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DAMIÁN ORTEGAChamp de visionCENTRE POMPIDOU Place Georges Pompidou 75191 Paris 12 NOV - 16 MAR 2009 “Champ de vision” é o título da instalação mais recente de Damián Ortega e encontra-se actualmente em exposição no Espaço 315 do Centro Pompidou, em Paris, sala esta que se constituiu em 2004 sob a curadoria de Christine Macel e Alison M. Gingeras, com o propósito de produzir e estrear trabalhos de novos artistas internacionais. Damián Ortega (n. 1967, Cidade do México) pertence à geração de artistas mexicanos que se afirmou no final da década de 1990 e da qual fazem também parte nomes como Gabriel Kuri ou Abraham Cruz-Villegas. Iniciou o seu percurso como criador de bandas desenhadas políticas, mas o seu trabalho só viria a ganhar repercussão mais tarde, aquando da sua participação na quinquagésima Bienal de Veneza, de 2003, com a apresentação da instalação “Cosmic Thing” que, ao suspender no tecto um “carocha” Volkswagen desmontado peça-a-peça, desconstruía com humor um dos objectos de culto da sociedade de consumo mexicana. No entanto, se a sua prática artística revela quase sempre um sentido lúdico e político, ela é, por outro lado, atravessada diversas vezes por um olhar crítico sobre a arquitectura modernista ou sobre o valor de essencialidade procurado por alguma escultura minimalista, como é o caso de “Project For Social Housing”, 2007 e “Matter/Energy”, 2003. Contudo, “Champ de vision”, projecto comissariado por Christine Macel, inscreve-se num conjunto de obras suas que indiciam uma investigação de outra natureza e que se articulam com a problemática da percepção visual. Um pequeno desenho a lápis representando os grupos de moléculas constituintes da matéria dá início à exposição, a qual se estende a outra sala de quase 200 metros quadrados. Nela, o espectador descobre uma instalação também suspensa no tecto constituída por 6.000 discos de Plexiglas, com as cores primárias, de tamanhos diferentes e que, ao se encastrarem uns nos outros por planos perpendiculares, formam estruturas esféricas que preenchem o espaço como se de uma explosão molecular tratasse. Os discos estão dispostos em planos paralelos, formando curtos corredores entre si passíveis de serem percorridos pelo espectador que, assim, circula no interior da instalação, ao mesmo tempo que é convidado a fazer parte da “explosão”. Ora no momento em que aquele atravessa a obra é, por sua vez, levado a contornar uma parede que revela no seu centro um pequeno orifício munido de uma lente, permitindo-lhe ver exactamente aquilo que acabou de percorrer. Mas curiosamente, no olho do espectador que espreita constitui-se a imagem gráfica de um olho composto por pixéis coloridos formados através do dispositivo ocular que, àquela distância, acaba por rebater os próprios discos num só plano. Neste sentido, o olho que olha a si vê-se confrontado não só com a sua representação como também com o processo da sua mecânica. Já de regresso, somos levados pelo percurso em sentido inverso à medida que vemos de novo o que inicialmente descobrimos, mas de um outro modo. Ao adoptar um sentido reversível entre os dois lados que a constituem, ou seja, entre a dispersão da matéria e a sua confluência em imagem, “Champ de Vision” manifesta-se como um trabalho sem princípio nem fim e sem lugar estável. Mais do que propor a apresentação de um objecto, Damián Ortega parece devolver aqui a experiência da percepção, assente numa relação tensa entre o sujeito e a obra e mais concretamente na impossibilidade do olhar alcançar a perspectiva absoluta da realidade, pelo que o ponto de partida deste trabalho parece ser a própria imperceptibilidade das coisas. Na entrevista do catálogo da exposição, o artista explica que “Champ de vision” emana da fotografia de um olho transformada e reduzida aos pontos de magenta, amarelo, ciano e preto, à semelhança dos grandes cartazes publicitários, pelo que o processo de ampliação em jogo, para além de fazer uma referência ao filme “Blow Up” de Antonioni, explora as propriedades ínfimas da imagem que escapam ao olho mas que, tal como o sujeito, tomam um número ilimitado de possibilidades e sentidos.
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