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NICOLAS PROVOSTSuspensionSOLAR - GALERIA DE ARTE CINEMĂTICA Solar de S. Roque Rua do Lidador Vila do Conde 29 NOV - 25 JAN 2009 Podem ser vistos na Galeria de Arte CinematogrĂĄfica (SOLAR), em Vila do Conde, atĂ© ao dia 25 de Janeiro, um conjunto de trabalhos do artista belga Nicolas Provost. A exposição que tem como tĂtulo âSuspensionâ, reĂșne 8 vĂdeos realizados entre 2003 e 2007: âSuspensionâ, 2007; âPlot Pointâ, 2007; âGravity,â 2007; âInductionâ, 2006; âThe diversâ, 2006; âExoticoreâ, 2004; âBatailleâ, 2003, e âPapillon dâ Amourâ, tambĂ©m de 2003. âExocticoreâ e âInductionâ sĂŁo os Ășnicos que se regem por cĂłdigos narrativos cinematogrĂĄficos convencionais, que o artista exclui em trabalhos como âSuspensionâ, âBatailleâ ou âPapillon dâ Amourâ, nos quais explora a plasticidade das imagens. âPlot Pointâ Ă© gravado com uma cĂąmara oculta, recolhendo imagens das ruas de Nova Iorque. Centrando-se em figuras como polĂcias ou agentes de segurança, atravĂ©s da montagem e do som, cria um ambiente de tensĂŁo que nunca tem um desfecho. Na verdade nĂŁo se verifica nenhum plot-point. Captadas ao amanhecer, as imagens terminam com um desfile de carros patrulha, intuindo a continuação do registo adoptado. O mundo diegĂ©tico Ă© construĂdo a partir de uma narrativa sugerida por imagens de acontecimentos reais que nĂŁo tĂȘm qualquer relação entre si. Em âBatailleâ e âPapillon dâ Amourâ, Nicolas Provost recupera imagens do filme Rashomon, de Kurosawa. Realizado em 1950, coloca em palco quatro testemunhas de um acontecimento, contando a sua versĂŁo do mesmo. Em concreto apenas se sabe que uma mulher foi violada por salteador e na sequĂȘncia disso, o seu marido, um samurai, morreu. A acção, que Ă© retomada em flashback por cada uma das testemunhas, tem como catalizador um triĂąngulo amoroso. SĂŁo as personagens desse triĂąngulo que Provost vai recuperar nestes seus vĂdeos: em âBatailleâ o confronto entre o samurai e o salteador, em âPapillon dâ Amourâ a mulher expondo a sua histĂłria. AtravĂ©s de uma re-montagem que recorre a um efeito de espelho sĂŁo alteradas as estruturas que articulam os elementos narrativos, tendo como consequĂȘncia o reforçar das relaçÔes de sentido do filme original. O efeito de espelho cria um eixo central com uma dinĂąmica centrĂpeta. DinĂąmica essa que potencia outros efeitos, como o efeito de caleidoscĂłpio, ou o efeito de aplanamento das imagens. Perante a voracidade do eixo, as diferenças entre primeiro plano, segundo plano e plano de fundo sĂŁo esbatidas. As distorçÔes da re-montagem afectam nĂŁo apenas a topografia original do espaço, contaminam a forma e o movimento originais, alterando tambĂ©m o tempo fĂlmico. As personagens saĂdas desta distorção sĂŁo como fantasmas, em passagem por diferentes nĂveis: o do filme original; o dos factos reais; o da variante individual, com a sua respectiva imagem, que pretende se torne a verdade cristalizada; o nĂvel plĂĄstico das imagens e o nĂvel diegĂ©tico.
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