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PEDRO DINIZ REISGridsAPPLETON SQUARE Rua Acácio Paiva, 27 1700-004 Lisboa 26 DEZ - 03 JAN 2009 Appleton Square – R. Acácio Paiva, Lisboa 25 NOV – 20 DEZ 2008-11-30 Marz Galeria – R. Reinaldo Ferreira, Lisboa 25 NOV – 03 JAN 2009 Não é frequente encontrarmos um mesmo projecto, de um único artista, instalado simultaneamente em duas galerias distintas e, neste caso concreto, vizinhas de bairro. “Grids†é a proposta de Pedro Diniz Reis para fecho do ano artÃstico nos dois espaços de Alvalade. Para além dos dois núcleos expositivos, “Grids†comporta ainda a realização (na galeria Marz) de uma performance musical de Sérgio Nascimento (“Uma história contada por um bateristaâ€), cuja actuação desenvolverá uma relação interactiva entre uma bateria dotada de um sistema trigger (sensor de disparo) e uma projecção vÃdeo. Para a sala principal da Appleton Square, o artista apresenta “Alphabet (Portuguese)â€, um dos doze vÃdeos resultantes de uma prolongada pesquisa sobre a linguagem e, concretamente, sobre alfabetos (doze), da qual a primeira apresentação (a versão inglesa) data de 2005, havendo ainda versões especÃficas para outros tantos alfabetos, desde o grego ao japonês (katakana), passando ainda pelo sérvio ou pelo hebreu. O vÃdeo apresenta-se como um processo de desconstrução do valor intrÃnseco do significado de cada letra (para um sistema que sabemos antecipadamente de 26 letras), accionando-se todo o desenvolvimento de um programa que visa a abstracção (privação do significado primordial do que se pré-concebe ser uma correspondência entre signo/ letra e função) e saturação das possibilidades combinatórias (visuais e fonéticas) que lhe conferem um enquadramento (melódico, gráfico e rÃtmico) completamente desajustado dos códigos de entendimento que, instintiva mas infrutiferamente, tentamos aplicar. No piso inferior, um conjunto de oito desenhos (“Waveform Drawingsâ€) documenta um processo de intervenção sobre um filme, a partir da modulação digital em vector scope. O que vemos reproduz graficamente a capacidade de manipulação exacta da luminância e crominância de cada um dos frames seleccionados, revelando a objectivação tecnológica, de causa e efeito, operada efectivamente sobre imagens, agora já desprovidas da possibilidade do acidente, do casual ou do factor de indecisão humana. Na galeria Marz, “GR 352-2†materializa, à semelhança de “Alphabetâ€, outro dos projectos continuados de Pedro Diniz Reis; neste caso, o laborioso trabalho do artista consiste numa engenhosa conversão de “256 Colours†de Gerard Richter em sinais sonoros, correspondendo cada cor inicial (256) a um acorde distinto, formado por três notas de piano. O que se apresenta (versão 2 de 4, tantas quantas as pinturas que Richter executou) resulta num hipotético (mas executável) concerto para dezasseis pianos de nove oitavas, cujo correspondente programa informático, quando accionado, se desenvolve, sonora e visualmente, perante a grelha mote de Richter. Finalmente, “TeraCityâ€, uma instalação de 10 discos rÃgidos (da marca Tera - jogando com a escala planetária do modelo) com um volume total de 10 000 Gb. Este trabalho encerra, ou melhor, “abre†uma alegoria, ponto de partida e passagem para muito do caminho percorrido por Pedro Diniz Reis. A torre e o respectivo programa informático concebido pelo artista representam um sistema em interacção sobre si próprio. O visitante apenas acede a dois pequenos indÃcios da alucinante actividade auto-gerada pelo sistema: Visualmente, pela detecção do azul electrizante dos leds sinalizadores de funcionamento e, acusticamente, pela percepção amplificada do ruÃdo insectÃvoro, gerado pelo próprio funcionamento de todo o dispositivo. A autonomia da torre (cuja produção de informação permite atingir os 240 Gb para um perÃodo de 8 horas) acentua a inutilidade da mesma, mas permite reflectir uma macro visão das estruturas urbanas em exponencial e imparável propagação. De que se ocupará uma cidade com milhões de habitantes (fazendo corresponder cada um a um byte de informação)? Qual o sentido de tão frenética, mas estanque, actividade produtiva? E que esperar da plena implantação do conceito das cidades biónicas? Desenvolvimento auto-sustentado ou incapacidade de acompanhar e controlar o desequilÃbrio entre evolução demográfica e escassez de recursos? “Grids†constitui, sem dúvida, uma grelha de articulação e exploração para conceitos que, no limite, investem num processo de simplificação sistémica, também linguÃstica, provenientes, entre outros, de modelos como o abstraccionismo diagramático, de Benjamin Buchloh. Parecemos dirigirmo-nos, de facto, para um patamar onde as possibilidades de acção humana estão seriamente comprometidas. Os dispositivos comportam já as variantes matematicamente possÃveis e pré-combinadas. O distanciamento que não conseguimos, ou não sabemos já conservar, entrou, também ele, numa espiral de concentração autonómica em crescente velocidade. A reprodução do sistema, em modelos que o saturem e o esgotem, por recurso à serialização e manipulação rÃtmica ou tecnológica, ou à sua extrapolação sÃgnica, funciona como estratégia de experimentação e desocultação, desocultação essa que passa pela apropriação artÃstica dos próprios dispositivos de processamento. Estes, como que em rédea solta, mas em total previsibilidade de acção, devolvem-nos a possibilidade de experimentação estética e, afinal, a reposição do lugar que não deverÃamos jamais ter abandonado.
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