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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Carol Bove, "The Middle Pillar"


Carol Bove, "The Middle Pillar"


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ARQUIVO:


CAROL BOVE

The Middle Pillar




MACCARONE
630 Greenwich Street
New York, NY 10014

27 SET - 27 OUT 2007

COM ESTILO E HISTÓRIA

O trabalho da artista Carol Bove (n. 1971, Berkeley, Califórnia), actualmente presente na galeria Maccarone em Manhattan, é um híbrido entre a escultura, a instalação e a nossa memória colectiva. Há uma estranheza na heterogeneidade dos trabalhos expostos, que surpreendentemente se explicam entre si e formam um núcleo compacto de trabalho ecléctico e referencial desta artista sediada em Nova Iorque.

Bove investiga as formas possíveis de olhar uma peça, uma obra de arte, uma sala e refere estilos que reconhecemos no gosto modernista das décadas de 60 e 70. Ao circular pela sua exposição, “The Middle Pillarâ€, temos a sensação de estar no apartamento de um coleccionador, algures numa penthouse da 5ª Avenida onde impera o gosto retro por peças sucedâneas de Brancusi ou Frank Lloyd Wright, presente nas esculturas elegantes e abstractas em bronze polido ou nas placas de cimento que criam divisórias espaciais. Há estantes com poucos livros sobre assuntos diversos – sociais, poéticos ou espirituais – e nas estantes há reproduções ou imagens de obras da arte moderna, retiradas ao imaginário do séc. XX – rostos, peças abstractas.

As estantes de Bove são a sua imagem de marca, são as peças que aparecem nas exposições de grupo e que resumem as suas intenções – uma escultura que é uma estante com objectos que poderíamos talvez tocar, mas que acabamos apenas por contemplar – há uma enorme beleza na simples leitura dos títulos e autores de um livro, na observação das lombadas, na imaginação dos conteúdos e no resto dos objectos subtilmente compostos nessas estantes, lado a lado. Com uma mensagem muito simples relativa a um humanismo onde o estilo e os invólucros criam contextos ou espaço para contextos – os quais se revelam misteriosos. Bove quer sem dúvida lembrar-nos os livros, a leitura, a utopia modernista na clareza das linhas e dos materiais – o fundamento social do projecto modernista que foi difundido em todos os campos das artes durante as décadas de 1960 e 1970.

A exposição, ao preencher toda a galeria com este jogo do tempo e do autor, é toda ela uma composição onde a História, sob vários formatos, mostra peças de C.B. e de outros artistas e cria um cenário caótico onde dialogam obras contemporâneas e do passado.

Há uma espécie de intimidade em cada peça que observamos, quer na subtileza formal, material ou do subtexto. O método de Bove e a presente instalação elegem a intuição em detrimento da racionalidade, visto que há uma predominância sensorial não só no ambiente em geral, como em todas as relações que esse ambiente cria com o cenário onde entramos. A sequência dos elementos singulares da exposição, sendo embora distintos – penas de pavão, plintos de bronze, tábuas de um cais, blocos de cimento, malha metálica, troncos de madeira – é que forma, numa associação espacial, táctil e magnética a construção do todo. Há também pinturas de inspiração oriental com odaliscas ou apenas mulheres nuas com enorme pormenor decorativo, de Wilfred Lang (1915-1994), pintor praticamente desconhecido de São Francisco e coleccionado pela avó de Bove; uma escultura de parede feita de modo geométrico e simétrico, com um fio que une um conjunto de pregos; uma reprodução de cromeleques ao lado da imagem de uma cadeira de design com o universo por trás, directamente na parede (assemblage vanguardista de Bruce Connor, “September 13, 1959â€); uma frincha por onde entramos e onde duas paredes convergentes, cobertas de espelhos criam a ilusão de um espaço circular e infinito; e uma escultura de tecto que recria uma carta astral (“The Night Sky Over New York, October 21, 2007, 9:00 pmâ€), composta por um grupo denso de inúmeras tiras de bronze, pendentes e delicadas e com alturas diferentes, que cria uma nova dimensão espacial à entrada da galeria e no conjunto de ritmos e encontros que é “The Middle Pillarâ€.
Onde a arbitrariedade é propositada e fatal, onde o rigor e a precisão da prática repetitiva, de colecção e de arquivo coexistem com uma atitude quase de anti-autor.




Ana Cardoso