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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Sofia Leitão, “The Crystal Cabinet #1”, 2008. Espelho sobre esponja. 104 x 125 x 10 cm


Sofia Leitão, “The Crystal Cabinet #3”, 2008. Espelho sobre esponja. 10 x 41 x 41 cm


Sofia Leitão, Sem Título, 2007. Acrílico sobre papel. 160 x 150 cm


Sofia Leitão, “Parure #2”, 2008. Acrílico s/ papel. 70 x 100 cm

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LAURA CASTRO

ARQUIVO:


SOFIA LEITÃO

The Crystal Cabinet




MCO ARTE CONTEMPORÂNEA
R. Duque de Palmela, 141 e 143
4000-373 Porto

05 DEZ - 12 JAN 2009


Sofia Leitão mostra-nos, na galeria MCO, os seus mais recentes trabalhos: quatro esculturas e cinco pinturas. O projecto é inspirado no poema homónimo de William Blake. “The Crystal Cabinet” dá-nos conta do poeta encarcerado com uma chave dourada, por uma dama, num armário de cristal. De um misto entre sofrimento e prazer que está na base do jogo amoroso. Do desencontro que atesta a impossibilidade do amor.

Sofia Leitão apresenta-nos um conjunto de objectos ligados à representação da feminilidade e à sua sofisticação. Construídos em espuma e revestidos a espelho, os materiais e texturas fazem recuar o simbólico quer para o nível da materialidade do objecto, quer para um momento anterior, o da sua produção. Pense-se na artista a recortar e colar as lâminas espelhadas que revestem as peças.

Corpetes, colarinhos e xailes mais do que peças de vestuário são adornos que reflectem a posição da mulher em termos de estatuto e sujeitam-na a critérios de beleza exteriores. O mesmo acontece com as cabeleiras ou com os penteados. A sedução é também conformada socialmente. O facto de se incorporar o espelho como material permite reflectir, devolver o olhar masculino. O erotismo como um campo onde a mulher, ao longo dos séculos pode subverter a sua condição. Por outro lado, os espelhos e as suas arestas evocam sensações contraditórias pelo facto de serem objectos cortantes e ao mesmo tempo apelativos, emanam luz reflectida e permitem ao observador aceder à sua imagem.

O poema é também uma metáfora do próprio acto criativo e nesse sentido torna-se uma alegoria recuperada posteriormente por outros artistas. Pensamos nomeadamente em Mizogushi. Em 1946, em pleno período de ocupação pós-guerra pelos americanos, realiza Cinco Mulheres em torno de Utamaro. O filme retrata a vida do pintor Utamaro, que viveu no século XVII. O pintor procura incessantemente capturar a essência da beleza feminina. Nessa busca chega a utilizar como suporte as costas do seu modelo, fazendo coincidir o objecto representado com a sua representação. E se o seu compromisso é para com um ideal e o seu olhar o protótipo de um olhar masculino, as mulheres que retrata utilizam-no em seu proveito, seja por motivos de vaidade ou para verem consagrado o seu nome. Mas é uma cortesã que, ao matar o seu amante, mostra o caminho, afirmando o seu amor para além de quaisquer constrangimentos.

Para além das esculturas, fazem parte da exposição cinco pinturas (acrílico sobre papel). Quatro têm como título “Parure”, referem-se a objectos de joalharia do século XVII, pensados de uma forma modular para serem utilizados segundo várias configurações em diferentes ocasiões.



Alexandra Beleza Moreira