Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Tacita Dean, “Human Treasureâ€, 2006. Filme a cores 16 mm, 15 minutos. Cortesia Galerie Marian Goodman, Paris/Nova Iorque e Frith Street Gallery, Londres

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
CATARINA REAL

SUSANA PILAR

NOT ALONE


Galleria Continua (Paris - Marais), Paris
FILIPA BOSSUET

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

21 MINUTES POUR UNE IMAGE


CAPC - Círculo de Artes Plásticas - Sede, Coimbra
CONSTANÇA BABO

WILFRID ALMENDRA

HARVEST


Galeria Municipal de Arte de Almada, Almada
CARLA CARBONE

RITA MAGALHÃES

FACE A FACE – RITA MAGALHÃES E A NATUREZA-MORTA NA COLEÇÃO DO MNSR


Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
MARC LENOT

SUSANA ROCHA

LEAKING BODIES


Plato (Porto), Porto
SANDRA SILVA

ANDRÉ ROMÃO

INVERNO


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

PEDRO CASQUEIRO

DETOUR


MAAT, Lisboa
CARLA CARBONE

HUGO LEITE, ED FREITAS E THALES LUZ

EU SOU AQUELE QUE ESTÃ LONGE


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ANNE IMHOF

FUN IST EIN STAHLBAD


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ARQUIVO:


TACITA DEAN

Human Treasure




GALERIE MARIAN GOODMAN - PARIS
79, rue du Temple
75003 Paris

08 SET - 13 OUT 2007

Tesouros

Em 2006, a artista britânica radicada em Berlim Tacita Dean ganhava o prémio Hugo Boss e concluía, após uma curta residência no Centro de arte contemporânea de Kitakyushu no Japão, um filme de 15 minutos intitulado “Human Treasureâ€. Realizado, como é hábito de Dean, num formato de 16 mm, o filme concentra-se sobre um mestre octogenário de Kyogen - a comédia tradicional japonesa. O que distingue o actor é o facto de constituir um “tesouro humanoâ€, segundo a designação oficial, atribuída apenas aos que tenham atingindo a excelência no domínio das artes tradicionais japonesas.

Decidida a filmar um destes “tesourosâ€, Dean encontrou o seu após vários meses de pesquisa e de negociações complexas: um actor de 87 anos especializado na arte de imitar os animais. Devido ao seu estatuto verdadeiramente “semi-divinoâ€, a artista inglesa viu-se obrigada a conservar uma certa distância, confessando mesmo nunca lhe ter dirigido directamente a palavra e não conhecer o seu nome completo (a saber, Sensaku Shigeyama): para Tacita Dean, tratava-se, simplesmente, “do tesouroâ€. A reverência de Dean é evidente na primeira parte do filme, onde podemos ver Shigeyama, acompanhado pela sua mulher, no decorrer de um dos seus rituais diários: o pequeno almoço continental num hotel de Kyoto. A câmara de Dean detém-se sobre as mãos esclerosadas do mestre e sobre o seu rosto enrugado: paradoxalmente, são estes grandes planos, violando a distância imposta entre os dois, que revelam não só a dimensão humana do “tesouroâ€, mas também toda a sua preciosidade. A lentidão dos movimentos de Shigeyama e a dificuldade com a qual se entrega aos gestos do seu ritual diário transformam-se uma espécie de memento mori subtil e comovente.

Mas Sensaku Shigeyama não é o único tesouro da exposição. O outro é o filme ele próprio, na sua dimensão material. Fiel ao seu formato de eleição, Dean é uma das cada vez mais raras artistas contemporâneas a trabalhar exclusivamente com película, recusando-se a utilizar o formato digital. Na penumbra da sala de projecção, o ruído de fundo do projector e as cores estranhamente datadas e evocativas das imagens funcionam assim como um segundo memento mori. Espécie em vias de extinção, a película revela-se tão frágil e preciosa quanto o octogenário semi-divino do filme. Grande parte do famoso romantismo de Dean repousa, certamente, sobre a matéria hoje considerada obsoleta das suas imagens e a forma como esta se adequa, poeticamente, às suas meditações sobre a passagem inexorável do tempo, ou a magia fugaz de um instante. De certa forma, todos os filmes da artista são como pequenos tesouros, acumulados ao longo dos anos no suporte que durante largas décadas soube, melhor do que qualquer outro, dar corpo às memórias (e aos sonhos) de um século. É por isso que o trabalho de Tacita Dean nos diz mais sobre o cinema do que muitas outras produções contemporâneas, dominadas por estratégias de citação, repertório, homenagem, etc.

A exposição inclui ainda várias fotografias da artista, bem como uma escultura / instalação intitulada “Chalk Balls†(2006).




Teresa Castro