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EXPOSIÇÕES ATUAIS


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COLECTIVA

Prémio EDP Novos Artistas




CACE CULTURAL DO PORTO (CENTRAL DO FREIXO)
Rua do Freixo
Porto

17 NOV - 20 JAN 2008


A sétima edição do Prémio EDP Novos Artistas, comissariada por Nuno Crespo, João Pinharanda e Delfim Sardo, está em apresentação na antiga Central Eléctrica do Freixo, no Porto até 20 de Janeiro e já tem vencedor: André Romão. O júri constituído por José Manuel dos Santos (Director Cultural da Fundação EDP), Manuel Costa Cabral (Director do serviço de Belas-Artes da Fundação Calouste Gulbenkian), João Queiroz (galardoado em 2000 com o Prémio EDP de Desenho), Claude Bussac (Presidente da Photo España) e Adam Budak (Comissário da Manifesta 2008) decidiu com parcimónia entregar os € 10.000 a André Romão, que, nascido em 1984, é o mais jovem dos 9 artistas em exposição.

Pela primeira vez o Prémio EDP Novos Artistas resultou de um concurso público que veio substituir a prática do convite directo, ao qual concorreram cerca de 400 artistas, dos quais foram seleccionados para além do premiado, André Cepeda, Mónica Gomes, Daniel Melim, Fernando Mesquita, o colectivo Pizz Buin, Mafalda Santos, André Sousa e Gustavo Sumpta.

Contrariamente às edições anteriores que decorreram em espaços de cariz institucional, a de 2007 optou por um complexo industrial dos anos 60 constituído por 3 grandes pavilhões ligado à própria história da EDP e que actualmente aloja o CACE (Centro de Apoio à Criação de Empresas).

Ocupando na totalidade as 3 áreas, a exposição apresenta um vasto conjunto de trabalhos desenvolvidos a partir de diferentes media e abordagens discursivas que na sua grande maioria gravitam em torno de alguns capítulos das histórias da arte contemporânea, como sejam: o site-specific, a crítica institucional, o apropriacionismo ou ainda as reformulações da fotografia pós-conceptual de 1980’s, propondo-lhes algumas derivas.

André Romão apresenta uma instalação constituída por duas partes, “Campo de’Fiori (Parte I – o estádio iluminado)” e “Campo de’ Fiori (Parte II – monumento à unificação)” que remete para a história da unificação italiana, assim como para a praça onde o filósofo Giordano Bruno foi queimado vivo. Enquanto a primeira parte consiste na transformação do espaço num estádio iluminado por 4 projectores suspensos em estruturas de ferro elevadas e que aguarda a sua ocupação; a projecção vídeo, que aparece na segunda parte, documenta uma performance de Francisco Camacho, que se mantém imobilizado de costas para o observador, amachucando uma folha de papel com uma mão, enquanto outras se espalham em seu redor. Esta tensão suspende o limiar do agir como acto heróico, enfatizada pelo título e divisão dos dois espaços da instalação que o visitante percorre.

No mesmo pavilhão, Gustavo Sumpta apresenta a instalação “Se roubei foi porque tinha fome”, que se distribui entre o interior e o exterior do espaço expositivo. Se no interior, o artista tira partido do geometrismo do chão e levanta as lajes deixando-as na posição vertical para criar um jogo perceptivo que se materializa em composições tridimensionais, interferindo com a passagem e movimentos do visitante, no exterior ao arrancar as pedras da calçada empilha-as num gesto caótico. Estamos perante um trabalho que procura enfatizar os constrangimentos da experiência quotidiana determinada pela arquitectura funcional, suas formas e ideologia, mas que não consegue romper com o seu próprio formalismo.

Para “The Greatest Show on Earth”, Mafalda Santos pintou na parede do pavilhão um felino e a palavra circus, apenas adivinhada. A apropriação da iconografia da tatuagem é submetida a uma escala invulgar para interrogar a redução da arte à condição de concurso e de entretenimento. Em última instância não presidirá uma “razão cínica” à ironia deste trabalho?

André Sousa ocupa a primeira zona de um outro pavilhão com uma vasta instalação que descontextualiza as formas da arquitectura moderna do próprio espaço, estabelecendo simultaneamente articulações com a história da arte.

Na continuidade dos discursos da crítica institucional e do apropriacionismo, que surgem nas décadas de 1960 e 1980 respectivamente, o “Projecto Casa” do colectivo Pizz Buin (constituído por Irene Pereira de Sá, Sara Morgado dos Santos e Vanda de Jesus Madureira) consiste na decoração das divisões de uma apartamento com réplicas de obras famosas de Velázquez a Raymond Pettibon, estabelecendo uma paródia às noções de originalidade, autoria, instituição, recepção e mercado. O que mais surpreende neste trabalho é a ideia de excesso e de compulsão integradas numa estratégia de citação à qual se alia uma forte componente performativa que leva as artistas a viverem na casa e a conviverem com todas as réplicas durante o período da exposição, mas que tem alguma dificuldade em acrescentar sentido ao cenário meticulosamente bem concebido.

No pavilhão central, Mónica Gomes apresenta uma instalação constituída por projecções de slides e filmes à qual acrescenta um elemento escultórico, utilizando sistemas mecânicos obsoletos para pensar o tempo e a memória num registo biográfico. Destaca-se a peça “38 instantes em linha recta”, onde 38 diapositivos são projectados em sobreposição de forma a entrecruzar as dimensões do presente e do passado numa malha temporal. Colocados num carril móvel andam para trás e para a frente nesse sentido para o qual o título aponta, o sentido que já liberto de uma ordem cronológica ou circular permite ao tempo “sair dos seus eixos” e derivar.
Ao lado, Daniel Melim, expõe um conjunto de 136 desenhos rigorosamente instalados em várias vitrines que incluem trabalhos à vista, anotações, esboços, e desenhos colectivos que representam motivos da natureza vegetal ou de espaços interiores.

Outras duas participações a salientar são a de Fernando Mesquita e a de André Cepeda. O primeiro expõe duas obras, uma pintura com linhas paralelas que atravessam a tela horizontalmente sem nenhuma inscrição e vários bancos espalhados ao longo da exposição com auscultadores sem som pousados. Por sua vez, André Cepeda traz uma série de 10 fotografias a cores de médio formato, na qual tem vindo a trabalhar há já dois anos, e que corresponde a um registo de paisagens, recantos, espaços urbanos abandonados e lugares de passagem, que assumem a forma de um itinerário não localizável.

A exposição consiste na apresentação e divulgação de artistas muito jovens, que na sua maioria, recentemente saídos da faculdade, trazem, talvez por isso, trabalhos circunscritos a referências já estabilizadas pela própria história. No entanto, os caminhos começam agora e certamente encontrarão singularidades.




Sofia Nunes