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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Richard Serra, “Promenadeâ€, 2008. Fotografia: Lorenz Kienzle. ©Monumenta 2008, ministère de la Culture et de la Communication.


Richard Serra, “Promenadeâ€, 2008. Fotografia: Lorenz Kienzle. ©Monumenta 2008, ministère de la Culture et de la Communication.


Richard Serra, “Promenadeâ€, 2008. Fotografia: Lorenz Kienzle. ©Monumenta 2008, ministère de la Culture et de la Communication.


Richard Serra, “Promenadeâ€, 2008. Fotografia: Lorenz Kienzle. ©Monumenta 2008, ministère de la Culture et de la Communication.


Richard Serra, “Clara-Clara. Fotografia: Lorenz Kienzle. ©Monumenta 2008, ministère de la Culture et de la Communication.


Richard Serra, “A Matter of Timeâ€

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ARQUIVO:


RICHARD SERRA

Monumenta 2008 - Promenade




GRAND PALAIS
Avenue Winston Churchill
75008 Paris

07 MAI - 15 JUN 2008

A última promenade do século XXI


Richard Serra: Arquitecture is like music!
Tradutor: L’architecture est comme de la musique!
Christine Albanel: Ah! Très bien!

(Troca de palavras no dia da inauguração de “Promenade†entre Richard Serra e a Ministra da Cultura e Comunicação de França, Christine Albanel).



“Prendre possession de l’ espace est le geste premier des vivants, des hommes et des bêtes, des plantes et des nuages, manifestation fondamentale d’ équilibre et de durée. La preuve première d’ existence, c’ est d’ occuper l’ espaceâ€

Le Corbusier, L’ espace indicible



Com “Promenade†cumpre-se a segunda edição de Monumenta, uma iniciativa do Ministério da Cultura Francês, cuja sonoridade é a mesma de Documenta mas com um aplomb napoleónico. Na primeira edição as honras couberam a Anselm Kieffer. Este ano o desafio foi lançado a Richard Serra. O escultor americano (nascido em 1939, em São Francisco), que já produzira duas monumentais esculturas públicas na capital francesa, regressa à cidade para criar uma estrutura efémera no interior do Palácio de Cristal ou Grand Palais de Paris.

O Grand Palais foi concebido para a Exposição Universal de 1900, mas o projecto continha já uma intenção de perenidade; substituía o Pavilhão da Indústria e viria a tornar-se no Palais des Beaux Arts de Paris. Teve ao longo da sua história funções polivalentes: acolheu os salões de belas artes (o Salon d’Automne, o Salon des Indépendents), salões do automóvel e de aeronáutica. De 1993 a 2005 esteve fechado ao público para trabalhos de restauro das infra-estruturas arquitectónicas. Depois do grande investimento que significou esta obra de restauro, o Ministério da Cultura decidiu inscrever algumas iniciativas “monumentais†dentro da sua arquitectura de ferro e vidro, embora mantendo a sua polivalência, já que desde a sua abertura foi “privatizado†(a fórmula politicamente correcta utlilizada que nomeia o arrendamento de edifícios públicos) diversas vezes para acolher a FIAC e os desfiles de moda da Chanel e de Yves Saint Laurent. Actualmente está patente ao público uma exposição intitulada “Marie-Antoinetteâ€, dedicada à rainha de França, que ocupa outras salas do Grand Palais.

As obras de Richard Serra passeiam e estão por todo o mundo, desde o Dia Center de Nova Iorque (“Torqued Ellipsesâ€,1996-1999) ao Guggenheim de Bilbao (“Snakeâ€, 1997) até aos jardins da Fundação de Serralves no Porto (“Walking is Measuringâ€, 2000). A energia e a tensão criadas pelas suas esculturas (cuja matéria-prima são enormes placas de aço, cor ferrugem) são a grande imagem de marca deste artista que é um dos últimos agrimensores do século XX.

“Promenade†é como a espinha dorsal da baleia que engoliu Jonas.

A escultura é constituída por 5 placas de ferro de 17 metros de altura e 4 metros de largura, pesando 75 toneladas cada uma (o aço foi fundido em França e polido na Alemanha). As cinco placas em tensão encontram-se a intervalos de distância num ritmo calculado, provocando uma ilusão de óptica ao visitante - à medida que ele se desloca entre elas, parece existir um desiquilíbrio entre elas. A obra ocupa todo o espaço da nave central do edifício, que tem 13.500 metros quadrados.

A escala do Grand Palais, um edifício da arquitectura industrial do início do século XX, ou como diria Peter Sloterdijk “o espaço interior do capitalismo planetário†(in Palais de Cristal, Paris 2006)) é transformada pela força telúrica da escultura. Estamos de novo perante o mundo primitivo, aberto ao imaginário.

Richard Serra utiliza, desde o início da sua carreira, materiais industriais como o aço ou a borracha metamorfoseando a sua natureza ao criar uma relação física e poética com o espaço. Os seus filmes, como “Hands Catching Lead†(1968) ou “Hands Tied†(1968) mostram esta relação do artista com a matéria que foi comum a muitos dos seus colegas e compatriotas da mesma geração, caso de Robert Rauschenberg ou Frank Stella. As vertigens que sentimos ao circundar as suas esculturas permitem-nos renovar um certo contacto com o cosmos, com a fragilidade do homem no espaço.

Tal como em “Clara-Clara†(o nome da companheira de Serra), concebida para os Jardins des Tuilleries e inaugurada em 1983 - foi depois deslocada para o Parc de Choisy e mais tarde guardada em depósito e agora vai de novo ver a luz do dia no seu local primitivo - Serra consegue transformar o espaço público num espaço de experiência individual mesmo no meio de uma multidão de visitantes. O escultor afirma, referindo-se a “Promenadeâ€, que o visitante não precisa de conhecer nada sobre a história de arte ou sobre a história da escultura para compreender, ver e perceber este seu trabalho, concebido em relação com o espaço. O conteúdo reside no próprio visitante, na sua experiência em se deslocar, em passear, em deambular pelo espaço. A nossa experiência nesse espaço é o seu conteúdo.

Richard Serra acredita na palavra em acção, no verbo. No início dos seus estudos sobre cada obra faz uma lista de verbos como andar, cortar, cair para sentir como irá desenvolver a sua relação com o espaço. O escultor que se sente próximo de Malevitch e admira os pássaros no espaço de Brancusi faz com esta obra uma homenagem velada ao pai da arquitectura moderna, Le Corbusier.

“No interior, entramos, caminhamos, olhamos enquanto caminhamos, e as formas explicam-se, desenvolvem-se, combinam-se, no exterior, vemos, interessamo-nos, apreciamos, giramos em torno, descobrimos. Não cessamos de receber comoções diversas, sucessivas. E o jogo que fora jogado aparece. Caminhamos, circulamos, não paramos de nos mexer, de nos virar para ver melhor†(Le Corbusier, L’espace indicible). Para Le Corbusier, a “promenade architectural†é geradora de eventos arquitectónicos, tal como a “Promenade†de Richard Serra é geradora de experiências físicas.

Pascal Dusapin, compositor francês de música erudita contemporânea, cria uma nova composição para “Promenadeâ€. E apesar de todo o aparato governamental deste evento, que dispõe dum “mediador cultural†(guia – guarda-sala) por cada dois visitantes, conseguimos evadir-nos para um espaço mágico de sintonia entre o homem e a matéria. O passeio é magnífico.


Sílvia Guerra