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COLECTIVAJust Different!COBRA MUSEUM Sandbergplein 1 1181 ZX Amstelveen, Nederlands 14 JUN - 21 SET 2008 É curioso saber que apesar de todas as crÃticas que a arte contemporânea tem sofrido, ela se apresente cada vez mais como pedagogia. Isto nada tem a ver com o pequeno interesse que alguém possa possuir em aprender algo de uma obra. A arte tornou-se pedagógica porque, ela mesma se impõe ao observador como capaz de dar lições. Mesmo que não nos agrade, ela abre-nos os olhos à quilo que insistimos em negligenciar ou mesmo desprezar. Um vÃdeo e duas instalações de Amir Fattal fazem jus ao tÃtulo da exposição patente no Cobra Museum de Amstelveen, nos arredores de Amesterdão. No começo da escadaria, um homem dança ao som de uma música alemã exibindo o seu tronco musculado e tatuado com uma cobra no peito. O seu olhar é, sem outra palavra, de engate. É esta a sua diferença: a de um homem que vive ao máximo, apesar da S.I.D.A. que o mataria anos mais tarde. Mas apenas diferente! Ao lado, uma instalação de caixa iluminada mostra o seu corpo prostado numa cama onde simplesmente dorme como qualquer outro homem habitante deste planeta. Frank Wagner, o conservador convidado pelo museu apresenta-nos a diversidade sexual na sua dimensão enquanto expressão de vida e genéro, e na sua manifestação em termos de sexo e controlo deste mesmo. Os relatos da vida das lésbicas de HelsÃnquia, de Aurora Reinhard, constituem um documentário que se divide entre múltiplas dúvidas. A dúvida que se suscita nos outros: é homem ou mulher? A dúvida de não se saber quem é: “tentei ser como as outras raparigasâ€... A sensação de não pertencer a nenhum grupo... e ao mesmo tempo, a dificuldade do ser humano em deixar de categorizar. Tanto é que, a semelhança entre um pequeno pénis e um clitóris se tem que denominar hermafrodita numa foto Del Lagrace Volcano. A alemã Ins a Kromminga declara que vivemos The Myth of Two Sexes, uma vez que na natureza não há uma clara distinção entre um macho e fêmea, se virmos desenhos de certos bichos, anémonas ou flores. As propostas holandesas não são menos interessantes e criativas. Traduzindo a sensação de se ter nascido no corpo equivocado, Risk Hazekamp apresenta fotos de um rapaz relacionadas com uns desenhos abaixo. Trata-se na verdade, de uma rapariga que se esforça por simular o membro viril, pondo enchumaços nas cuecas ou que tenta parar o crescimento dos seios enrolando panos à volta do peito de uma forma asfixiante. Do conhecido Erwin Olaf imaginem um monstruário de belÃssimos rapazes com chapéus à la Rembrandt. Mas nada poderá ser mais fora do comum do que um filme que apresenta no piso de baixo. AÃ, três travestis vestidas de vermelho chutam masculinamente dos seus saltos altos uma bola na direcção de um guarda-redes mulher em branco imaculado. Na obra, Het Getekende Dagboek, Bas Meerman regista em vários desenhos a vida diária de um homossexual, nas suas plenas acções sexuais a solo ou a três e entre a cerveja, a cama e o urinol. Por toda a exposição são apresentados vários trabalhos de Marlene Dumas, Nan Goldin ou Lovett/Codagnone onde não faltam os amigos exóticos, estonteantes erecções ou os homens de São Francisco cujas cenas de sado-masoquismo se enternecem ao lado de ambientes familiares, junto aos pais e a bebés. Não será então que o impossÃvel exista somente na nossa cabeça? A transição para a mostra sobre a violência e o controlo sexual é iniciada por alertas à doença inimiga e por uma obra hedionda: o americano Anthony Viti pinta telas de sangue e urina. O anúncio está feito para uma mistura, a religião, bombas, homens e sexo (Rachid Ben Ali), para a representação do homicÃdio de Shanda Sharer pela sua companheira ciumenta Melinda e amigas (Marlene McCarty) e para a ténue fronteira entre as orgias e o poder do tempo de CalÃgula romanciada por Gore Vidal (realização cinematográfica de Francesco Vezzoli). Numa espécie de Big Brother, Tracey Moffatt controla discretamente através do seu prazer voyeurista, os surfistas australianos que se despem, coçam o rabo ou se enxungam banalmente. Contudo, nada pode ser mais provocador que a proposta do polaco Karol Radziszewski exposta no fundo de um lanço de escadas: imaginem que existiam bandos de homossexuais espalhando o terror nas ruas. Imaginem que em vez de homofobia existia a heterofobia? Conseguem sentir na pele o sabor da vingança? Não se preocupem, Fag Fighters é só uma graçola!
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