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COLECTIVATate Triennial 2006: New British ArtTATE BRITAIN Millbank London SW1P 4RG 01 MAR - 14 MAI 2006 Apropriação e repetição são os temas basilares da Tate Triennial de 2006. Comissariada por Beatrix Ruf, a actual directora do Kunsthalle de Zurique, esta é uma exposição que ao pretender reflectir sobre o presente, nos faz antever um futuro feito de déjà -vus. A primeira impressão que se tem ao entrar na exposição, que ocupa uma pequena parte da Tate Britain, é a de voltarmos aos anos 40. Tanto as esculturas inspiradas em Degas de Rebecca Warren, como as três colunas de pedra com inscrições de Ian Hamilton Finlay, como a instalação com mobiliário de Marc Camille Chaimowicz e os objectos de design, sobretudo cinzeiros com uma aparência Art Deco, de Nicole Wermers nos transmitem esta sensação de regresso ao final da Modernidade. A ideia de que olhar para as vanguardas através da lente do presente aporta novos significados, e enriquece os seus conceitos e as criações, desenvolvida por tantos autores como Krauss (“The Originality of the Avant-Garde and Other Modernist Mythsâ€) e por Foster (“Return of the Realâ€), surge como o eixo teórico central a todo o conceito da mostra, mas acaba, em alguns casos, por reduzir muitas obras e artistas profÃcuos a uma inevitável ligação ao passado. É o caso de Douglas Gordon, cuja frase invertida niaga revo lla degnahc sah gnihton (nothing has changed all over again, “Letter unsent No 13â€, 2005), à entrada do principal espaço expositivo, nos remete para um contÃnuo retorno ao que já foi. O mesmo sucede com as “Twelve Angry Women†(2005) de Jonathan Monk, artista que elabora com inteligência e humor uma abordagem irreverente à arte conceptual e que, integrado neste contexto, surge como um apropriacionista, ao utilizar pequenos desenhos dos anos 30 sobre os quais coloca pionaises coloridos. Talvez a principal falha da Triennial seja a de colocar sob um mesmo olhar obras e artistas tão diversos e que trabalham questões e formas recebidas de modos tão dÃspares; se deixarmos de lado as questões teóricas, há obras, que em si, são extremamente interessantes, como é o caso do vÃdeo “Wintergarden†(2005) de Daria Martin, que carrega a arquitectura fria e modernista do pavilhão De La Warr com as tensões e o forte peso emocional de uma encenação feminina do mito de Persefone. O vÃdeo “Pilgrimage from Scattered Points†(2006) de Luke Fowler é uma excelente descoberta: utilizando a forma do documentário e recolhendo materiais de arquivo e entrevistas, o artista reflecte sobre o compositor britânico Cornelius Cardew (cuja orquesta de vanguarda celebrava o ‘anyone can play’), e re-avalia os agentes de contra-cultura da Modernidade e a sua real eficácia. Interessantes são ainda os trabalhos de Muzi Quawson, “Pull Back the Shadeâ€, 2002-2006 (tÃtulo homónimo de um filme de Martin Scorsese dos anos 70), que apresenta uma projecção de slides de uma comunidade que vive actualmente em Woodstock, revelando a persistência e simultânea diluição dos ideiais e do espÃrito hippie que tornou aquela localidade famosa; de Ryan Gander, que elabora um projecto intitulado “Robbed us with the sight of what we should have knownâ€, 2006. Numa das obras, “In search of the perfect palindrome (third attempt): Crossword featuring a newly invented word ‘Mitim’ – rendering it unsolvable – placed in a national newspaper†(2006), Gander insere numa série de velhos jornais umas palavras cruzadas que incluem uma nova palavra criada pelo artista; ou ainda o “This is propaganda†(2002), obra de Tino Sehgal practicamente impossÃvel de descobrir (porque a sua localização não vem incluÃda no mapa e está dentro de uma das salas da exposição permanente). Com persistência e um bom ouvido, chegamos à sala circular onde uma cantora lÃrica proclama “this is propaganda, you know, you know…†e com esta frase ainda na cabeça deixo a Tate Britain, pensando se todas estas manifestações periódicas de arte serão algo mais do que propaganda e reflectindo se o roubar de imagens hoje tem um sabor diferente, como dizia um dos textos do catálogo… alguns acharão estranho que não tenha referido artistas como Liam Gillick, Angela Bulloch, Cerith Wyn Evans ou Oliver Paine e Nick Relph; mas é uma opção consciente, tal como espero que o seja a escolha feita pela comissária da Triennal que, ao apresentar somente obras que ilustram um tema, faz desaparecer os artistas.
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