Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Paulo Mendes, "TRÃFICO/TRÃFEGO (ENTRE IMAGENS) PORTO MARÇO 2006", video still

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

1º CICLO EXPOSITIVO 2026


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
CATARINA REAL

SUSANA PILAR

NOT ALONE


Galleria Continua (Paris - Marais), Paris
FILIPA BOSSUET

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

21 MINUTES POUR UNE IMAGE


CAPC - Círculo de Artes Plásticas - Sede, Coimbra
CONSTANÇA BABO

WILFRID ALMENDRA

HARVEST


Galeria Municipal de Arte de Almada, Almada
CARLA CARBONE

RITA MAGALHÃES

FACE A FACE – RITA MAGALHÃES E A NATUREZA-MORTA NA COLEÇÃO DO MNSR


Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
MARC LENOT

SUSANA ROCHA

LEAKING BODIES


Plato (Porto), Porto
SANDRA SILVA

ANDRÉ ROMÃO

INVERNO


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
MARIANA VARELA

PEDRO CASQUEIRO

DETOUR


MAAT, Lisboa
CARLA CARBONE

HUGO LEITE, ED FREITAS E THALES LUZ

EU SOU AQUELE QUE ESTÃ LONGE


Espaço MIRA, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ANNE IMHOF

FUN IST EIN STAHLBAD


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ARQUIVO:


PAULO MENDES

Playtime Research Complex




SOLAR - GALERIA DE ARTE CINEMÃTICA
Solar de S. Roque Rua do Lidador
Vila do Conde

21 ABR - 13 MAI 2006

Intermitência e esquizofrenia

Reafirmar o carácter esquizofrénico da nossa contemporaneidade pode parecer, à primeira vista, uma estratégia algo redundante nos dias que correm, sobretudo se atendermos à produção de um artista como Paulo Mendes, que já nos habituou a enfrentar e combater de um modo particularmente activista a dimensão subterrânea e doentia de um capitalismo tardio que condiciona, à escala global, todas as dimensões da acção humana. Porém, “Playtime Research Complex†(conjunto de três exposições individuais apresentadas no norte do país, entre as cidades do Porto e de Vila do Conde) resgata da ineficácia, em termos globais, qualquer sugestão de esgotamento da temática enunciada, tanto na sua dimensão crítica e reflexiva, como na expressão do seu domínio de criatividade.

Com efeito, o mais recente projecto de Paulo Mendes não só recupera algumas das pistas mais pertinentes de “Schizolife Systems†(CAPC, Coimbra, 2004) – como a leitura em torno da actual dependência de um certo cosmopolitismo relativamente ao design sofisticado, passando aos poucos de um “design for living†para um mais inquietante, sugerimos nós, “living for designâ€, um pouco na linha crítica apresentada por Hal Foster em “Design and Crime†(2002) – como desenvolve uma sua mais profícua e exaustiva reinterpretação, apostando desta vez, de um modo mais declarado, na pesquisa expandida da imagem cinemática, traduzindo assim em vários novos vídeos uma subtileza formal que não dispensa nunca uma cáustica relação com nosso intermitente e esquizofrénico momento.
Por isso, desde os formalmente belíssimos “Undersound (Revisão de os ‘Verdes Anos’ de Carlos Paredes e Paulo Rocha, 2004) e “The Life and Death of the Artist…†(Vincent Van Gogh e Andy Warhol, ambos de 2005), passando pelo mais intimista, mas ao mesmo tempo crítico, documental e politicamente empenhado “How Green Was My Valley – Europa 2005†– todos apresentados em Vila do Conde sob o irónico título de conjunto “The Art of Fiction†– até a esse cirúrgico exercício fragmentário de sons e imagens do cinema de “suspense†que constitui “Performance Anxietyâ€, uma projecção dupla de vídeo, com apurado sentido técnico e formal, Paulo Mendes realiza uma extraordinária experiência visual, marcada pela consciencialização de uma asfixiante ou mesmo neurótica atmosfera de ansiedade e esquizofrenia. Aliás, o próprio artista confirma com acerto e consciência que “o carácter conceptual deste trabalho consiste na demonstração do processo, alteração do tempo narrativo e tempo estrutural, isolando unidades básicas que estruturam as narrativas clássicas. A perca de aura da película cinematográfica corresponde nestes vídeos a uma beleza deceptiva que os aproxima de uma realidade neuróticaâ€.

Uma vez mais, Paulo Mendes observa na estratégia de apropriação e manipulação da nossa cultura visual uma hipótese última de desconstrução e comunicação alternativa, reinvestindo assim na tradição desse “détournement†debordiano que, de um modo ou de outro, ocupa ainda um lugar de relevo na arte activista contemporânea.


PLAYTIME RESEARCH COMPLEX:

PERFORMANCE ANXIETY
IN.TRANSIT, até 27 Maio

THE ART OF FICTION
SOLAR Galeria de Arte Cinemática, até 25 Junho

POLYESTER SMOG
PÊSSEGOpráSEMANA, até 13 Maio


David Santos