do desenvolvimento histórico ocidental, sendo friamente determinada como simples forma gráfica. Com fórmula sistematizável e reproduzível, “Make a revolution” é a proposta “bricolage” de “Transitioners”. DIY – Do it yourself – é a filosofia do mercado pós-contemporâneo também adaptável à economia das artes plásticas. É a tendência actual de uma série de projectos colectivos europeus que a aplicam em exposições que abordam o micronacionalismo, as nações experimentais, as nações-conceito, as nações maquete, a inteligência colectiva ou as arquitecturas sociais alternativas, e se propõem a analisar, criticar ou inventar os sistemas políticos de amanhã. Geoficções como “Démocratie? Faites-la vous-même!” (Mains d´Ouvres, Paris, 2007), exposição colectiva do festival “Mal au pixel” que “Transitioners” integrou; ou “États (Faites-le vous-même) / Grow your own” de Peter Coffin (Palais de Tokyo, Paris, 2007), constituem respostas, mais ou menos engajadas, aos desenvolvimentos da política global, com paralelos lúdico-virtuais no ciberespaço.


Cínica e paródica, a resposta contida em “Transitioners” é camuflada por uma aparente seriedade científica. A profusão de diagramas cromáticos com elementos estatísticos, insígnias, heráldica, bandeiras (construções visuais do poder político de “todas” as nações), slogans, figuras e atitudes arquétipo (com perfis político-psicológicos que emparelham em gráficos dialécticos), derivam de pesquisas simples ou relacionais em motor de busca, sem constrangimento sobre a fiabilidade e aleatoridade dos resultados obtidos. Ficcional, pseudo-racional e intencionalmente falaciosa, acrescenta ainda a história das revoluções coloridas pós-soviéticas como fenómeno-paradigma da actual euforia/entropia dos sistemas políticos. A cor serve a cosmética e o entretenimento determinantemente aplicados à própria arquitectura de exposição/instalação, contrariando as minimais opções curatoriais anteriores (TRAFO Gallery, Budapeste, Hungria, 2006; Kunstpavillon, Innsbruck, Áustria, 2007; Mains d´Oeuvres, Paris, 2007), ampliando inequívoca e qualitativamente o conceito “Transitioners”. Comissariada por Natxo Checa, a exposição assinala, para além da coerência da linha programática orientadora, um posicionamento actualizado na geografia da produção e reflexão contemporâneas.




Lígia Afonso