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ARQUIVO:


ANTÓNIO DACOSTA

António Dacosta




MUSEU DE SERRALVES - MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua D. João de Castro, 210
4150-417 Porto

08 ABR - 09 JUL 2006

O regresso à pintura de António Dacosta ou de como os gregos se divertiam com os deuses que tinham

Até ao próximo dia 9 de Julho de 2006 estará patente no MAC de Serralves a exposição “António Dacosta”, comissariada por João Fernandes. Confrontada com as duas últimas grandes retrospectivas da obra de Dacosta, realizadas ambas em 1988 (ainda em vida do autor) – uma no CAM da Gulbenkian e a outra em Serralves –, a presente exposição, antológica, apresenta, além de um número significativo de trabalhos inéditos (na maioria, pequenos formatos), realizados entre 1928 e 1990, uma perspectiva particular sobre a obra de Dacosta, adoptando por referentes o seu “regresso à pintura”, em meados da década de 70, e o comércio criativo que, por razões biográficas ou estéticas, estabelece com diferentes autores seus contemporâneos (os amigos), convocados numa exposição paralela que serve de antecâmara à reflexão sobre Dacosta.

Organizada por núcleos temáticos – entre os quais se destacam as séries “açorianas”, “fontes de Sintra”, “Tau” e “assinaturas” – desfazendo assim o sentido linear do tempo, a exposição visa problematizar as determinações do “vazio central”, da “ilha nuclear” da inexistência de produção pictórica entre o fim de 40 e o fim de 70, a que alguns críticos se referem como metáfora de um centro inacessível na obra de António Dacosta. Para isso, e porque como esclarece Dacosta “uma ilha é uma coisa sem orientação precisa” em cujo interior se verifica uma compressão terrível, “de meter medo” que “pode não ter nada a ver com a pintura, mas tem a ver certamente com a cultura”, as relações com o Surrealismo e os diálogos com o Cubismo, com Dada e com o Abstraccionismo, embora indiciem um enquadramento histórico-conceptual, são apenas esquematicamente esboçadas, propondo-se, pelo contrário, um centro de gravidade materialista, paradoutrinário (e de certo modo parapictórico) que, como refere João Fernandes, longe de monumentalizar a condição pictórica, revela a experimentação, as dúvidas, os apontamentos, os erros e as aferições que são afinal o breviário dos processos do fazer e do pensar.

Mas “a nostalgia do paraíso engendra monstros” e o museu padece, como é sabido, da doença de Midas: “tudo o que tem sentido sofre de falta de realidade”, vaticina o pintor num dos seus aforismos. Por isso, propondo uma perspectiva paradoxal sobre o trabalho de Dacosta – na medida em que se reúnem e organizam os apontamentos marginais àquela que tem vindo a ser considerada a ossatura estrutural e periodológica da obra do autor (recordemos o esgotamento do visionarismo surrealista, o expressionismo, o informalismo, as tensões entre figuração e abstracção) – a exposição de Serralves arrisca uma perspectiva sobre os fragmentos que constituem a ruína de uma construção que nunca se completa – “o paradoxo é aquilo que se quer dizer nunca é aquilo que se diz” – sem incorrer no desejo, porventura infundado, de produzir uma sistematização, pois se “ser um é ser santo”, não é certo que a santidade tenha alguma vez convido a António Dacosta.


António Preto