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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição na Lx Factory. Fotografia: Paulo Mendes


Vista da instalação de Nicole Six e Paul Petritsch na Lx Factory. Fotografia: Paulo Mendes


Vista da instalação de Nicole Six e Paul Petritsch na Lx Factory. Fotografia: Paulo Mendes


Vista da instalação de Nicole Six e Paul Petritsch na Lx Factory. Fotografia: Paulo Mendes


Vista da exposição na Lx Factory. Fotografia: Paulo Mendes


Detalhe de maquete. Fotografia: Paulo Mendes


Detalhe de maquete. Fotografia: Paulo Mendes


Detalhe de maquete. Fotografia: Paulo Mendes


Detalhe de maquete. Fotografia: Paulo Mendes


Maquetes de estudo. Fotografia: Paulo Mendes


Maquetes de estudo. Fotografia: Paulo Mendes


Vista da instalação de Nicole Six e Paul Petritsch no Kunstahaus Breguenz. Fotografia: Markus Tretter


Vista da instalação de Nicole Six e Paul Petritsch no Kunstahaus Breguenz. Fotografia: Markus Tretter


Vista da instalação de Nicole Six e Paul Petritsch no Kunstahaus Breguenz. Fotografia: Markus Tretter


Zumthor no Kunsthaus Breguenz. Fotografia: Miro Kuzmanovic para miromedia net

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PETER ZUMTHOR

Peter Zumthor: edifícios e projectos 1986-2007




LX FACTORY
Rua Rodrigues Faria, 103
1300-501 Lisboa

07 SET - 02 NOV 2008


A obra do arquitecto suiço Peter Zumthor do período 1986-2007 está em exposição em Lisboa, na LX Factory, numa soberba retrospectiva preparada em 2007 pelo Kunsthaus de Bregenz, que assinalou os 10 anos de abertura ao público com o corpo de trabalho do arquitecto que desenhou o seu edifício. A Experimenta Design promove a primeira itinerância internacional da exposição, esboçando o Warm-Up da bienal de Lisboa de 2009 que fica marcado pela rotação de mais um grande evento para a Arquitectura, um ano após Lisboa ter promovido a 1º Trienal de Arquitectura.


A exposição é um interessante exercício de apresentação pública da obra construída pelo atelier suíço, uma das grandes referências mundiais da arquitectura contemporânea. Uma visita à exposição é interessante para estudiosos e aficionados da obra de Zumthor, como a um público interessado na espacialização de projectos curatoriais e nos sistemas de mediação de arquitectura. Este texto debruça-se sobre a concepção do dispositivo expositivo, em coerência com a obra de Peter Zumthor.


Inicialmente concebida para os 4 pisos dos Kunsthaus, esta é a segunda montagem da exposição. Os conteúdos mantêm a mesma distribuição que em Breguenz, distribuem-se por 4 espaços: maquetes de grande porte no piso de entrada e materiais do processo de trabalho do projecto de arquitectura no último piso, estando as duas salas intermédias (em Breguenz os pisos intermédios) destinados a vídeos sobre a obra. O percurso expositivo propõe a representação da obra, a experiência do edifício e por fim, após a experiência da obra concluída, apresenta pormenores de pesquisa e detalhes empregues no processo de trabalho. O protagonismo é, sem dúvida, do edifício construído. E habitado.


O conceito e selecção de obras expostas é da autoria de Thomas Durisch, também responsável pela adaptação da exposição ao espaço Lx Factory. A exposição centra-se nos edifícios e nos projectos de Peter Zumthor que são mostrados através de diversos materiais, suportes e representações: maquetes, amostras de materiais, desenhos, esquiços, fotomontagens, maquetes de trabalho. A exposição permite analisar os diferentes processos de concepção na obra de Zumthor; permite compreender o cuidado técnico e artesanal com que são exploradas as técnicas construtivas; compreender alguns processos de fabrico e construção empregues na obra, ainda que a construção esteja omissa; permite compreender o rigor e a aferição de cada opção nos diversos projectos que estão impressos na manualidade das maquetes de trabalho. Cada maquete exposta é um artefacto complexo e de grande beleza e rigor, fiel aos materiais do edifício, ao detalhe construtivo e preocupada com as qualidades físicas da matéria. O conjunto de maquetes da entrada apresentam a diversidade das obras, enquanto as maquetes da sala do processo revelam uma obsessão pelo pormenor, pela verificação e pela experimentação com o corpóreo e o material.


