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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Olafur Eliasson, “Take Your Timeâ€


Olafur Eliasson, “Take Your Timeâ€


Olafur Eliasson, “Take Your Timeâ€


Olafur Eliasson, “Take Your Timeâ€


Olafur Eliasson, “Take Your Timeâ€


Olafur Eliasson, “Take Your Timeâ€

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OLAFUR ELIASSON

Take your Time




MOMA - THE MUSEUM OF MODERN ART
11 West 53 Street
New York, NY 10019-5497

20 ABR - 30 JUN 2008

Paisagem expandida

Exposição:
The Museum of Modern Art
P.S.1 Contemporary Art Center


Mega-produção distribuída pelos dois espacos pertencentes ao MoMA – o próprio MoMA (em Manhattan) e o P.S.1 (em Queens) –, “Take your Time†é um convite à imersão num processo de trabalho e a uma movimentação do visitante por uma paisagem que se sente presente no corpo de trabalho do artista. A distribuição geográfica da exposição justifica-se não só pelo espaço que a exposição necessita, mas porque também, de alguma forma, esta escolha ajuda o visitante a perceber as várias fases do processo criativo do artista - que é igualmente realizado de uma forma distribuída e faseada.

A parte da exposição presente no P.S.1 mostra-se como fundamental para a percepção das origens deste processo e como base para as instalações presentes no MoMA. Eliasson parte de séries fotográficas (como por exemplo “The horizon series†ou “The glacier seriesâ€) que apresentam partes da sua vivência pessoal – nomeadamente os períodos de férias que passou na Islândia e em que criou estes documentos da paisagem local. As séries captam elementos de uma paisagem quase inóspita onde abundam glaciares, icebergues, cavernas, cones vulcânicos e ilhas rochosas. A relevância que Eliasson dá a esse tipo de relevo ou condições geológicas demonstra uma reflexão sobre esse meio, ao mesmo tempo que se pode também entender como um certo escapismo sobre a cidade – espaço onde normalmente habita.

Passa-se então para um campo em que arte, a ciência e a tecnologia aparecem combinados e quase indistintos. Esta fase caracteriza-se também pelo facto do artista/indivíduo dar lugar a um processo colectivo de investigação e desenvolvimento, como se de um laboratório se tratasse – Studio Olafur Eliasson. Nesta fase, Eliasson e os seus colaboradores constroem matematicamente e fisicamente modelos que foram captados a partir das fotografias do artista, ajudando a uma desmaterialização das paisagens captadas nessas fotografias. Entende-se aqui um processo dinâmico, em que o factor humano é crucial para os estudos sobre várias hipóteses de criação e concretização. Uma das pistas que dá ainda nas suas séries fotográficas, em relação às maquetes tridimensionais, é apresentada em “360º Crystal Palace†– uma série de 16 fotografias onde um icebergue, encontrando-se no centro, é fotografado a partir de 16 pontos circundantes: os suficientes para geometricamente se ter uma aproximação de uma circunferência e onde a primeira e última fotografia são iguais (lembrando as relações estabelecidas nas séries de fotografias de Bernd e Hilla Becher). Eliasson expõe então, tal como se de artefactos “estranhos†se tratassem, os modelos construídos por si e pela sua equipa, que vão desde a construção de novos materiais (como “Soil quasi bricksâ€), construções arquitectónicas explorando os limites da geometria (modelos de construções , como o pavilhão que esteve ao lado da Serpentine Gallery em Londres durante o ano passado), a outro tipo de modelos onde a exploração das radiações visíveis é transformada em construções ópticas (como por exemplo, desde uma série tão simples e que se chama “The color spectrum series†a construções mais elaboradas como “Sunset kaleidoscopeâ€, “Concentric Mirror†ou “Inverted Berlin Sphereâ€). É a partir deste processo multidisciplinar que são criadas então as suas instalações de maior dimensão.

Ainda nesta fase, Eliasson explora as relações com os elementos básicos (terra, fogo, ar e água), como numa simbologia alquimista e que claramente antecede a fase artística final, ou ela própria faz ainda parte de um processo de Alquimia até ser experienciada pelo visitante. Não é de estranhar a existência de trabalhos como “Beautyâ€, “The Natural light setupâ€, “Reversed Waterfall†ou “Remagineâ€, por exemplo. Por outro lado, a peça central desta metade da exposição é “Take your Timeâ€: um enorme disco espelhado (com quase o diâmetro da sala) preso no tecto e que vagarosamente vai girando com subtis movimentos laterais, que distorcem a percepção que o visitante tem do mesmo espaço e da sua posição dentro deste.

No MoMA, Eliasson volta a explorar este lado em que o espectador faz parte da sua obra, de uma forma ainda mais intensa, de tal forma que a relação obra/espectador é quase indistinta. Contudo esta aproximação poderá ser colocada em causa, visto ter um lado quase “espectacularâ€, e menos artístico do ponto de vista convencional. Este aspecto torna-se ainda mais evidente, caso não se tenha visitado a exposição existente no P.S.1. Esta aproximação segue uma perspectiva e um objecto de investigação académica que tem também vindo a ser desenvolvida desde há várias décadas no ZKM de Karlsruhe (onde a face mais proeminente é a do artista e teórico Peter Weibel) e que tem produzido resultados na New Media Art e em diversos artigos sobre “Cinema Expandidoâ€.

O terceiro piso deste espaço museológico é dominado por uma luz âmbar (de “Room for one colorâ€) que vai desde a escadaria ao acesso às restantes salas, onde se encontram outras instalações. Estas instalações apresentam um carácter imersivo onde existe continuamente um jogo entre a experiência individual e colectiva dos espectadores. Se por um lado, instalações como a referida “Room for one color†e “360º Room for all colors†mostram esse lado mais colectivo, por outro, instalações como “Mirror doorâ€, “Your strange certainty still keptâ€, “Moss Wallâ€, “Space reversal†ou mesmo “1m3 of light†caracterizam-se pela experiência pessoal do espectador com a obra em questão.

Apesar do contínuo “espectáculo†e do sentido quase pedagógico com que o artista estende a sua experiência pessoal aos vários intervenientes (colaboradores, comissários, visitantes, entre outros) nas diversas fases do seu processo criativo, do ponto de vista artístico sentem-se referências marcadamente incontornáveis a outros artistas que também exploraram a percepção visual ou o uso da tecnologia nas artes visuais, como Robert Irwin e László Moholy-Nagy, por exemplo.

“Take your Time†é sem duvida uma experiência marcante pelo detalhe da sua produção, assim como pelo facto de se perderem as referências temporais durante a visita. Ao mesmo tempo o visitante transporta-se para dentro de uma paisagem (Islandesa), como se toda a exposição se tratasse de uma “paisagem expandidaâ€, que o artista partilha com os demais.




Pedro dos Reis