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JEREMY DELLER, COM ED HALL, ALAN KANE, SCOTT KING, MATT PRICE, WILLIAM SCOTT, ANDREI SMIRNOV, MARC TOUCHé, WHITE COLUMNSD’ une révolution à l’ autre. Carte blanche à Jeremy DellerPALAIS DE TOKYO - SITE DE CREATION CONTEMPORAINE 13, Avenue du Prèsident Wilson 75 116 Paris 26 SET - 18 JAN 2009 Em 2007, o centro de arte contemporânea Palais de Tokyo, Paris, deu início a um programa de exposições comissariadas por artistas. Este ano, depois de Ugo Rondinone, coube a vez a Jeremy Deller (Londres, 1966), vencedor do Turner Prize de 2004, ocupar as salas daquele centro, optando por partilhá-las com outros nove convidados que trabalham ou participam nos domínios da antropologia, do artesanato, da música, da investigação tecnológica ou da acção social e comunitária, nomeadamente, Peter Clare, Ed Hall, Alan Kane, Scott King, Matthew Price, William Scott, Adrei Smirnov, Marc Touché e White Columns. Pertencendo à geração de artistas que se afirmou no decorrer da década de 1990, Jeremy Deller tem, desde então, trabalhado como artista, curador, produtor e director de um conjunto alargado de projectos, incluindo a produção de filmes, publicações, posters e anúncios. Em 1997, na exposição “Life/Live”, no CCB, quando uma jovem geração de artistas britânicos aspiravam ao estrelato internacional, apresentou uma série de posters, dispersos por todo o edifício, com a interrogação “WHY YBA?”. Realizou posteriormente a reconstituição de acontecimentos históricos, como é o caso de “The Battle of Orgreave”, 2001, talvez a sua obra mais conhecida e referenciada, que reencena um confronto violento e controverso entre um grupo de mineiros e a polícia britânica, durante os anos de 1984-5. Deller tem, deste modo, expandido a dimensão performativa a problemáticas de ordem histórica, social e política, procurando dar visibilidade a formas que se manifestam nos limites da arte contemporânea e se relacionam com a cultura popular e vernácula ou a micro-acontecimentos protagonizados por diversas comunidades. Ora estas são também as coordenadas que estruturam o seu projecto de co-comissariado intitulado “D’ une révolution à l’ autre” que, organizado em seis núcleos, coloca em diálogo as revoluções industriais e culturais dos séculos XVIII ao XX, ao mesmo tempo que desestabiliza o entendimento causal da explicação dos factos históricos e da necessidade histórica. Ao espectador é, então, dada a possibilidade de percorrer um horizonte temporal em constante mutação sobre o qual convergem vários tempos e narrativas que, por sua vez, se entrecruzam, dando lugar a inesperados objectos e relações. Assim, o núcleo “The Beginnings of Rock in France” devolve-nos a reconstituição, com recurso a material fílmico e fotográfico, da história do chá dançante Le Golf Drouot, crucial para a difusão da música rock e pop dos anos 1960, em Paris; o núcleo “William Scott Good Person”, apresenta um conjunto de desenhos, esculturas e maquetes de arquitectura, onde Scott, membro do White Columns, um centro de artistas com problemas físicos e mentais, inscreve as suas frustrações e desejos, alegorizando o presente em função de um futuro por vir; “Sound in Z”, restaura a cultura da utopia artística russa das décadas de 1910 e 1920, a partir de vídeos, documentação e objectos dos arquivos do centro Theremin de Moscovo, explorando a importância da tecnologia áudio na produção musical. Talvez os restantes núcleos, “Folk Archive”, “Banners” e “All that Is Solid Melts Into Air”, nos permitam ir um pouco mais além na reflexão sobre as intenções políticas e críticas da exposição e das suas possibilidades efectivas. Constituída como resposta às celebrações oficiais inglesas e em particular aos festejos do Millenium Dome, Jeremy Deller e Alan Kane reúnem, em “Folk Archive”, 1999-2005, uma selecção exaustiva de objectos, fotografias e vídeos, que documentam diferentes hábitos culturais intimamente ligados a tradições antigas e que se repetem todos os anos para reinventar o quotidiano das comunidades envolvidas. No entanto, a montagem desta instalação, que se mistura com a das bandeiras políticas penduradas no tecto do artista-sindicalista Ed Hall, parece depender exclusivamente da potencialidade daquelas formas vivenciais, não chegando, por isso, a acrescentar sentido ao que é dado, ou seja, a operar sobre o visível. Deste modo, estamos perante um processo de reificação que compromete o interesse político do trabalho. Contrariamente, os deslocamentos e aproximações que Deller, em colaboração com Scott King, estabelece em “All that Is Solid Melts Into Air”, produzem com eficácia uma resistência à regulação da memória e das subjectividades, ao promoverem um jogo de significação imprevisível entre objectos distantes entre si, como uma pintura representativa da classe operária, uma máquina tipográfica ou um mapa-gráfico com a indicação da tourné Ziggy Stardust de David Bowie, em Inglaterra. Contudo e apesar de revelar algumas fragilidades, “D’ une révolution à l’ autre” consiste numa interessante experiência curatorial que procura baralhar os papéis de artista e receptor, bem como pensar a produção artística enquanto acção subtractiva às práticas estabelecidas e sem lugar fixo.
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