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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Thomas Struth, “Shangai Panorama”, 2002. BESart - Colecção Banco Espírito Santo


Rodney Graham “Paradoxical Western Scene”, 2006. BESart – Colecção Banco Espírito Santo


João Maria Gusmão e Pedro Paiva, “Homem Magnético”, 2004. BESart – Colecção Banco Espírito Santo


Hiroshi Sugimoto, “Mechanical Forms, Worm Gear”, 2004. BESart – Colecção Banco Espírito Santo


Wolfgang Tillmans, “Renovierung”, 2003. BESart – Colecção Banco Espírito Santo

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COLECTIVA

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ARQUIVO:


COLECTIVA

O Presente. Uma Dimensão Infinita




MUSEU COLEÇÃO BERARDO
Praça do Império
1499-003 Lisboa

24 NOV - 25 JAN 2009


Praticamente imune a polémicas em torno da sua constituição e pressupostos aquisitivos, a colecção de fotografia do Banco Espírito Santo (BESart) – ao contrário de alguns dos prémios e mostras a que o grupo promove ou se associa – é consensualmente apontada como um dos mais relevantes acervos de fotografia contemporânea em Portugal (com abrangência internacional). Alcançou, por fim, maior visibilidade através da aposta numa grande mostra institucional – “O Presente. Uma Dimensão Infinita” –, patente no Museu Colecção Berardo até 25 de Janeiro.

Maria de Corral e Lorena Martinez de Corral – a primeira, directora do Reina Sofía entre 1990/94 e comissária da Bienal de Veneza em 2005, a segunda, para além de filha da primeira acumula um currículo que se tem vindo a consolidar –, foram convidadas há cerca de dois anos por Alexandra Pinho (curadora da colecção) para desenharem um projecto curatorial que se traduziria no primeiro e idealmente impactante momento de apresentação pública da colecção do grupo bancário. A dupla teve então o privilégio de dispor de um acervo consistente, ainda pouco explorado que congrega um conjunto de obras representativas da fotografia artística que se tem vindo a produzir sobretudo a partir da década de 80. A forma como se rentabilizou, ou não, esse privilégio, poderá ser discutível. Já lá iremos.

Iniciada em 2004, a colecção do Banco Espírito Santo reúne actualmente à volta de 450 obras que se repartem por cerca de 150 artistas, nacionais e estrangeiros, de referência e emergentes, que permite traçar um percurso associado à evolução da fotografia contemporânea. Destacam-se as suas especificidades no contexto das artes visuais, a sua prolífera capacidade de intersecção com outros suportes, bem como a tendência de a fotografia integrar o processo criativo, sempre como um meio mas nem sempre como um fim. A diversidade temática e formal que se traduz numa pluralidade de catalogações subjacente ao acervo do BES potencia o estabelecimento de pontes de contacto e comunicação com um leque muito diversificado de hipotéticas abordagens.

A opção curatorial de dividir a mostra em oito secções temáticas – “o retrato”; “a arquitectura”; “a natureza”; “as narrações, ficções e realidades”; “os espaços, lugares e objectos”; “os conceitos, críticas e ideias”; “a sociedade e a vida urbana” e os “universos privados” – levanta algumas questões em torno da pertinência na aposta num modelo expositivo tendencialmente ultrapassado, assente naquelas que se poderiam apontar como as “secções temáticas tipo”. Esta opção imprime à mostra um dispensável grau de previsibilidade e em alguns casos a inserção de obras/artistas em determinadas secções, pode levantar dúvidas em relação à sua catalogação forçada ou à sua presença numa outra divisão temática. A polémica facilmente se instala o que, obviamente, não será por si negativo ainda que a consciência de um certo facilitismo subjacente tenda a aniquilar debates mais aprofundados.

A dupla de Corral poderia ter sido mais ousada aventurando-se em propostas alternativas que potenciassem leituras menos lineares. Por outro lado, uma predisposição excessivamente aglutinadora em termos do número de trabalhos expostos inviabiliza a introdução de momentos de pausa de natureza mais reflexiva ou de reforço do impacto causado por obras verdadeiramente representativas e avassaladoras que integram a mostra. Um dos exercícios interessantes que a exposição desperta, eles existem, passa pelo dialogo estabelecido entre algumas obras de artistas internacionais de referência que o público português teve oportunidade de usufruir em diferentes momentos e que são agora inseridas num outro contexto e em relação com outras peças. É o caso de trabalhos de Candida Höfer ou Vik Muniz, (encomendas, no último caso bastante polémica), de Hannah Starkey (que em 2005 integrou a LisboaPhoto) e Rineke Dijkstra (incluída na programação Allgarve) .

A exposição estende-se ao espaço BES Arte & Finança, no Marquês do Pombal, onde o visitante se confronta precisamente com as mesmas secções temáticas e com a mesma tendência aglutinadora, neste caso com bastantes limitações expositivas (que se reflecte nomeadamente no recurso a painéis e a uma montagem menos cuidada). O comissariado é assinado por Alexandra Pinho que, neste espaço se apropria das linhas temáticas definidas por Maria e Lorena Martinez de Corral.

Regressemos ao Museu Colecção Berardo para salientar a qualidade de algumas exposições paralelas que têm sido programadas em complemento às que gravitam em torno da Colecção Berardo. Apesar das fragilidades que podem ser legitimamente apontadas, “O Presente. Uma Dimensão Infinita” é, sem margem para dúvidas um desses casos, de sucesso. De todas as vulnerabilidades referidas, ou para além delas, é indiscutível a qualidade e representatividade de uma colecção pertinentemente restritiva cuja consistência e linha de orientação deveria ser tomada como exemplo por outros grupos empresariais de grande dimensão que pretendam apostar na constituição de uma colecção de arte contemporânea.



Cristina Campos