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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Jesús Soto, “Pénetrable bbl nº 0/8”, 1999. Metal e fio de nylon. 365 (altura) x 400 x 1400 cm. Galerie Denise René, Paris. Vista da instalação no Museu do Chiado, 2008. Fotografia: Mário Martins


Martha Boto, “Optique lumino-dynamique”, 1966. Madeira, motor eléctrico e lâmpada eléctrica, 65 x 65 x 40 cm. Pormenor de instalação.


“The Responsive Eye” (Brian De Palma, 1965). Documentário em projecção no MNAC (frame).


Bridget Riley, “Metamorphosis”, 1964. Emulação sobre madeira, 112,2 x 106,7 cm.


Marcel Duchamp, “Rotoreliefs”, 1935. Vários elementos, 20 x 20 cm cada. Pormenor de instalação.


Victor Vasarely, “Helios”, 1960. Óleo sobre tela, 183 x 220 cm.


Carlos Cruz-Diez, “Chromosaturation”, 1965-2005. Néon, dimensões variáveis. Pormenor de instalação.

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COLECTIVA

Revolução Cinética




MNAC - MUSEU DO CHIADO
Rua Serpa Pinto, 4
1200-444 Lisboa

14 MAR - 15 JUN 2008


“Revolução Cinética” é o título da exposição que o Museu do Chiado, com o mecenato da Caja Duero, tem patente até ao dia 15 de Junho. Emmanuel Guigón, o comissário (director do mais antigo museu francês - Beaux-Arts et d’Archéologie de Besançon - cidade dos irmãos Lumière), realizara já este projecto para Sevilha e Palma de Maiorca, mas sob a designação de “La Utopia Cinetica”. Em Lisboa, o novo título corresponde também a uma reformulação do projecto, no sentido de o amplificar em número de artistas representados e de lhe introduzir ainda referências específicas do panorama artístico português.

O projecto, que historicamente se situa num período centrado nos anos sessenta do século XX, tem ainda uma importante referência, episódica mas precisa, que data de 1955: A exposição “Le Mouvement”, realizada na Galerie Denise René, galeria parisiense que foi, na época e na Europa, uma das grandes impulsionadoras de projectos experimentais relacionados com a reflexão e configuração de algumas das principais noções de arte abstracta, nomeadamente, através da inclusão do movimento na concepção do objecto artístico.

Este, numa lógica de entendimento cinético da arte, distinguir-se-á por duas formas principais de relação (consoante o movimento se objective na própria obra de arte ou, por outro lado, se estabeleça por acção primordial do espectador, seja porque este se desloca no espaço defronte da obra, seja porque se submete a uma experiência óptica e perceptiva específica). Quanto ao movimento efectivo da obra de arte, encontramos no percurso do Museu do Chiado exemplos de alguns trabalhos cujo movimento é accionado por condições naturais do meio, como a deslocação do ar (“Penetrável”, de Jesús Soto) ou a gravidade (“Movimento Cósmico”, de Yaacov Agam), mas também outros exemplos em que o elemento accionador é mecânico, frequentemente por recurso a pequenos engenhos eléctricos (veja-se “TNT 114”, de Tinguely ou ainda, numa clara assunção da influência do artista suíço, “Nuvem de Superfície Variável”, de René Bertholo).

Victor Vasarely, ele próprio um dos entusiastas organizadores da exposição “Le Mouvement” (autor do Manifest Jaune, e da publicação com a mesma cor, lançada na inauguração – que agora, em versão traduzida, é incluída no catálogo MNAC) é um dos nomes principais da expressão artística cinética presente no Museu do Chiado. As suas estruturas pintadas (pintura e dispositivos escultóricos) evidenciam a complexa gramática plástica que o artista húngaro desenvolveu com base num percurso multidisciplinar enriquecido pelo cruzamento de preocupações que iam da publicidade e decoração à arquitectura e urbanismo.

Será importante assinalar a total (e não casual) ausência de referências norte-americanas neste movimento artístico que era, essencialmente, constituído por artistas europeus e sul-americanos (e no entanto, as primeiras estruturas mobiles de Calder, que conciliavam elementos abstractos do construtivismo e surrealismo remontavam já aos anos 30). A consideração da importância do espaço e do imperativo da acção do espectador sobre este e sobre o resultado final da percepção leva-nos, de igual modo, a aproximações inevitáveis entre algumas das propostas patentes MNAC e o Minimalismo (são do princípio dos anos 60 as primeiras experiências de luz de Dan Flavin – de que “Chromosaturation”, de Carlos Cruz-Diez, patente no Chiado se aproxima conceptualmente).

A inclusão de alguns artistas portuguesas na exposição (Eduardo Nery, Artur Rosa, René Bertholo, Nadir Afonso, António Pedro) promove um enquadramento num contexto artístico de época, proporcionando algumas leituras e sugestão de intertextualidade com os restantes trabalhos e artistas apresentados e de que se destaca, pela sua condição antecessora da Arte Cinética enquanto corrente artística legitimada, “Aparelho Metafísico de Meditação” (1935), de António Pedro.

Assinalando um outro momento chave do universo histórico retratado na exposição, “The Responsive Eye”, de Brian de Palma, documenta a inauguração da exposição com o mesmo nome que decorreu no MoMA, em 1965, e que viria a assumir fundamental importância para a compreensão dos desenvolvimentos conceptuais que a Arte Cinética (mais tarde também a Op Art, como variante que delimita para si a percepção óptica baseada na experiência de estruturas virtuais) observou, durante cerca de vinte anos.

A lista completa dos artistas em exposição é a seguinte: Ángel Duarte, António Pedro, Artur Rosa, Bridget Riley, Carlos Cruz-Diez, Darío Pérez Flores, Dominique Willoughby, Eduardo Nery, Equipo 57, Eusebio Sempere, Francisco Sobrino, Gregorio Vardanega, Horacio García Rossi, Hugo Demarco, Jean Tinguely, Jean-Pierre Yvaral, Jesus Soto, Joël Stein, Julio Le Parc, Karl Gerstner, Marcel Duchamp, Martha Boto, Nadir Afonso, Nicolas Schöffer, Paul Sharits, Pierre Rovère, Pol Bury, René Bertholo, Victor Vasarely, Yaacov Agam.


Miguel Caissotti