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CARLOS ROQUEStratocasterGALERIA PRESENÇA (LISBOA) Rua de Santo Amaro, 47 1200-801 Lisboa 19 JAN - 01 MAR 2008 Na sequência de “Mixtape Series Vol.2â€, Carlos Roque regressa a Portugal com uma nova exposição individual intitulada “Stratocasterâ€, em apresentação na Galeria Presença, em Lisboa. A par das suas passagens pontuais por Portugal, Roque tem exposto com regularidade, nomeadamente nos EUA onde actualmente vive e trabalha. Pertencente a uma geração de artistas que se afirmou na segunda metade da década de 1990, Carlos Roque tem desenvolvido, desde então, um trabalho centrado em torno da cultura urbana, onde a presença de signos decorrentes da banda desenhada ou da música rock se fazem sentir de forma sistemática, não sendo de estranhar dada a sua participação em diferentes projectos musicais, entre os quais se encontram Tone Scientists, formado em 1996 também por Rui Toscano e Rui Valério. A aproximação das artes visuais à música não constitui, no entanto, nenhum dado novo e ao longo de todo o século XX é possÃvel identificar diversos casos que realçam esse mesmo contacto, apesar das propopostas estéticas entre si não serem necessariamente partilháveis. Assim, destacam-se os filmes sonoros de técnica cut-and-paste de Kurt Schwitters, as gravações sonoras em tempo real de Pierre Schaeffer, as pinturas de Oskar Fischinger, os concertos de Exploding Plastic Inevitable/Velvet Underground organizados por Andy Warhol ou os seus retratos de cantores famosos, os happenings musicais de Nam June Paik, os trabalhos de Dan Graham ou, mais recentemente, os desenhos de Raymond Pettibon. Os exemplos são inesgotáveis, mas talvez o que importa aqui perceber é o modo como Carlos Roque participa nesta arqueologia visual e sonora. Se, por um lado, estamos perante um trabalho que repõe a articulação entre estas duas linguagens, por outro essa repetição parece existir para a partir dela se produzir uma diferença. Carlos Roque não se limita a representar elementos pertencentes ao universo da música rock, nem o seu trabalho é apenas resultado de uma influência desse mesmo universo. As guitarras, os amplificadores ou as colunas aparecem antes como material e objecto de produção do seu trabalho, sendo utilizados em complexas instalações sonoras que, ao incorporarem diversos dispositivos mecânicos, funcionam autonomamente em relação ao sujeito. Prática esta que antecipou parte da produção artÃstica desta última década e, em particular, o trabalho de Marc Bijl ou Banks Violette que, ao lado de outros, recuperam o legado do death metal. “Stratocaster†a obra central da exposição, consiste numa instalação de dois painéis contendo ambos duas fenders strats incorporadas, instrumento aliás que tem ocupado um lugar central nos seus trabalhos. Ao entrarmos na sala, ouvimos um acorde continuado sem sair de afinação produzido pela acção de onze ventoÃnhas instaladas no painel prateado e que, por sua vez, é emitido pelas dez colunas que se encontram no painel vermelho. A presença do amplificador à frente deste último painel, provoca, como se advinha, um efeito de feedback intenso. No entanto, e apesar das guitarras estarem integradas nos paineis, as respectivas cordas estão à superfÃcie e o acaso pode a qualquer momento surgir com a interacção do observador. Carlos Roque criar aqui um estimulante sistema de trocas no seio de regimes de signos provenientes de campos distintos e que, ao serem fundidos nesta instalação produzem um deslocamento constante do sentido e simultaneamente uma destituição da fronteira entre os media. Nesse sentido, podemos identificar na sua obra uma experiência da redistribuição indicidÃvel das formas e dos tempos, das imagens e dos signos que Rancière fala. A exposição apresenta ainda duas pinturas intituladas “Voyager#8†e “Voyager#9†onde delas surgem paisagens urbanas predominante gráficas que nos rementem para uma linguagem da banda desenhada e nos transportam para um curioso universo ficcional.
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