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COLECTIVACentre Pompidou Novos Media 1965-2005MNAC - MUSEU DO CHIADO Rua Serpa Pinto, 4 1200-444 Lisboa 19 OUT - 06 JAN 2008 A compreensão das principais caracterÃsticas evolutivas das artes plásticas e visuais contemporâneas implica, invariavelmente, um olhar aos últimos quarenta anos de produção artÃstica e, consequentemente, a verificação da importância dos cruzamentos de géneros e hibridez dos media e suas linguagens. Compreender o panorama artÃstico actual e, nomeadamente, as condições técnicas e tecnológicas que favoreceram ou condicionaram e experimentação de determinadas soluções de materialização estética, conduz-nos a um território de reflexão que tem por epicentro a assimilação, pelas artes, do vÃdeo, enquanto media especÃfico de produção artÃstica. Para essa reflexão contribuÃram certamente as utilizações pioneiras do vÃdeo enquanto metodologia de registo de performances, em que os artistas gladiavam os limites de abordagem do próprio corpo, quer o seu, enquanto emissário da experiência, quer o do espectador, agora submetido a condições de experiência que, não só impunham novas categorias de fisicalidade e recepção, como definiam ainda novas possibilidades de construção narrativa. Obras cujo processo de fruição se encontra armadilhado pela relação arbitrária da fisicalidade do espectador são, invariavelmente, designadas de Instalação e, neste caso concreto, de Instalação vÃdeo e uma das particularidades distintivas de uma outra forma de utilização do vÃdeo pelas artes é a cumplicidade com a individualidade espacial do espectador e sua liberdade de construção narrativa. Numa outra acepção, a linearidade narrativa da utilização do vÃdeo pelas artes interpõe-se a uma lógica de recepção cinemática e o tipo de relação espacio-temporal estabelecido é substancialmente diferente. Em ambos os casos, a utilização do vÃdeo pelos artistas tem constituido um dispositivo de autocrÃtica e reflexão tecnológica do/no suporte em que o mesmo é produzido. Até Janeiro, o Museu do Chiado–MNAC apresenta um conjunto de trabalhos que permite revisitar alguns dos artistas que mais significativamente problematizaram essa relação conturbada e desafiante entre a arte e os novos meios tecnológicos de produção e exibição, relação essa cujo inÃcio remonta à s décadas de sessenta e setenta. Christine Assche, curadora-chefe do departamento dos novos media do Centre Pompidou de Paris, organizou a exposição “Centre Pompidou, Novos Media†a partir de uma colecção iniciada pelo Centre Pompidou em 1976, com o objectivo de reunir, precisamente, um universo significativo de obras que reflectissem as novas linguagens artÃsticas e tecnológicas que desde então passavam a ser também ferramente de trabalho e forma de expressão das artes plásticas e visuais. Dessa colecção, que conta actualmente com mais de 1200 trabalhos, foi concebida uma mostra que traz a Portugal nomes como Bill Viola, Bruce Nauman, Chris Marker, Dan Graham, Dara Birnbaum, Douglas Gordon, Gary Hil, Jean-Luc Godard, Marcel Odenbach, Martial Raysse, Matthieu Laurette, Nam June Paik, Peter Campus, Pierre Huyghe, Samuel Beckett, Stan Douglas, Tony Oursler, Valie Export e Vito Acconci. Apenas 19 os artistas no MNAC e apenas 23 as obras mostradas, mas a importância deste conjunto para a compreensão do vÃdeo (e instalação vÃdeo) enquanto capÃtulo recente da História da Arte é inquestionável. O percurso expositivo desenvolve-se segundo quatro blocos temáticos principais (“Para uma televisão imagináriaâ€, “Questões de identidadeâ€, “Do vÃdeo à instalação†e “Pós-cinemaâ€) e esta, sendo uma divisão simplificada, permite enunciar questões centrais de um debate sobre esses “novos mediaâ€, enriquecido pelo contributo de áreas aparentemente distintas como o teatro, o cinema ou as artes plásticas. De resto, e considerando a exiguidade do espaço expositivo do Museu do Chiado e a especificidade que a instalação deste tipo de obras sempre acarreta, seria difÃcil conceber um formato muito diferente do adoptado, sem que para tal não se sacrificassem algumas das obras expostas; sendo itinerante, o conjunto de possibilidades combinatórias da actual exposição estaria, à partida, salvaguardado. Ainda assim, e face ao tempo de exibição/recepção que algumas obras impõem, alguns pontos estratégicos da circulação requerem uma disponibilidade (fÃsica) acrescida, superada pela avidez de descobrir ou revisitar trabalhos fundamentais para uma história crÃtica dos “novos mediaâ€.
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