Partilhando o protagonismo dedicado ao corpo de trabalho de Zumthor, Durisch e Zumthor convidaram uma dupla de artistas que desenvolve trabalho em vídeo sobre espaço-tempo - Nicole Six e Paul Petritsch - para documentar 12 obras construídas. A contribuição do trabalho artístico de Nicole Six e Paul Petritsch é notável enquanto dispositivo de mediação de arquitectura: permite ao visitante experimentar uma vivência espacial, háptica e acústica da arquitectura, aspectos fundamentais para compreender a arquitectura de Zumthor.


A sua obra utiliza um dispositivo técnico simples - 6 câmaras de filmar fixas sobre tripé foram igualmente dispostas nos espaços e registam cada uma das 12 obras – a brochura da exposição estabelece uma relação de escala entre o posicionamento, a abertura das câmaras e os espaços dos edifícios. Cada registo tem a duração de 40 minutos, é composto por planos fixos, colocados à altura do visitante, registando os espaços ocupados, mobilados e a reverberação do normal funcionamento do seu dia-a-dia. Nestes 12 conjuntos de 6 vídeo estão recolhidas as obras, e a sua apropriação e uso, à escala 1:1.


Os vídeos são apresentados como duas instalações, em duas salas semelhantes, onde são projectadas, em tempo e escala real, planos exteriores e interiores de cada um dos edifícios documentados, mantendo a mesma relação entre projecções que aquela entre câmaras no local. Cada sala documenta 6 edifícios, e uma visita completa aos 12 edifícios leva 4 horas. No set de ecrãs de grande dimensão dispostos ortogonalmente, cria uma sucessão de planos de seis projecções de vídeo, sugerindo um sistema de visualização em que os fragmentos da arquitectura projectada se fundem com o espaço expositivo. A sequência de planos fixos, aparentemente estáticos, permite acompanhar movimentos, não contínuos, no espaço construído: o vento, a variação de luz, os percursos dos habitantes, as movimentações no espaço exterior. A sucessão de planos permite ainda experimentar simultaneamente partes fisicamente separadas, o interior e o exterior, a fachada e a privacidade, numa temporalidade que aparenta estar retardada. Há uma lentidão na imagem que remete também para o tempo lento de produção das obras. O espaço de exposição transfigura-se: a instalação torna-se no espaço do edifício, enquanto a vida do edifício toma o espaço de exposição.


Há uma transferência de espaços: a instalação vídeo torna-se exposição, a exposição torna-se edifício, transferindo a presença do visitante da exposição para a experiência da obra. A exposição oferece uma visão complexa do que é uma obra de arquitectura, tanto na sua concepção como na materialidade, na vivência e na ocupação do espaço. A obra de arquitectura mostra-se como espaço vivido, a escala das projecções é a escala do visitante, a quem é oferecida uma posição presencial nos projectos expostos que, em alguns momentos, sugere uma presença real no espaço. É importante referir também que o espaço industrial e cru da Lx Factory foi compartimentado e trabalhado através de patines e texturas que harmonizam o contentor com a plasticidade das maquetes, criando um conjunto de extrema coerência e beleza. Entrar na Lx Factory é uma experiencia espacial e sensorial forte, o que complementa o exercício de mediação das obras de arquitectura. O nível de espacialização das obras de arquitectura expostas raramente é tão bem sucedido.


No início de 2008, colocava-se a questão “como superar o paradigma painel/maquete que domina e torna estéreis muitas das exposições de Arquitectura?”, a propósito da exposição colectiva “Museus do Século XXI - conceitos, projectos, edifícios”, também vinda da suíça. Como tantas outras, esta suportava-se em representações bidimensionais e nalgumas maquetes finais, remetendo todo o projecto de arquitectura (e o projecto de museu) para o domínio da representação técnica especializada – desenhos, renders, algumas fotografias do edifício, tornando-se ininteligível para um público generalista (ver www.artecapital.net/criticas.php?critica=158).


Oferecendo uma resposta a esta pergunta, a exposição de “Peter Zumthor: edifícios e projectos 1986-2007”, o percurso por vários media e, em particular, a integração da criação artística como mediação de um conjunto de obras de arquitectura, são modalidades curatoriais inventivas, e consistentes, expandindo os potenciais da concepção de uma exposição de arquitectura.




LINKS

Exposição em Lisboa
www.experimentadesign.pt/2009/warm-up/pt/0201.html

Exposição
www.kunsthaus-bregenz.at/ehtml/ewelcome00.htm

Brochura
www.kunsthaus-bregenz.at/zumtor_07/brochure.pdf

Experimenta Design
www.experimentadesign.nl/2008/en/index.html



Inês Moreira