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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Santiago Serra “Door Plateâ€, Edition Schellmann, Munique, Alemanha. Abril 2006


Santiago Serra, “Four Black Vehicles with The engines Running inside an art galleryâ€. Sala Mendonza. Carcaas, Venezuela. Fevereiro 2007


Santiago Serra, “Concert for a Diesel Electric Plantâ€, Chacao Founadatin`s Experiental Room. Caracas, Venezuela. Fevereiro 2007


Santiago Serra, “21 Anthropometric modules made from human Faeces by the people of Sulabh Internationalâ€, Ãndia, Nova Deli/Jaipur, Ãndia 2005-2006

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SANTIAGO SIERRA

New Works




LISSON GALLERY - 52-54 BELL STREET
52-54 Bell Street
Londres NWI 5DA

30 NOV - 19 JAN 2008


Ao chegar à Lisson Gallery, o espaço parece fechado, com as grandes portas de vidro totalmente tapadas com papel preto e sem qualquer aviso da existência de uma exposição a decorrer no seu interior. Uma vez aberta a porta, a sensação mantém-se: sem qualquer iluminação que não seja a luz do escritório, ao fundo das escadas que dão acesso ao piso inferior, a galeria parece estar abandonada à nossa presença. Pelo chão, tubos negros de plástico, como de um grande aspirador, enchem o pavimento de modo desordenado, juntamente com pedaços de caixas de cartão amontoadas aqui e ali. Um estranho cheiro a poluição, a bomba de gasolina encerrada durante demasiado tempo, torna-se cada vez mais forte e identificável. Umas letras em vinil, ao fundo da parede do espaço central, revelam tratar-se da re-encenação de uma performance realizada pelo artista espanhol Santiago Sierra (Madrid, 1966) na Sala Mendonza, em Caracas, Venezuela, neste mesmo ano, “Four Black Vehicles with the engine running inside an art galleryâ€. A projecção adjacente, fornece as imagens da mesma instalação e nela vemos os quatro automóveis, colocados dentro do espaço de uma galeria de arte, com o escape unido pelos mesmos tubos que agora se encontram espalhados aos nossos pés e que conduziam ao exterior do edifício venezuelano, contribuindo para o índice de poluição de uma cidade com enormes problemas ambientais. Num momento em que as questões ecológicas são prioritárias e ocupam o primeiro plano em qualquer discurso politicamente correcto, ou mesmo incorrecto, parece um pouco despropositado este trabalho sobre a modernidade e o seu bem estar, mesmo tendo em conta o elevado grau de cinismo que caracteriza o coerente percurso do artista que representou Espanha na Bienal de Veneza de 2001.

Desenvolvendo toda a sua obra através da recorrência e apropriação de elementos formais oriundos da imagética minimalista, mas carregados de simbologia e ideologia política a-moral, Santiago Sierra gera reflexões sobre complexas questões sociais ao nutrir e perpetuar a sua problemática. Se muita da arte política tende a degenerar na estetização dos elementos que pretendia denunciar, no caso particular de Sierra, assistimos a um processo que utiliza as mesmas estratégias de exploração e nas quais o artista não é mais do que um mero intermediário entre os agentes de uma enorme e incontrolável problemática à escala mundial. Talvez por isso mesmo, a mestria de toda a exposição reside exactamente no profundo vazio ideológico e num certo sentimento de luto pela própria humanidade que Sierra nos oferece.

À primeira vista, a outra grande obra em exposição, na segunda sede da Lisson Gallery, tem um aspecto formal que oscila entre as criações de Joseph Beuys, e uma estética depurada de profundas raízes na Arte Povera. Vinte e um paralelepípedos de grandes dimensões, colocados verticalmente em relação ao solo, como se se tratassem de lápides alinhadas geometricamente dentro das caixas de madeira e feltro cinzento usados para o seu transporte, dão um aspecto soturno e melancólico ao geralmente asséptico espaço da galeria. Nada, salvo o seu título, denuncia a proveniência do material utilizado para a criação destes enormes rectângulos: “21 Anthropometric modules made from human faeces by the people of Sulabh International, Indiaâ€. Num segundo, toda a poesia formal se desvanece para dar lugar a um forte sentimento de repugnância, exagerado pela forma morbidamente meticulosa com que o artista descreve as condições em que esta obra foi encomendada e produzida. Se Manzoni reflectia sobre o sistema da arte, com a sua “Merda d’Artista†(1961) vendida em latas, exaltando as potencialidades criativas do artista, capaz de transformar em ouro tudo aquilo em que toca e sugerindo que qualquer criação poderia ser legitimada e entrar dentro do circuito oficial se elaborada dentro de determinados cânones, Sierra oferece-nos um produto tão complexo quanto pobre, em que a curiosidade e mistério dão lugar ao relato sórdido de aventuras capitalistas pelos meandros do Terceiro Mundo empobrecido pela exploração. E, de repente, o seco e imponente teatro de lápides magistralmente encenado pelo artista, torna-se palco de imagens de exploração e de diversão artística tão ingénua quanto arrogante.

A provocação directa das obras do final dos anos 1990/inícios de 2000, deu lugar à reflexão complexa e intrincada sobre os mecanismos do capitalismo, os mesmos que, contudo, quando aplicados ao mercado da arte contemporânea, permitem ao artista realizar este tipo de produções internacionais em grande escala. Sierra deixou de agir e de querer ver agir, para encomendar por catálogo e controlar à distância. Tornando-se, deste modo, no exemplo perfeito da nossa era pós-capitalista, desprovida de ideais. E esta atitude não intencional torna-se, assim, na mais valia de toda esta exposição.



Filipa Ramos