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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Hiroshi Sugimoto, “Anne Boleynâ€, 1999


Hiroshi Sugimoto, “Union City Drive-Inâ€, Union City, 1993


Hiroshi Sugimoto, “Lake Superiorâ€, Cascade River, 1995

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ARQUIVO:


HIROSHI SUGIMOTO

Hiroshi Sugimoto




K20 GRABBEPLATZ - KUNSTSAMMLUNG NRW
Grabbeplatz 5
40213 Düsseldorf

14 JUL - 06 JAN 2008


Imaginem que reconheciam ao mesmo tempo os retratos da corte de Henrique VIII pintados pela mão de Hans Holbein, o moço e as recriações destes mesmos retratos pelo museu de cera Madame Tussaud. E imaginem agora que reconheciam tudo isto, olhando para sucessivas fotografias a preto e branco reproduzidas em grande escala. A sensação é que os mortos saltaram da tumba e que as pinturas de retrato dos nossos livros de história de arte fugiram da sua distância contemplativa. Pensamos que o que olhamos, mais que fantasmas, são pessoas prestes a tocar-nos a qualquer momento. É curioso que justamente a técnica fotográfica, tida como objectiva, nos possa fazer acreditar acordados numa tal ilusão. Isto porque, a insistência no próprio real só pode, no seu ponto de saturação, desfocar até ao roçar de uma outra fronteira. Não será isto, uma tarefa da arte; mais que descobrir, desassossegar dentro dos limites do conhecido? Assim, abria numa das primeiras salas, a exposição de Hiroshi Sugimoto, fotógrafo japonês radicado desde longa data nos E.U.A, patente no museu De Young de São Francisco, até 26 de Setembro passado.

Mais adiante, uma foto do “Chrysler Building†ou outra do antigo “World Trade Centerâ€, exploram outro tipo de limite. A arquitectura destes edifícios desce da sua esmagadora imponência, do seu modernismo despojado, a uma escala humana que sempre tentou escapar. Este é o efeito de um trabalho de descaracterização provocado pela mancha e pelo desfoque. Por um lado, como menciona o próprio fotógrafo, as linhas de força dos edifícios não se desfazem. Por outro, o que se torna significativo, é que em vez de tais intervenções suscitarem a distância, fragilizam pelo contrário o objecto, no sentido de o humanizarem.

Quando Sugimoto fotografa a própria tela branca das salas de cinema e drive-ins, quebra no sentido oposto, as fronteiras do limite do conhecido como veículo de evasão e sonho. A ideia não parte contudo de uma tela de cinema que proporciona um desenrolar, mas surge como resultado do devorar acelerado do próprio filme. Este resultado faz retornar a projecção à condição de dispositivo, não no seu início em que o branco da tela é baço mas, quando o filme se satura ao ponto de ser uma luz resplandecente, quando o sonho se mascara de uma vida em ribalta.

Ao longo da exposição a câmara de Sugimoto leva-nos a percorrer domínios heterogéneos. Numa das salas impõem-se fotografias de estranhos objectos, produto de fórmulas matemáticas. O nosso olho abre e transforma-se numa roldana, aguça-se na direcção de uma aresta, interfere com o cérebro no entendimento de um cálculo e acompanha as curvas dos volumes cobiçando as partes ocultas. E é aí que o olho fotográfico revitaliza o aparentemente desinteressante. No jogo de claro-escuro; no extrair de uma forma estranha o valor único; e finalmente, no próprio elogiar do engenho.

Num registro totalmente oposto, numa parede de vários metros de comprido afundada num breu imenso surgem suaves focos de luz. Trata-se de fotos quase minimalistas, onde uma linha do horizonte divide céu e mar. Desde o Lago Superior ao Mar Tirreno, do Norte Atlântico ao Pacífico Sul, o mundo resume-se a pares de tons de cinzento impressos em gelatina de prata. Após décadas de uma profunda investigação sobre a cor, a recente arte contemporânea dignifica a mais desconsiderada das cores. E mais que uma homenagem ao cinzento, Sugimoto apresenta uma obra impar unindo o mínimo ao sublime.

Sem dúvida uma das melhores exposições de fotografia de sempre, agora também presente no continente europeu. Até 6 de Janeiro de 2008, uma oportunidade única a não perder, em Dusseldorf, no K20 do Kunstsammlung Nordrhein-Westefallen.




Nuno Lourenço