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CLIFF EVANSEmpyreanLUXE GALLERY 53 Stanton Street New York, NY 10002 14 JUN - 26 JUL 2008 Sobre o poderSe pensasse naquilo que um artista renascentista do Norte da Europa poderia fazer, se no seu tempo tivesse à sua disposição um meio como a Internet, o resultado seria provavelmente “Empyreanâ€. Cliff Evans, um artista de origem australiana, mas radicado desde muito novo nos Estados Unidos encontra as fontes do seu trabalho em vários web sites, como o Youtube e outros, para dar vida à s suas narrativas catárticas reflectindo a polÃtica global do mundo contemporâneo. A análise do poder é uma constante no trabalho deste artista – seja relativamente à s guerras recentes, em que induz, ou denuncia, a forte influência económica – seja através de referências a cadeias de lojas multinacionais, ou a empresas petrolÃferas; como por outro lado, o poder do mediatismo das celebridades ou a evidência de figuras paternalistas e com poder na sociedade (pregadores, pivots de telejornal, professores...). “Empyrean†apresenta-se como uma grande projecção em que todo o mundo está concentrado, como num espectáculo; numa movimentação a um ritmo constante e contÃnuo, em que imagens dispersas, mas que fazem parte da linguagem trazida pela world wide web até nós, são postas num novo contexto: imagens de desejos, de lugares longÃnquos em conflito, publicidade, religião e pornografia. O resultado poder-se-à comparar a um trÃptico de Hieronymus Bosch (ou por vezes com detalhes que nos levam ao naturalismo de Van Eyck, ou ainda um “Triunfo da Morte†de Pieter Bruegel, o Velho) – a mesma forma de painel de altar, com três áreas distintas dadas pela diferente disposição dos painéis de projecção; mas com informação constantemente a fluir, que nos situa entre o Céu e o Inferno – o mundo que nos chega através dos media. Imagens de mundos desejáveis, em que os sonhos parecem ser realizáveis – nomeadamente sonhos de vida perfeita e saudável dos Spas, de um mundo melhor onde crescem frutos e onde pessoas igualmente saudáveis contrastam com imagens de homens encapuçados e armados – os mesmos que hoje em dia, à falta de um inimigo concreto justificam a vigilância e as movimentações geopolÃticas trazidas pelas guerras que existem no mundo para nos “protegerâ€. Contudo, o paradoxo deste vÃdeo, ou diria melhor, desta colagem digital, é o facto destas imagens serem públicas – elas estão disponibilizadas na Internet (World Wide Web). Há assim uma denúncia dos retratados em relação ao espectáculo exibicionista, de que fazem parte e que promovem; que Cliff Evans consegue reforçar ainda mais quando os junta todos na mesma cena. A riqueza visual deste trabalho e as próprias dimensões acabam por desarmar o espectador. Muitas das imagens são conhecidas ou existem no nosso imaginário corrente, mas o facto de se encontrarem ligadas a outras igualmente reconhecÃveis, mas de contextos diferentes, acabam por renunciar à sua referência, ou à referência que temos delas. Somos então obrigados a reflectir novamente sobre o nosso próprio imaginário que temos do mundo em que vivemos. Estas imagens com que somos bombardeados diariamente através dos meios de comunicação e também através da Web, nesta amálgama visual e até mesmo “babeliana†voltam a obrigar a que se questione o mundo contemporâneo. Este artista volta a fazer o mesmo, quando num certo momento nos obriga a questionar a génese judaico-cristã - Adão e Eva; ou a Teoria Evolucionista - ou mesmo um “casal†de HominÃdeos a passear-se no meio de um campo de batalha onde soldados com corpo humano e cabeças de esqueletos de animais tornam a visão da guerra numa batalha entre o Bem e o Mal (tal como nos é incutido pelas imagens televisivas e as discussões sobre o tema). Para além de “Empyreanâ€, Cliff Evans mostra também outro trabalho no mesmo formato visual, mas apresenta-o em dois LCD de 22 polegadas. Este trabalho tem o tÃtulo “The Dead Father and his Dother: Snake/Revivalâ€. Tal como o próprio nome, este trabalho parece dividido em duas fases distintas. Primeiro, surge um pai ou uma figura paternal com expressões ambÃguas entre a tristeza e o contentamento; um pai que chora sangue e sémen. Aqui, este artista volta a recorrer os mesmos artifÃcios de “Empyreanâ€, mas a atenção é distraÃda por imagens de uma pivot de telejornal, que faz o seu discurso enquanto comboios com armas (?) passam em fundo; subtilmente, as imagens mudam e damos por nós num novo espectáculo – um dominador de serpentes numa espécie de celebração de passagem de uma rapariga para a idade adulta. A rapariga encontra-se de mãos dadas a duas mulheres jovens semi-nuas que movem o seu corpo de forma sedutora e em contraste com a rapariga, quase angelical. Nisto, várias mulheres emitem cânticos com olhos voltados para o céu, enquanto um homem de cabeça de esqueleto de antÃlope exibe o seu corpo. Associa-se assim este momento de passagem a um ritual de poder xamanista onde volta a haver um foco na passagem de poder entre os vários intervenientes. Cliff Evans tem a capacidade de criar a dúvida, a des-referenciação do contexto habitual e colocar o espectador a questionar sobre a realidade (a sua), contrapondo-lhe o efeito do espectáculo com que as notÃcias nos chegam, ainda que se tratem de momentos de terror. Ainda que hoje em dia exista o culto da celebridade, não estará a Internet e os media a mudar esse paradigma? Afinal não poderemos ser nós mesmos essas celebridades, enquanto objectos de desejo (tal como enunciado por Andy Warhol com os seus célebres “15 minutos de famaâ€)? Não será o desejo a base do que se chama o poder? LINKS http://www.luxegallery.net http://www.cliffevans.net
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