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PAULO MENDESPlaytime Research ComplexSOLAR - GALERIA DE ARTE CINEMÃTICA Solar de S. Roque Rua do Lidador Vila do Conde 21 ABR - 13 MAI 2006 Intermitência e esquizofreniaReafirmar o carácter esquizofrénico da nossa contemporaneidade pode parecer, à primeira vista, uma estratégia algo redundante nos dias que correm, sobretudo se atendermos à produção de um artista como Paulo Mendes, que já nos habituou a enfrentar e combater de um modo particularmente activista a dimensão subterrânea e doentia de um capitalismo tardio que condiciona, à escala global, todas as dimensões da acção humana. Porém, “Playtime Research Complex†(conjunto de três exposições individuais apresentadas no norte do paÃs, entre as cidades do Porto e de Vila do Conde) resgata da ineficácia, em termos globais, qualquer sugestão de esgotamento da temática enunciada, tanto na sua dimensão crÃtica e reflexiva, como na expressão do seu domÃnio de criatividade. Com efeito, o mais recente projecto de Paulo Mendes não só recupera algumas das pistas mais pertinentes de “Schizolife Systems†(CAPC, Coimbra, 2004) – como a leitura em torno da actual dependência de um certo cosmopolitismo relativamente ao design sofisticado, passando aos poucos de um “design for living†para um mais inquietante, sugerimos nós, “living for designâ€, um pouco na linha crÃtica apresentada por Hal Foster em “Design and Crime†(2002) – como desenvolve uma sua mais profÃcua e exaustiva reinterpretação, apostando desta vez, de um modo mais declarado, na pesquisa expandida da imagem cinemática, traduzindo assim em vários novos vÃdeos uma subtileza formal que não dispensa nunca uma cáustica relação com nosso intermitente e esquizofrénico momento. Por isso, desde os formalmente belÃssimos “Undersound (Revisão de os ‘Verdes Anos’ de Carlos Paredes e Paulo Rocha, 2004) e “The Life and Death of the Artist…†(Vincent Van Gogh e Andy Warhol, ambos de 2005), passando pelo mais intimista, mas ao mesmo tempo crÃtico, documental e politicamente empenhado “How Green Was My Valley – Europa 2005†– todos apresentados em Vila do Conde sob o irónico tÃtulo de conjunto “The Art of Fiction†– até a esse cirúrgico exercÃcio fragmentário de sons e imagens do cinema de “suspense†que constitui “Performance Anxietyâ€, uma projecção dupla de vÃdeo, com apurado sentido técnico e formal, Paulo Mendes realiza uma extraordinária experiência visual, marcada pela consciencialização de uma asfixiante ou mesmo neurótica atmosfera de ansiedade e esquizofrenia. Aliás, o próprio artista confirma com acerto e consciência que “o carácter conceptual deste trabalho consiste na demonstração do processo, alteração do tempo narrativo e tempo estrutural, isolando unidades básicas que estruturam as narrativas clássicas. A perca de aura da pelÃcula cinematográfica corresponde nestes vÃdeos a uma beleza deceptiva que os aproxima de uma realidade neuróticaâ€. Uma vez mais, Paulo Mendes observa na estratégia de apropriação e manipulação da nossa cultura visual uma hipótese última de desconstrução e comunicação alternativa, reinvestindo assim na tradição desse “détournement†debordiano que, de um modo ou de outro, ocupa ainda um lugar de relevo na arte activista contemporânea. PLAYTIME RESEARCH COMPLEX: PERFORMANCE ANXIETY IN.TRANSIT, até 27 Maio THE ART OF FICTION SOLAR Galeria de Arte Cinemática, até 25 Junho POLYESTER SMOG PÊSSEGOpráSEMANA, até 13 Maio
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